O sagrado incorporado
Resumo
O artigo investiga as diversas formas de devoção das principais tradições africanas na diáspora brasileira destacando, sobretudo, a consagração do corpo por meio de rituais em que se utiliza o poderoso e inseparável trio (batucar/cantar/dançar) em sua conexão com os elementos da natureza e a ancestralidade africana. São consideradas aqui as tradições Congo-Angola, Ewe/Fon/Mina (Jeje) e Iorubá (Nagô) que separadas, misturadas entre si ou amalgamadas com rituais católicos, espíritas ou indígenas, que fundamentaram a criação de inúmeras religiões tais como o Candomblé, a Umbanda, o Tambor de Mina, entre outras, presentes em todo o Brasil e, inclusive, em outros países vizinhos. São exemplificados rituais, cosmogonias, e escrituras gráficas (pontos riscados) assim como as formas e expressões africanas em destaque na arte, arquitetura e escultura sacra do barroco/rococó mineiro do século XVIII pelas mãos dos artistas Antônio Francisco de Lisboa, o Aleijadinho e Mestre Valentin. Avalia-se que enquanto é possível perceber em imagem, escultura e arquitetura a forte influência africana, por outro lado, os mais importantes rituais da diáspora, praticados na corrente contrária ao pensamento hegemônico judaico/cristão/muçulmano, é ainda um terreno pouco conhecido, assim como, a sua religiosidade incorporada que se manifesta principalmente por meio da performance: dançar, cantar e batucar.Downloads
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