Museologia e Patrimônio




APRESENTAÇÃO


É com grande satisfação que apresentamos o segundo número de Museologia e Patrimônio de 2016, em especial por ser o número que comemora os 10 anos do curso de mestrado e os 05 anos do curso de doutorado em Museologia e Patrimônio do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio (UNIRIO/MAST).

Este novo número traz interessantes contribuições, contando com textos nas seções de Artigos, Relatos de Experiências e Resumos de teses e dissertações, perfazendo um conjunto interessante e diversificado de temas.

Na seção Artigos , Willi de Barros Gonçalves abre a revista discutindo interfaces e conflitos potenciais entre o conforto ambiental humano e a conservação preventiva do acervo, em edifícios que abrigam coleções. Além de comparar diretrizes de gerenciamento ambiental (limites de temperatura e umidade relativa) para conservação preventiva de coleções contendo artefatos de madeira com a zona de conforto ambiental humano proposta por Givoni, apresenta, como estudo de caso, resultados de monitoramento ambiental realizado na Capela da Ceia do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas - MG, no período de 2011 a 2012. No texto seguinte, Daniele Baltz da Fonseca e Margarete Freitas Gonçalves analisam as principais características dos revestimentos de argamassas a base de cal, utilizados nos casarões históricos da cidade de Pelotas (RS), entre o final do século XIX e o início do século XX. As autoras sistematizam dados, com rigor metodológico, ainda pouco tabulados na arquitetura brasileira da virada do século. Os resultados da pesquisa constituem contribuições para o aprofundamento do conhecimento sobre a arquitetura brasileira no período, especialmente sobre os modos de construir, que são relativamente raros na bibliografia brasileira da área. Em seguida, Erico Teixeira de Loyola e Alessander Mario Kerber pretendem discutir algumas iniciativas para a preservação das Missões Jesuítico-Guaranis, no âmbito do Mercosul, contrapondo-as às narrativas sobre a preservação do conjunto cultural missioneiro, desenvolvidas pelos órgãos oficiais de preservação do patrimônio cultural no Brasil, na Argentina e no Paraguai, nas décadas de 1930 e de 1940. Para os autores, as reduções de São Miguel das Missões, no Brasil, San Ignácio Mini, na Argentina, ou La Santísima Trinidad de Paraná e de Jesús de Tavarangue, no Paraguai, são parte de um processo amplo em que, tê-las como representativas de um idílico isolamento nacionalista implica negar-lhes justamente o seu potencial caráter plural e interrelacional, características essas que, quando ativadas pelas instâncias institucionais do Mercosul, podem permitir a constituição de “comunidades imaginadas” para além das fronteiras nacionais, sem que tal resulte em homogeneização. Helena Cunha Uzeda apresenta, a seguir, reflexões em torno dos museus de cidade, confrontando literatura atualizada sobre o tema com o momento atual, no contexto da cidade do Rio de Janeiro. Para a autora, a percepção simbólica da cidade encontra equivalência, em grande medida, com a percepção da noção de “musealidade”, entendida como uma relação estabelecida entre o homem, o tempo, o espaço e a memória. Nesse contexto, o Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, na Gávea, fechado há alguns anos, guarda acervo significativo sobre a cidade, e, quando for reinaugurado, deverá reassumir o papel fundamental de interpretação das memórias e do imaginário da cidade, função que foi deslocada para dois novos museus municipais - Museu de Arte do Rio/MAR e Museu do Amanhã -, inaugurados a tempo das comemorações dos 450 anos da cidade. No texto seguinte, Ivan Fortunato pesquisa o Pateo do Collegio como testemunho da urbanização da cidade de São Paulo. No artigo, o autor busca elementos para inserir o Pateo do Collegio nas transformações ocorridas na cidade de São Paulo, em cujas alterações na paisagem, entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX, caracterizam três diferentes cidades em cem anos. O Pateo do Collegio é apresentado como patrimônio que testemunha, guarda e representa essas três cidades. Ana Luiza Rocha do Valle e Marília Xavier Cury refletem sobre o Museu Casa Guilherme de Almeida (SP), indicando que a instituição dá especial destaque para a participação de seu homenageado no movimento modernista brasileiro e, dentro disso, na Semana de Arte Moderna de 1922. As autoras realizam uma aproximação entre os museus casas de personalidades e o conceito de museu de nação, identificando questões que poderiam ser trabalhadas pelo museu de forma a melhor explorar a relação de Guilherme de Almeida com o Modernismo e os conflitos do próprio movimento. Em seguida, Elisa Maria Vasconcelos Freitas, Alice Lucas Semedo e Elisa de Noronha Nascimento refletem sobre a musealização do design, explorando e problematizando questões de representação poéticas e políticas que decorrem da sua especificidade. O desenvolvimento da investigação faz-se à luz do paradigma museológico contemporâneo, considerando e confrontando diferente produção teórica sobre os museus de design e os seus percursos históricos, discursos, representações e diferentes âmbitos de emergência. Daniele Borges Bezerra, Priscila Chagas Oliveira e Juliane Conceição Primon Serres discutem a preservação da memória na rede, enquanto interface cultural para a comunicação, que, segundo as autoras, também pode ser utilizada como meio e lugar de memória. Procurando relativizar concepções tradicionais no campo da memória e do patrimônio, para que “lugar” e “não lugar” deixem de ser compreendidos como antíteses, apresentam o Museu das Coisas Banais, cibermuseu vinculado à Universidade Federal de Pelotas, onde a seleção do que é introduzido no museu e seu grau de relevância são determinados pelo público de visitantes. Fechando essa seção, Tomás José Velasco realiza reflexão, teórica e prática sobre o Museo del Comercio y de la Industria e suas relações com a cidade de Salamanca (ES). Desenvolve uma narrativa sobre a história desse Museu, desde as suas origens, abordando a historia da sede do Museu, a formação da coleção museológica, as principais exposições temporárias organizadas e o tipo de visitante do Museu.

