Museologia e Patrimônio




APRESENTAÇÃO


Com este novo número de Museologia e Patrimônio (M&P) inicia-se o décimo segundo ano de publicações ininterruptas do periódico. É, portanto, motivo de satisfação para toda a equipe da revista e dos interessados no campo da Museologia e dos estudos sobre o Patrimônio. No entanto, não podemos deixar de registrar, mesmo passados seis meses, o terrível incêndio que consumiu grande parte da materialidade do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Todos os participantes e colaboradores do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio, mais especialmente alunos, docentes e pessoal administrativo, que moram na cidade, passaram por momentos de grande tristeza e revolta, aderindo a todo um movimento intenso percebido no campo museal e na população brasileira em geral. Nos primeiros dias, após o incêndio, houve grande comoção nacional e internacional, assim como imensa repercussão nas mídias impressas e digitais. Muitas promessas foram feitas. Mas o tempo passa e pouco se sabe sobre o que de fato está sendo realizado, quais apoios formais e, mais especificamente, financeiros, o Museu Nacional está realmente recebendo para poder se reerguer. Os desastres chamam mais a atenção dos meios de comunicação do que todo o trabalho que se faz, posteriormente, para atenuar seus impactos negativos. Cabe aqui registrar o trabalho incessante e impecável da equipe do Museu e de um sem número de profissionais do campo, todos apaixonados por essa Instituição seminal no país e que, desde o início, foram solidários e estão trabalhando duro para que o Museu Nacional continue como referência e permaneça como museu universitário, no âmbito da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Este número apresenta textos diversificados nas seções de Artigos e Relatos de Experiências. Na seção Artigos , Luisa Maria Rocha realiza discussão importante sobre algumas das transformações ocorridas nos museus, na contemporaneidade, com novas funções e novos desafios para o campo da Museologia. A autora se debruça, em especial, sobre os processos de documentação, pesquisa e comunicação. Os resultados apresentados mostram que nessas três instâncias ocorrem processos de continuidade e transformação. Ao criarmos possíveis pontes e percursos, entendemos que os museus, originários ou não da sociedade de comunicação, têm estabelecido “sintonias” com as mudanças de nossa época propiciando uma abordagem “diacrônica, intercultural e multicomunicacional”. Para a autora, o museu passou, pouco a pouco, da singularidade para a pluralidade e se inscreveu num presente em movimento tanto no tratamento dos objetos e na forma de abordá-los, quanto nos meios e recursos tecnológicos, do presencial ao digital. Destacam-se as ações comunicacionais enriquecidas pelas curadorias participativas, colaborativas e compartilhadas. O segundo texto foi retirado pela editoria da revista. Em seguida, Ana Ramos Rodrigues e Paola Carmen Valenzuela Cánepa analisam em seu texto o modelo de gestão do Museu de Arte do Rio (MAR), museu público administrado pela Organização Social Instituto Odeon localizado no Rio de Janeiro. Segundo as autoras, o modelo de gestão pesquisado permite maior autonomia na busca por diferentes arrecadações de verbas e patrocinadores para sua sustentabilidade e se destaca pela maior autonomia de gestão. Em termos práticos, essa autonomia representa “flexibilidade” e foco em resultados e deve ser traduzida em prestação de serviços de qualidade para a sociedade. Assim, o MAR apresentou estar em consonância com seu modelo de gestão público-privado que investe na qualidade de sua marca.O quarto artigo deste volume é de autoria de Miliana Fernandes, Ozias de Jesus Soares e Carla Gruzman que também abordam aspectos da gestão nos museus, mais especificamente no âmbito das exposições. A investigação parte das realidades de dois museus de ciências na cidade do Rio de Janeiro, Museu de Astronomia e Ciências Afins e Museu Nacional, apresentando os percursos com respeito aos processos de concepção e gerenciamento de suas exposições temporárias, a partir da perspectiva dos sujeitos entrevistados. segundo as análises realizadas, as autoras identificaram características relevantes que integram o desenvolvimento de exposições temporárias, avanços na proposição de trabalhos integrados, como também tensões no âmbito de cada instituição.O quinto texto, de autoria de Hugo Menezes Neto e Sue Costa, parte da discussão sobre a crise ambiental realizada na exposição de longa duração do Museu do Amanhã, situado no Rio de Janeiro. A proposta científica de uma nova era geológica, o Antropoceno, fundamenta os conteúdos nela apresentados. Para os autores, o intuito implícito da exposição seria a defesa do desenvolvimento sustentável e do consumo consciente. A partir da observação e análise da exposição, são identificados os limites na narrativa expográfica, no que se refere à dimensão antropológica e política constitutiva do Antropoceno e da crise ambiental. Soma-se ainda, a aderência dos museus à agenda liberal-capitalista que, ao mesmo tempo, fomenta iniciativas no âmbito dos museus e controla a crítica social e os processos emancipatórios. Em seguida, Rejane Maria Lira-da-Silva, Josefa Rosimere Lira-da-Silva, Yukari Figueroa Mise e Tania Kobler Brasil elaboraram uma narrativa sobre a construção histórica da identidade do Núcleo de Ofiologia e Animais Peçonhentos da Bahia (NOAP/UFBA) como um museu da Universidade Federal da Bahia, desde sua criação em 1987 até 2017. São apresentadas as propostas teórico metodológicas da divulgação do tema “animais peçonhentos”, desenvolvidas em 30 anos pelo Museu NOAP/UFBA. Os resultados da pesquisam mostram, segundo as autoras, que a maioria do público tem um conhecimento do senso comum, usa a medicina tradicional, não sabe reconhecer os animais de importância médica e realiza equivocadamente os primeiros socorros. Portanto, existe a necessidade de implementar ações mais eficazes que possam mudar esse panorama e os museus têm papel significativo para tal. O artigo seguinte, de autoria de Carmen Gómez Redondo, Sofía Marín-Cepeda e Alice Semedo, apresenta uma reflexão sobre a concepção e validação de um kit de avaliação, no âmbito de um projeto realizado entre a Universidade do Porto, a Universidade de Valladolid e a Câmara Municipal do Porto. O objetivo da pesquisa é a avaliação dos programas educativos do Museu Municipal do Porto. A pesquisa em andamento reforça a necessidade de fortalecer as áreas educativas nos museus que devem ser consideradas, segundo as autoras, como um dos eixos principais de sustentação dos museus. O oitavo texto, de autoria de Raíssa de Keller e Costa e Leandro Benedini Brusadin, discute o binômio "acessibilidade x patrimônio cultural", tendo como foco uma edificação tombada da cidade de Ouro Preto (MG). Trata-se da Câmara Municipal, onde os autores fazem uma avaliação das condições de acessibilidade in loco e verificaram que diversas adaptações para novos usos foram realizadas ao longo da história de funcionamento dessa edificação. No entanto, nenhuma delas atendeu às exigências da legislação vigente sobre acessibilidade como forma de garantir o uso social do público com mobilidade reduzida. A partir disso, os autores fazem uma discussão sobre política de preservação e legislação de acessibilidade, ressaltando que a preservação de monumentos históricos tem por finalidade sua inserção na sociedade. O último artigo da seção, de autoria de Ana Luísa Andrade Moreira e Margarita Nilda Barretto Angeli, discute as práticas tradicionais identificadas pelas autoras na cidade de Laguna, localizada no estado de Santa Catarina. Laguna possui uma relação importante com as águas que a cercam, principalmente com a Lagoa Santo Antônio dos Anjos. Muitos dos barcos utilizados nesse contexto já não se fazem presentes na paisagem de Laguna, e a valorização da sua materialidade e das manifestações tradicionais referentes ao universo marítimo são ações centrais para a preservação desse rico patrimônio cultural, por ora pouco conhecido e divulgado.

