Sentidos atribuídos ao patrimônio Tenetehara na Biblioteca Pública Benedito Leite

Educação patrimonial e mediação cultural na exposição “Cultura Indígena: um olhar e várias leituras”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.52192/1984-3917.2026v19n1p146-170

Palavras-chave:

Educação Patrimonial, Mediação cultural, Patrimônio indígena, Tenetehara (Guajajara) do Maranhão, Biblioteca Pública Benedito Leite

Resumo

O estudo analisa a exposição "Cultura Indígena: um olhar e várias leituras", realizada na Biblioteca Pública Benedito Leite, em São Luís (MA), como prática de educação patrimonial e mediação cultural voltada à valorização do patrimônio indígena Tenetehara no Maranhão. Adota abordagem qualitativa, exploratória e descritiva. O corpus empírico foi constituído por observação direta da mostra e das interações entre mediadora e visitantes, registrada em diário de campo entre abril e maio de 2025, e por entrevista semiestruturada com a mediadora, realizada em maio de 2025. Os dados foram tratados por análise temática, permitindo identificar padrões relativos à recepção do público, aos recursos expográficos e às estratégias de contextualização cultural. Os resultados indicam que determinados artefatos, especialmente a máscara Kokrit-ho, concentram a atenção e podem suscitar dúvidas sobre autenticidade quando apresentados sem chaves interpretativas. A mediação atua ao converter estranhamento em compreensão intercultural, estimulando atitudes de verificação e pesquisa e enfrentando narrativas de invisibilização da presença indígena no estado. Observou-se ainda que a biblioteca, por ser espaço de circulação cotidiana e entrada espontânea, reduz barreiras simbólicas associadas a museus e amplia oportunidades de fruição e aprendizagem, sobretudo quando integra um circuito contínuo de exposições e ações educativas com acervos diversos, incluindo o público infantil. Entretanto, persistem limites, como contextualização parcial centrada em rituais, fragilidades na narrativa curatorial do cotidiano e baixa participação indígena nas decisões expográficas, o que pode reforçar exotizações. Conclui-se que bibliotecas públicas podem funcionar como instâncias estratégicas de educação patrimonial sobre povos originários no contexto urbano maranhense, desde que articulem curadoria qualificada, dispositivos informacionais acessíveis e mediação participativa, de orientação decolonial, para ampliar reconhecimento, pertencimento e justiça cultural.

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Biografia do Autor

Maurício José Morais Costa, Universidade Federal da Paraíba

Doutor em Ciência da Informação (PPGCI/UFPB), Mestre em Cultura e Sociedade (PGCULT/UFMA), Membro do Grupo de Pesquisa: Biblioteca, Informação e Sociedade (BIS) Certificado pela Universidade Federal do Cariri (UFCA) e Grupo de Estudo e Pesquisas em Patrimônio Cultural (GEPPac) filiado ao Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (PGCULT-UFMA), Docente do Centro Universitário UNDB.
https://orcid.org/0000-0002-0759-9285

Maria Cleide Rodrigues Bernardino, Universidade Federal do Cariri

Doutora em Ciência da Informação (PPGCI/UnB), Mestra em Linguística (UFPB), professora do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Cariri (UFCA) e do Mestrado Profissional em Biblioteconomia (MPB) da UFCA; Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Líder do Grupo de Pesquisa: Biblioteca, Informação e Sociedade (BIS) Certificado pela UFCA e Pesquisadora do Laboratório de Tecnologias Informacionais e Inclusão Sociodigital (LTI Digital) Certificado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
https://orcid.org/0000-0002-3812-3167

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Publicado

2026-06-30

Como Citar

Costa, M. J. M., & Bernardino, M. C. R. (2026). Sentidos atribuídos ao patrimônio Tenetehara na Biblioteca Pública Benedito Leite: Educação patrimonial e mediação cultural na exposição “Cultura Indígena: um olhar e várias leituras” . Museologia E Patrimônio, 19(1), 146–170. https://doi.org/10.52192/1984-3917.2026v19n1p146-170

Edição

Seção

Artigos/Articles