Na seção Relatos de Experiências, apresentamos o texto de Ana Temudo, onde a autora analisa a constituição das coleções de arte dos museus nacionais portugueses no século XIX e as mudanças que abriram as portas destas instituições à contemporaneidade. Nesse contexto, destaca os casos do Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa (entre 1945 e 1959), e o Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto (entre 1950 e 1960). Em seguida, Marjorie Martins Mauricio apresenta o início dos tombamentos federais na cidade de Petrópolis, situada na região serrana do Rio de Janeiro, e, a partir daí, analisa como esse patrimônio sobrevive na atualidade, se sofreu modificações e quais novos usos lhes foram dados. Fechando essa seção, Lilian Rodrigues de Oliveira Rosa e João Luiz Passador apresentam o estudo da implantação do Balance Scorecard (BSC) e do mapa estratégico, de Kaplan e Norton (2004), no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan, descrevendo e analisando a coerência dos objetivos estratégicos em relação às perspectivas prioritárias dessa Instituição.

Na seção Resumos, disponibilizamos resumos e abstracts de dissertações de mestrado e teses de doutorado defendidas no Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio em 2015 e 2016: dissertações - Danielle Cerri do Nascimento, Julio Cezar Dantas Neto, Thaís Fernanda Bette, Zenilda Ferreira Brasil e Eduardo Francisco Pimentel; teses - Hugo Xavier Guarilha e Anaildo Bernardo Baraçal; além da dissertação de mestrado de Átila Bezerra Tolentino, defendida em 2016, no Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Sociologia, da Universidade Federal da Paraíba (PB).

Desejamos a todos uma leitura prazerosa e academicamente proveitosa.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Editores científicos

FOREWORD


It is with great pleasure that we introduce the second issue of Museologia e Patrimônio in 2016, especially because it celebrates the 10th anniversary of the master’s course and 5th anniversary of the doctoral course in museology and heritage at the Postgraduate Programme in Museology and Heritage (UNIRIO/MAST).

This new issue contains some interesting contributions to the Articles, Experience Reports, and Abstracts sections, covering a broad and varied range of topics.