Na seção Relatos de Experiências, o primeiro texto é de autoria de Cybelle Miranda, Ronaldo Nonato Ferreira Marques de Carvalho e Vithória Carvalho da Silva e faz um relato sobre a montagem da exposição "Como ser Moderno e Restaurar o Antigo: entendendo o palácio de Landi", desde a negociação para uso do espaço da capela do Palácio dos Governadores (Belém), passando pela captação de recursos, definição da equipe de trabalho e compatibilização entre os anseios iniciais e as possibilidades reais de execução. Em seguida, Milena Behling Oliveira e Diego Lemos Ribeiro apresentam a identificação de patrimônios, considerados pelos autores afetivos, da cidade de Morro Redondo-RS, na visão dos idosos locais. O que se destaca nesses lugares, para além da dimensão física, é o espectro memorial, que desempenha um papel determinante na medida em que tem forte potencial mediador das relações sociais. Finalmente, o último texto da revista, de autoria de Anna Gabriela Pereira Faria e Gabriela Lúcio de Sousa, aborda um conjunto de vestimentas (quimonos) de Maria Augusta Rui Barbosa. Poucos são os estudos sobre a esposa de Rui Barbosa e aqui são apresentados resultados referentes às influências do campo da moda na sociedade do início do século XX, a partir de duas peças de seu vestuário. Esses objetos museológicos foram fontes fundamentais, a partir dos preceitos da cultura material, para o desenvolvimento desse estudo.

