Mapas do Silêncio

Quem Conta a História da Educação Museal no Brasil?

Authors

  • Karlla Kamylla Passos UFOP
  • Brune Ribeiro da Silva Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial/IPHAN
  • Lucas Inocencio Almeida Comissão de Tombamento do Ilê Axé Omon Obá Olooke Ty Efon – Axé Ogodo

DOI:

https://doi.org/10.52192/1984-3917.2025v18n2p293-318

Abstract

Este artigo propõe uma análise crítica da coletânea História da Educação Museal no Brasil (2024), considerando os marcadores sociais da diferença das pessoas autoras que assinam seus capítulos. A partir de uma perspectiva interseccional, são examinados aspectos como raça, gênero, formação, localização geográfica e atuação profissional, com o objetivo de refletir sobre os silêncios e exclusões presentes na construção da narrativa nacional da Educação Museal. Os dados, obtidos principalmente via internet e Currículo Lattes, revelam uma maioria de pessoas autoras brancas, cisgênero, com formação e atuação concentradas no eixo Rio-São Paulo. A ausência de pessoas trans, indígenas, com deficiência e oriundas de outras regiões do Brasil evidencia uma reprodução de desigualdades estruturais no campo museal. A análise aponta que a Educação Museal retratada no livro não representa de forma diversa a realidade do país, reforçando uma colonialidade interna que ignora práticas educativas protagonizadas por populações historicamente invisibilizadas. A metodologia adotada combina abordagens qualitativas e quantitativas, utilizando o conceito de marcadores sociais da diferença para evidenciar a homogeneidade do grupo autoral e seus impactos na definição de políticas e práticas museais. Além disso, o artigo propõe um novo imaginário para a Educação Museal, inspirado em experiências dissidentes, como o programa “Trair o CIStema” e a exposição “Ações Artístico-Pedagógicas”. Ao criticar a narrativa hegemônica da Educação Museal, o texto reivindica uma museologia social que seja verdadeiramente plural, inclusiva e comprometida com transformações sociais, onde todas as vozes, corpos e trajetórias possam ser reconhecidos e valorizados.

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Author Biographies

Karlla Kamylla Passos, UFOP

Professora no Departamento de Museologia da Universidade Federal de Ouro Preto. Doutora em Museologia na Universidade Lusófona. Mestra em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde, na Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. Graduada em Museologia pela Universidade Federal de Goiás. Museóloga 1252-I, Conselheira Suplente 2025–2027 do Conselho Regional de Museologia 2ª Região.

Brune Ribeiro da Silva, Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial/IPHAN

Travesti, negra, pansexual, carioca suburbana e macumbeira. Mestra em Artes Visuais (UFRJ), Bacharela em História da Arte (UFRJ), Licenciada em Artes Visuais (ETEP) e Pós-graduanda em Gestão e Coordenação Pedagógica (Faculdade IBRA). Co-idealizadora da Rede TransMuse. Educadora Museal no Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial/IPHAN. 

Lucas Inocencio Almeida, Comissão de Tombamento do Ilê Axé Omon Obá Olooke Ty Efon – Axé Ogodo

Técnico em Museologia pela Escola Técnica Estadual de São Paulo (ETEC), graduando em Gestão Pública pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e educador museal. É Presidente da União dos Amigos da Capela dos Aflitos (UNAMCA) e Coordenador-Geral do Museu dos Aflitos (Musa). Atua também como Conselheiro Fiscal do Instituto do Direito do Patrimônio Cultural Brasil (IDPC), Coordenador Administrativo do Instituto Afluentes de Educação e Cultura (IAEC) e sócio do Instituto Tebas de Educação e Cultura, integra a Rede de Memória e Museologia Social de São Paulo (ReMMuS-SP) e integrante da Comissão de Tombamento do Ilê Axé Omon Obá Olooke Ty Efon – Axé Ogodo.

Published

2025-12-31

How to Cite

Kamylla Passos, K., Ribeiro da Silva, B., & Inocencio Almeida, L. (2025). Mapas do Silêncio: Quem Conta a História da Educação Museal no Brasil?. Museologia E Patrimônio, 19(2), 293–318. https://doi.org/10.52192/1984-3917.2025v18n2p293-318

Issue

Section

Dossiê "Museologia Social e educação museal"