The first offering in the Articles section is Willi de Barros Gonçalves’s discussion of potential conflicts and interfaces between the preventive conservation of collections and human comfort in the buildings where they are kept. The author begins by comparing the environmental management guidelines (temperature and relative humidity limits) for the preventive conservation of collections containing wooden artefacts with the human comfort zone proposed by Givoni, then goes on to present the results of a case study that involved the environmental monitoring of Ceia Chapel at Bom Jesus de Matosinhos sanctuary in Congonhas, Minas Gerais, Brazil, between 2011 and 2012. In the following article, Daniele Baltz da Fonseca and Margarete Freitas Gonçalves analyse the main lime mortar features used on stately homes built between the late 19th and early 20th century in Pelotas, Rio Grande do Sul. The authors collate the as yet little formalized data on Brazilian architecture at the turn of the century with methodological rigour. The research findings contribute to building more in-depth knowledge about Brazilian architecture from the period, especially the building techniques, which is relatively underinvestigated in the specialized Brazilian literature. In the next article, Erico Teixeira de Loyola and Alessander Mario Kerber discuss some initiatives for the preservation of Jesuit-Guarani missions in the ambit of Mercosur, offsetting them against the narratives about the preservation of the cultural heritage of such missions produced by the Brazilian, Argentinean and Paraguayan heritage protection agencies in the 1930s and 40s. The authors see the missions of São Miguel das Missões in Brazil, San Ignácio Mini in Argentina, and La Santísima Trinidad de Paraná and Jesús de Tavarangue in Paraguay, as part of a broader process whereby their appropriation as isolated idylls of specific nations effectively denies them their pluralistic, inter-relational nature, which, if galvanized by institutional bodies within Mercosur, could enable the constitution of “imagined communities” that spanned national frontiers, without this resulting in their homogenization. In the next article, Helena Cunha Uzeda presents some reflections about city museums, comparing the latest literature on the subject with the situation at the present time in Rio de Janeiro. She argues that the symbolic perception of the city is largely compatible with the notion of “museality”, understood as a relationship between man, time, space and memory. Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, in the city’s Gávea district, shut for some years now, has an important collection on the city and, when it is reopened, should take back the key role of interpreting the memories and collective imagination of the city, a function that has shifted to two new municipal museums, Museu de Arte do Rio (MAR) and Museu do Amanhã, inaugurated to mark the city’s 450th anniversary. In the next text, Ivan Fortunato researches Pateo do Collegio as a testament to the urban development of São Paulo. He identifies elements that link Pateo do Collegio with changes in the city itself, whose landscape altered so much between the late 19th and mid-20th century as to characterize three different cities in a hundred years. Pateo do Collegio is presented as heritage that bears witness to, safeguards and represents these three cities. Ana Luiza Rocha do Valle and Marília Xavier Cury reflect on Museu Casa Guilherme de Almeida (São Paulo), indicating how it particularly highlights Guilherme de Almeida’s participation in the Brazilian modernist movement in general and the Modern Art Week of 1922 in particular. The authors draw parallels between the house museums of personalities and the concept of national museum, identifying questions that could be explored by this museum to better develop the relationship between Guilherme de Almeida and modernism and the conflicts within the modernist movement. Next, Elisa Maria Vasconcelos Freitas, Alice Lucas Semedo and Elisa de Noronha Nascimento reflect on the musealization of design, exploring and problematizing questions concerning poetic and political representation that arise from its specific features. The investigation is pursued in the light of the contemporary museological paradigm, considering and contrasting different theoretical perspectives on design museums and their historical trajectories, discourses, representations and contexts. Daniele Borges Bezerra, Priscila Chagas Oliveira and Juliane Conceição Primon Serres discuss the preservation of memory on the internet as a cultural interface for communication, which, according to the authors, can also be used as a means and place of memory. Seeking to relativize traditional conceptions in the field of memory and heritage so that “place” and “non-place” cease to be understood as antitheses, they present Museu das Coisas Banais (literally, “Museum of Everyday Things”), a cyber museum linked to the Federal University of Pelotas, where the selection of what enters the museum and its degree of importance is determined by visitor figures. Wrapping up this section, Tomás José Velasco offers a theoretical and practical reflection about Museo del Comercio y de la Industria and its relationship with the city of Salamanca, Spain. He develops a narrative about the history of this museum since its origins, addressing the history of its main building and the formation of its museological collection, the main temporary exhibitions held there and the types of visitors it attracts.

In the Experience Reports section, we present a text in which Ana Temudo analyses the constitution of national art museum collections in 19th century Portugal and the changes that led these institutions to open their doors in contemporary times. In this context, she highlights the cases of Museu Nacional de Arte Contemporânea in Lisbon (1945 to 1959) and Museu Nacional Soares dos Reis in Porto (1950 to 1960). Next, Marjorie Martins Mauricio presents the first listing of heritage sites in Petrópolis, in the mountains near Rio de Janeiro, by the Brazilian heritage protection agency, and analyses how this heritage has survived to the present day and whether it has been altered or acquired new uses. The last report in this section is by Lilian Rodrigues de Oliveira Rosa and João Luiz Passador, who present a study of the adoption of the techniques of Balanced Scorecard and Strategy Mapping, developed by Kaplan and Norton (2004), by the Brazilian heritage protection agency, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), describing and analysing the coherence of the strategic goals against its institutional priorities.