Desejamos a todos uma leitura prazerosa e academicamente proveitosa.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Editores científicos

FOREWORD


This new edition of Museologia e Patrimônio , marks the beginning of the twelfth year of uninterrupted publications of the journal: a cause of great satisfaction to the whole team and those involved in the fields of Museology and heritage studies. Nonetheless, even six months after the event, we cannot fail to mention the terrible fire that destroyed much of the materiality of Museu Nacional (National Museum), in Rio de Janeiro. All the members and collaborators of the Postgraduate Programme in Museology and Heritage, particularly the students, faculty and administrative staff who live in the city, experienced moments of deep sadness and also outrange at what happened, lending their voices to a powerful movement that swept through the area of Museology and the Brazilian population in general. During the first days after the fire, there was great commotion in Brazil and around the world, with high-profile coverage in traditional and online media. Many promises were made. But time has passed and little is known about what is actually being done, what formal and especially what financial support the Museum is receiving to get back on its feet. Disasters are far more newsworthy than the long, hard work done afterwards to tackle their negative impacts. The fact is that the museum’s team have been working tirelessly and painstakingly alongside a plethora of specialised professionals, all driven by a deep commitment to this, one of the country’s seminal institutions, and have shown great solidarity and dedication to ensure that the National Museum continues as a reference and remains a university museum under the auspices of the Federal University of Rio de Janeiro.

This issue of M&P contains a variety of articles and experience reports. The Articles section opens with an important discussion by Luisa Maria Rocha on some of the transformations museums have undergone in contemporary times, with new functions and new challenges for the field of Museology. In particular, the discussion addresses the processes of documentation, research and communication, which, according to the research findings, have experienced both continuities and transformations. When we create potential bridges and routes forward, we can see that museums, whether or not they derive from the communication society, have become “synchronised” with the changes of our time, making them fitting for a “diachronic, intercultural and multi-communicational” approach. As Rocha sees it, museums have gradually moved from singularity to plurality and are now engaging in a present time that is shifting not just in terms of how objects are treated and addressed, but also in the technological resources and media available, from face-to-face to digital. Emphasis is placed on communication actions enhanced by participative, collaborative, shared curatorial stances. The second article was withdrawn by the magazine editors. In the following article, Ana Ramos Rodrigues and Paola Carmen Valenzuela Cánepa analyse the management model adopted at Museu de Arte do Rio (Rio Museum of Art, MAR), a governmentowned museum run by the social organization Instituto Odeon. The museum’s management model gives it autonomy to seek out funding and sponsorship from other sources to ensure its financial sustainability. In practical terms, this enhanced managerial autonomy gives it “flexibility” and a results-oriented approach, which should be translated into the offer of high-quality services to society. MAR is therefore a prime example of this form of public-private management, making investments in the quality of its brand. The fourth article in this volume, by Miliana Fernandes, Ozias de Jesus Soares and Carla Gruzman, also addresses museum administration, but in this case in terms of exhibitions. The investigation draws on two science museums in Rio de Janeiro, Museu de Astronomia e Ciências Afins and Museu Nacional , and presents how their temporary exhibitions are devised and managed, through the eyes of people involved in these processes. The authors’ analysis identifies key features in the development of temporary exhibitions and progress in the proposition of integrated projects, but also tensions within each institution. The fifth text, by Hugo Menezes Neto and Sue Costa, is based on a discussion about the environmental crisis in a permanent exhibition at Museu do Amanhã (Museum of Tomorrow), in Rio de Janeiro. The scientific proposal of a new geological era, known as the Anthropocene, forms the basis for the information presented in the exhibition. According to the authors, the exhibition’s implicit purpose is to present a defence of sustainable development and conscious consuming. By observing and analysing the exhibition, the authors identify the boundaries of the exhibition narrative when it came to the anthropological and political dimension behind the Anthropocene and the environmental crisis. They then highlight the co-option of museums onto the liberal-capitalist agenda, which fosters initiatives in the museum setting while also controlling social criticism and processes of emancipation. The following article, by Rejane Maria Lira-da-Silva, Josefa Rosimere Lira-da-Silva, Yukari Figueroa Mise and Tania Kobler Brasil, offers a narrative on the historical construction of the identity of the Ophiology and Poisonous Animals Group at the Federal University of Bahia as a university museum, from its creation in 1987 to 2017. The theoretical and methodological proposals put forward by the Museum for the communication of the subject “poisonous animals” over this 30-year period are presented. The research findings indicate that most of the public have some received knowledge on the subject, use traditional medicine, do not know which animals are of medical importance, and perform first aid incorrectly. This indicates the need for more effective actions to be taken to change this scenario, for which museums have an important role. After this, Carmen Gómez Redondo, Sofía Marín-Cepeda and Alice Semedo present their reflections on the conception and validation of an evaluation kit as part of a project undertaken by the University of Oporto, the University of Valladolid and Oporto City Hall. The research goal was to evaluate the education programmes offered by the Municipal Museum of Oporto. The research in progress stresses the need to strengthen the education areas of museums, which the authors regard as one of their primary pillars. The eighth text, written by Raíssa de Keller and Costa and Leandro Benedini Brusadin, discusses the binomial "accessibility x cultural heritage", focusing on a listed building in the city of Ouro Preto (MG). This is the City Hall, where the authors make an assessment of accessibility conditions in loco and verified that several adaptations for new uses were made throughout the history of this building's operation. However, none of them met the requirements of current accessibility legislation as a means of ensuring the social use of the public with reduced mobility. From this, the authors make a discussion about preservation policy and accessibility legislation, emphasizing that the preservation of historical monuments aims at their insertion in society. The last article, by Ana Luísa Andrade Moreira and Margarita Nilda Barretto Angeli, discusses traditional practices identified by the authors in Laguna, a town in the Brazilian state of Santa Catarina. Laguna is intimately linked to the waters around it, especially Santo Antônio dos Anjos lagoon. Originally, boats were an important part of life there, and it was interactions between the local indigenous peoples and immigrants from the Azores that shaped the design of the vessels characteristic of the region. Many of these boats are now extinct or are in severe decline. Enhancing the value of traditional boats and water transport practices is key to preserving this wealth of cultural heritage, which is so little known and divulged.