The Abstracts section contains the abstracts for master’s dissertations and doctoral theses from the Postgraduate Programme in Museology and Heritage in 2015 and 2016. The dissertations are by Danielle Cerri do Nascimento, Julio Cezar Dantas Neto, Thaís Fernanda Bette, Zenilda Ferreira Brasil and Eduardo Francisco Pimentel, and the theses are by Hugo Xavier Guarilha and Anaildo Bernardo Baraçal. There is also the abstract of the master’s dissertation by Átila Bezerra Tolentino presented in 2016 as part of the Postgraduate Programme in Sociology at the Federal University of Paraíba.

We wish you a pleasant and academically rewarding read.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Scientific editors

PRESENTACIÓN


Es con enorme satisfacción que presentamos el segundo número de la revista Museologia e Patrimônio, de 2016, en especial porque con este número se conmemora los 10 años del curso de maestría y los cinco años del curso de doctorado en Museología y Patrimonio del Programa de Posgrado en Museología y Patrimonio (UNIRIO/MAST).

Este nuevo número trae interesantes aportes y textos en las secciones de Artículos, Relatos de Experiencias y Resúmenes de tesis y disertaciones que conforman un conjunto interesante y diversificado de temas.

En la sección Artículos, Willi de Barros Gonçalves abre la revista discutiendo las interfaces y los conflictos potenciales entre el confort ambiental humano y la conservación preventiva del acervo, en edificios que acogen colecciones. Asimismo, hace una comparación de las directrices de gestión ambiental (límites de temperatura y humedad relativa) para la conservación preventiva de colecciones que incluyen objetos de madera con la zona de confort ambiental humano propuesta por Givoni, Gonçalves presenta como estudio de caso los resultados del monitoreo ambiental realizado en la Capilla de la Cena en el Santuario del Bom Jesus de Matosinhos, en la ciudad de Congonhas, Minas Gerais, en el período del 2011 al 2012. En el texto siguiente, Daniele Baltz da Fonseca y Margarete Freitas Gonçalves analizan las principales características de los revestimientos de argamasas a base de cal utilizados en los caserones históricos de la ciudad de Pelotas, estado de Rio Grande do Sul, entre fines del siglo XIX y principios del siglo XX. Las autoras sistematizan datos, con rigor metodológico, aún poco tabulados en la arquitectura brasileña en la entrada del siglo XX. Los resultados del estudio constituyen aportes para la profundización del conocimiento sobre la arquitectura brasileña en el período, especialmente sobre los modos de construir, que son relativamente raros en la bibliografía brasileña del área. En seguida, Erico Teixeira de Loyola y Alessander Mario Kerber discuten algunas iniciativas para la preservación de las Misiones Jesuítico-Guaranís, en el ámbito del Mercosur, comparándolas con descripciones sobre la preservación del conjunto cultural misionero, desarrolladas por los órganos oficiales de preservación del patrimonio cultural en Brasil, en Argentina y en Paraguay, en las décadas de 1930 y de 1940. Para los autores, las reducciones de São Miguel das Missões, en Brasil, San Ignacio Mini, en Argentina, o La Santísima Trinidad de Paraná y de Jesús de Tavarangüé, en Paraguay, forman parte de un amplio proceso en que, tenerlas como representativas de un idílico aislamiento nacionalista, implica negarles justamente su posible carácter plural e interrelacional, dos características que, cuando activadas por las instancias institucionales del Mercosur, pueden permitir la constitución de “comunidades imaginadas” más allá de las fronteras nacionales, sin que esto resulte en una homogeneización. Helena Cunha Uzeda presenta, a seguir, reflexiones que giran alrededor de los museos de la ciudad, confrontando la literatura actualizada sobre el tema con el momento actual, en el contexto de la ciudad de Río de Janeiro. Para la autora, la percepción simbólica de la ciudad encuentra equivalencia, en gran medida, con la percepción de la noción de “musealidad”, entendida como una relación establecida entre el hombre, el tiempo, el espacio y la memoria. En este contexto, el Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, en el barrio de Gávea, cerrado hace algunos años, guarda un acervo significativo sobre la ciudad que, cuando sea reinaugurado, deberá reasumir el papel fundamental de interpretar las memorias y el imaginario de la ciudad, función transferida a dos nuevos museos municipales – el Museu de Arte do Rio (MAR) y el Museu do Amanhã –, inaugurados por ocasión de las conmemoraciones de los 450 años de la ciudad. En el texto siguiente, Ivan Fortunato investiga el Pateo do Collegio como testigo de la urbanización de la ciudad de São Paulo. En el artículo, el autor busca elementos para insertar el Pateo do Collegio en las transformaciones ocurridas en la ciudad de São Paulo, cuyas alteraciones del paisaje, entre fines del siglo XIX y la primera mitad del siglo XX, caracterizan tres diferentes ciudades en cien años. El Pateo do Collegio es presentado como un patrimonio que testifica, guarda y representa estas tres ciudades. Ana Luiza Rocha do Valle y Marília Xavier Cury reflexionan sobre el Museu Casa Guilherme de Almeida, en São Paulo, indicando que la institución da un especial destaque a la participación de su homenajeado en el movimiento modernista brasileño y, dentro de este, en la Semana de Arte Moderna de 1922. Las autoras realizan una aproximación entre los museos casas de personalidades y el concepto de museo de la nación, identificando cuestiones que podrían ser trabajadas por el museo para explorar mejor la relación de Guilherme de Almeida con el Modernismo y los conflictos del propio movimiento. En seguida, Elisa Maria Vasconcelos Freitas, Alice Lucas Semedo y Elisa de Noronha Nascimento reflexionan sobre la musealización del diseño, examinando y problematizando las cuestiones de representación poéticas y políticas que resultan de su especificidad. La investigación se desarrolla a la luz del paradigma museológico contemporáneo, considerando y confrontando diferentes teorías producidas sobre los museos del diseño y sus trayectos históricos, discursos, representaciones y diferentes ámbitos de emergencia. Daniele Borges Bezerra, Priscila Chagas Oliveira y Juliane Conceição Primon Serres discuten la preservación de la memoria en la red, en cuanto interfaz cultural para la comunicación que, según las autoras, también puede utilizarse como medio y lugar de memoria. Buscando relativizar las concepciones tradicionales en el campo de la memoria y del patrimonio, para que “lugar” y “en el lugar” dejen de ser comprendidos como antítesis, presentan el Museu das Coisas Banais, un cibermuseo vinculado a la Universidad Federal de Pelotas, donde lo que se selecciona para entrar al museo y su grado de relevancia son determinados por el público visitante. Cerrando esta sección, Tomás José Velasco realiza una reflexión teórica y práctica sobre el Museo del Comercio y la Industria, y sus relaciones con la ciudad de Salamanca, España. Velasco desarrolla una narrativa sobre la historia de este museo, desde sus orígenes, abordando la historia de la sede del museo, la formación de la colección museológica, las principales exposiciones temporales organizadas y el tipo de visitante del museo.