The first text in the Experience Reports section is by Cybelle Miranda, Ronaldo Nonato Ferreira Marques de Carvalho and Vithória Carvalho da Silva. It reports on the preparation of an exhibition, “How to be Modern and Restore what is Old: Understanding Landi Palace”, from the negotiations for the exhibition space, inside the chapel in the Governors’ Palace in Belém, northern Brazil, to the fundraising, the selection of a team, and the trade-off between what was initially envisaged and what was actually possible under the circumstances. Next, Milena Behling Oliveira and Diego Lemos Ribeiro present the identification of heritage they regard as affective in the town of Morro Redondo, Rio Grande do Sul, according to the perspective of elderly residents. Alongside the town’s landmarks, what also stands out is its memory, which has a fundamental role in mediating social relations. The final report is by Anna Gabriela Pereira Faria and Gabriela Lúcio de Sousa, who investigate pieces of clothing (kimonos) owned by the wife of Rui Barbosa, Maria Augusta Rui Barbosa, a figure who has received little attention by scholars. The results presented here concern her influence on fashion in early twentieth century Brazil, based on two articles of clothing from her wardrobe. These museological objects were fundamental sources for this study, which drew on the precepts of material culture. We wish you a pleasant and academically rewarding read.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Scientific editors

PRESENTACIÓN


Con este nuevo número de Museologia e Patrimônio(M&P) se inicia el décimo segundo año de publicaciones ininterrumpidas de la revista, lo cual es un motivo de satisfacción para todo el equipo de la revista y de aquellos interesados en el campo de la Museología y de los estudios sobre el patrimonio. Sin embargo, no podemos dejar de registrar – aunque seis meses después de ocurrido – el terrible incendio que consumió gran parte de la materialidad del Museo Nacional, en Río de Janeiro. Todos los participantes y colaboradores del Programa de Postgrado en Museología y Patrimonio, en especial los alumnos, docentes y personal administrativo, que viven en la ciudad, pasaron por momentos de gran tristeza y fuerte indignación, que se sumó al movimiento intenso percibido en el área de Museología y en la población brasileña en general. Durante los primeros días, después del incendio, hubo una gran conmoción nacional e internacional, así como una inmensa repercusión en los medios impresos y digitales. Muchas promesas fueron hechas. Pero, a medida que transcurre el tiempo, poco se sabe sobre lo que realmente se está realizando, qué tipos de apoyo formal y, específicamente, financiero, el Museo Nacional está realmente recibiendo para su reconstrucción. Los desastres llaman más la atención de los medios de comunicación que todo el trabajo realizado, posteriormente, para atenuar sus impactos negativos. Cabe subrayar el trabajo incesante e impecable del equipo del museo y de los innumerables profesionales de campo, todos apasionados por esta Institución seminal en el país y que, desde el inicio, se solidarizaron y están trabajando arduamente para que el Museo Nacional continúe siendo una referencia y permanezca como museo universitario, en el ámbito de la Universidad Federal de Río de Janeiro. Este número presenta textos diversificados en las secciones de Artículos y Relatos de Experiencias.

En la sección Artículos , Luisa Maria Rocha realiza una discusión importante sobre algunas de las transformaciones ocurridas en los museos, en la contemporaneidad, con nuevas funciones y nuevos retos para el campo de la Museología. La autora aborda, en especial, los procesos de documentación, investigación y comunicación. Los resultados presentados muestran que en estas tres fases ocurren procesos de continuidad y transformación. Al crearse posibles puentes y caminos, se entiende que los museos, originarios o no de la sociedad de comunicación, han establecido “sintonías” con los cambios de nuestra época propiciando un abordaje “diacrónico,intercultural y multicomunicacional”. Para la autora, el museo pasó, poco a poco, de la singularidad a la pluralidad y se inscribió en un presente en movimiento, tanto en el tratamiento de los objetos y en la forma de abordarlos, como en los medios y recursos tecnológicos, de lo presencial a lo digital. Se destacan las acciones comunicacionales enriquecidas por las curadurías participativas, colaborativas y compartidas. El segundo texto fue retirado por la editorial de la revista. Ana Ramos Rodrigues y Paola Carmen Valenzuela Cánepa analizan en su texto el modelo de gestión del Museo de Arte de Río (MAR), museo público administrado por la Organización Social Instituto Odeon, con sede en Río de Janeiro. Para las autoras, el modelo de gestión estudiado permite una mayor autonomía en la búsqueda de diferentes recaudaciones de fondos y patrocinadores para su sostenibilidad y se destaca por la mayor autonomía de gestión. En términos prácticos, esta autonomía representa “flexibilidad” y foco en resultados, que debe traducirse en prestación de servicios de calidad para la sociedad. Así, el MAR está en consonancia con su modelo de gestión público-privado que invierte en la calidad de su marca. El tercer artículo de este volumen es de autoría de Miliana Fernandes, Ozias de Jesus Soares y Carla Gruzman que también abordan aspectos de la gestión en los museos, más específicamente en el ámbito de las exposiciones. La investigación parte de las realidades de dos museos de ciencias en la ciudad de Río de Janeiro: el Museo de Astronomía y Ciencias Afines y el Museo Nacional, presentando las trayectorias relativas a los procesos de concepción y gestión de sus exposiciones temporales, a partir de la perspectiva de los sujetos entrevistados. A partir de los análisis realizados, las autoras identificaron características relevantes que integran el desarrollo de exposiciones temporales, avances en la propuesta de trabajos integrados, como también tensiones en el ámbito de cada institución. El quinto texto, de autoría de Hugo Menezes Neto y Sue Costa, parte de la discusión sobre la crisis ambiental realizada en la exposición de larga duración del Museu do Amanhã (Museo del Mañana) de Río de Janeiro. La propuesta científica de una nueva era geológica, el Antropoceno, fundamenta los contenidos que presenta. Según los autores, el objetivo implícito de la exposición sería la defensa del desarrollo sostenible y del consumo consciente. A partir de la observación y el análisis de la exposición, los autores identificaron límites en la narrativa expográfica, en lo que se refiere a la dimensión antropológica y política constitutiva del Antropoceno y de la crisis ambiental. Resaltan la adhesión de los museos a la agenda liberal capitalista que, al mismo tiempo, fomenta iniciativas en el ámbito de los museos y controla la crítica social y los procesos emancipatorios. En seguida, Rejane Maria Lira-da-Silva, Josefa Rosimere Lira-da-Silva, Yukari Figueroa Mise y Tania Kobler Brasil elaboraron un relato sobre la construcción histórica de la identidad del Núcleo de Ofiología y Animales Ponzoñosos de Bahía (NOAP/UFBA) como un museo de la Universidad Federal de Bahía, desde su creación en 1987 hasta 2017. Se presentan las propuestas teórico-metodológicas de la divulgación del tema “animales ponzoñosos” desarrolladas en 30 años por el Museo NOAP/UFBA. Los resultados de la investigación muestran, según las autoras, que la mayoría del público tiene un conocimiento del sentido común, usa la medicina tradicional, no sabe reconocer los animales de importancia médica y realiza equivocadamente los primeros auxilios. Por lo tanto, existe la necesidad de implementar acciones más eficaces que puedan cambiar este panorama y los museos tienen un papel importante en ello. El artículo siguiente, de autoría de Carmen Gómez Redondo, Sofía Marín-Cepeda y Alice Semedo, presenta una reflexión sobre la concepción y validación de un kit de evaluación, en el ámbito de un proyecto realizado entre la Universidad de Oporto, la Universidad de Valladolid y la Cámara Municipal de Oporto. El objetivo de la investigación es evaluar los programas educativos del Museo Municipal de Oporto. La investigación en marcha refuerza la necesidad de fortalecer las áreas educativas en los museos que, para las autoras, deben considerarse uno de los principales ejes de sustentación de los museos. El octavo texto, de autoría de Raíssa de Keller y Costa y Leandro Benedini Brusadin, discute el binomio "accesibilidad x patrimonio cultural", teniendo como foco una edificación tumbada de la ciudad de Ouro Preto (MG). Se trata del Ayuntamiento, donde los autores hacen una evaluación de las condiciones de accesibilidad in loco y verificaron que diversas adaptaciones para nuevos usos se realizaron a lo largo de la historia de funcionamiento de esa edificación. Sin embargo, ninguna de ellas atendió a las exigencias de la legislación vigente sobre accesibilidad como forma de garantizar el uso social del público con movilidad reducida. A partir de eso, los autores hacen una discusión sobre política de preservación y legislación de accesibilidad, resaltando que la preservación de monumentos históricos tiene por finalidad su inserción en la sociedad. El último artículo de la sección, de autoría de Ana Luísa Andrade Moreira y Margarita Nilda Barretto Angeli, discute las prácticas tradicionales identificadas por las autoras en la ciudad de Laguna, ubicada en el estado de Santa Catarina. Laguna posee una relación importante con las aguas que la rodean, principalmente con la Laguna Santo Antônio dos Anjos. Las embarcaciones eran los actores principales de este escenario y la interacción entre los pueblos que allí habitaban junto con los inmigrantes azorianos dieron vida a tipologías de embarcaciones características de esta región. Muchas de estas embarcaciones ya no existen o están en proceso de desaparecimiento y la valoración de los barcos, así como las manifestaciones tradicionales referentes al universo marítimo son acciones centrales para preservar este rico patrimonio cultural, hasta el momento poco conocido y divulgado.