En la sección Relatos de Experiencia, se presenta el texto de Ana Temudo, en el cual la autora analiza la constitución de las colecciones de arte de los museos nacionales portugueses en el siglo XIX y los cambios que abrieron las puertas de estas instituciones a la contemporaneidad. En este contexto, destaca los casos del Museu Nacional de Arte Contemporânea, en Lisboa (entre 1945 y 1959), y el Museu Nacional Soares dos Reis, en Oporto (entre 1950 y 1960). En seguida, Marjorie Martins Mauricio presenta el inicio de la conservación del patrimonio arquitectónico a nivel federal en la ciudad de Petrópolis, situada en la región serrana de Río de Janeiro y, a partir de ahí, analiza cómo este patrimonio sobrevive en la actualidad, si ha sufrido modificaciones y qué nuevos usos le han sido dados. Cerrando esta sección, Lilian Rodrigues de Oliveira Rosa y João Luiz Passador presentan el estudio de la implantación del Balanced Scorecard (BSC) y del mapa estratégico, de Kaplan y Norton (2004), en el Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan, describiendo y analizando la coherencia de los objetivos estratégicos con relación a las perspectivas prioritarias de esta institución.

En la sección Resúmenes, se ponen a disposición los resúmenes y abstracts de disertaciones de maestría y tesis de doctorado defendidas en el Programa de Posgrado en Museología y Patrimonio en 2015 y 2016. Son disertaciones de Danielle Cerri do Nascimento, Julio Cezar Dantas Neto, Thaís Fernanda Bette, Zenilda Ferreira Brasil y Eduardo Francisco Pimentel; tesis de Hugo Xavier Guarilha y Anaildo Bernardo Baraçal; además de la disertación de maestría de Átila Bezerra Tolentino, defendida en 2016, en la Maestría del Programa de Posgrado en Sociología, de la Universidad Federal de Paraíba, Paraíba.

Deseamos a todos una lectura placentera y académicamente provechosa.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Editores científicos