En la sección Relatos de Experiencia , el primer texto es de autoría de Cybelle Miranda, Ronaldo Nonato Ferreira Marques de Carvalho y Vithória Carvalho da Silva, y hace un relato sobre el montaje de la exposición "Cómo ser Moderno y Restaurar lo Antiguo: entendiendo el palacio de Landi", desde la negociación para usar el espacio de la capilla del Palacio de los Gobernadores (Belém, Pará), pasando por la captación de recursos, definición del equipo de trabajo y compatibilización entre los deseos iniciales y las posibilidades reales de ejecución. En seguida, Milena Behling Oliveira y Diego Lemos Ribeiro presentan la identificación de patrimonios, considerados por los autores afectivos, de la ciudad de Morro Redondo, Rio Grande do Sul, en la visión de los ancianos locales. Lo que se destaca en estos lugares, más allá de la dimensión física, es el espectro memorial, que desempeña un papel determinante por tener un fuerte potencial mediador de las relaciones sociales. Finalmente, y último texto de la revista, de autoría de Anna Gabriela Pereira Faria y Gabriela Lúcio de Sousa, aborda un conjunto de vestimentas (kimonos) de Maria Augusta Rui Barbosa. Son pocos los estudios sobre la esposa del escritor Rui Barbosa y aquí se presentan resultados de las influencias del campo de la moda en la sociedad de principios del siglo XX, a partir de dos piezas de su vestuario. Estos objetos museológicos han sido fuentes fundamentales, a partir de los preceptos de la cultura material, para el desarrollo de este estudio.

Deseamos a todos una lectura placentera y académicamente provechosa.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Editores científicos