Museologia e Patrimônio




A Revista Museologia e Patrimônio é um periódico eletrônico semestral vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio (UNIRIO/MAST). Dedica - se à divulgação e disseminação da produção científica com ênfase à Museologia e aos estudos do Patrimônio, em sua diversidade de abordagem e campos disciplinares.

O periódico começou a circular no ano de 2008 e desde sua criação tem se preocupado com a normalização e qualificação da produção científica publicada e manutenção da sua periodicidade.

A publicação é editada pelo Programa de Pós Graduação em Museologia e Patrimônio (UNIRIO/MAST) e aceita contribuições de artigos científicos, resenhas, relatos e revisões, além de republicar textos e documentos clássicos ou raros na área de atuação da revista.

A Revista Museologia e Patrimônio está disponível gratuitamente e utiliza o software livre SEER/OJS – Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas. Atualmente está indexada nas seguintes bases: Latindex, Incluída no Ulrich's Periodicals Directory , EBSCO Publishing Inc. e no Directory of Open Access Journals – DOAJ, assegurando sua ampla visibilidade pela comunidade acadêmica.

ISSN: 1984-3917

Índice de citação de artigos: Google Acadêmico






APRESENTAÇÃO/ Vol. 14, No 1 (2021)

Passados sete meses da publicação do número anterior de nossa revista e relembrando como vivíamos em agosto de 2020, percebemos que no Brasil estamos em situação cada vez mais grave, seja de saúde, econômica ou social. Infelizmente, as ações de prevenção adequadas não foram tomadas e chegamos ao número inacreditável de 3.000 óbitos por COVID-19 diários no país. Na quase totalidade dos estados, os hospitais e clínicas não têm mais leitos disponíveis. A perspectiva futura é ainda mais dramática, com previsões de chegarmos ao dobro desse valor em abril/maio. Não são números, são pessoas, e suas famílias, desesperadas. Infelizmente, os editores não podem deixar de mencionar realidade tão inacreditável, apesar do escopo da revista estar distante de temas que mesmo tangenciem as pandemias e seus efeitos sociais. Mas é necessário registrar e documentar essa realidade dura e reconhecer o valor daqueles que têm colaborado para suavizar esse panorama, profissionais que trabalham em postos de saúde, clínicas e hospitais, pesquisadores que enfrentam os desafios de criar armas contra a avalanche da doença.

A todos nós cabe respeitar as indicações de prevenção: higiene frequente das mãos, uso de máscaras, distanciamento, nunca participar de situações de aglomeração e, aqueles que podem, devem ficar em casa. Sim, estamos nesta situação há mais de 1 ano, sim, é muito difícil aguentar a pressão, o isolamento, mas é muito pior o que temos vivido, com um crescente de mortes assistido cotidianamente.

Novamente, a editoria exorta aos seus leitores que não se deixem abater, que procurem auxílio entre as pessoas amigas, especialmente para combater a solidão e os desafios emocionais, e que utilizem essa situação para investir no seu aprimoramento, nas relações pessoais e especialmente na solidariedade.

O novo número de Museologia e Patrimônio (M&P) apresenta um Dossiê, organizado pelos professores doutores Luisa Maria de Matos Rocha (UNIRIO) e Luís Henrique Rolim (PUC – RS), com a temática do patrimônio esportivo e museus do esporte, e textos nas seções de Artigos e Relatos de Experiências. O Dossiê conta com 15 artigos de autores nacionais e estrangeiros, constituindo conjunto interessante sobre assunto pouco explorado no campo da Museologia. A proximidade dos Jogos Olímpicos, transferidos de 2020 para julho de 2021, em função da pandemia, foi motivador principal desta iniciativa. Já a seção Artigos , se inicia com texto, de autoria de Maria Helena Padilha Borba Maranhão e Emanuela Sousa Ribeiro, que se propõe a discutir a atribuição de valor contábil aos bens culturais dos museus universitários, através do estudo de caso de uma coleção de balanças de precisão pertencentes ao Memorial da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). O resultado da pesquisa evidenciou que não existe na UFRPE nenhum tratamento contábil para os heritage assets , demonstrando uma limitação na gestão dos museus universitários e sugerindo uma perda na valoração e reconhecimento dos bens do patrimônio universitário. Em seguida, Cinthia da Silva Cunha e Suely Moraes Cerávolo apresentam texto com foco no Estado da Bahia, durante o período da Primeira República, analisando a participação deste ente federativo o nas mostras comemorativas realizadas no Rio de Janeiro, em 1908 (Abertura dos Portos do Brasil), em 1922 (Independência do Brasil) e na cidade de Salvador em 1923, salientando a intitulada Exposição da Verdadeira Emancipação. No contexto do país sob um processo de modernização, a mostra de produtos na exposição regional operava como contrapartida para as crises internas e o paradoxal desenvolvimento visando outro patamar de civilização. Christiane Sofhia Godinho Santos, Sue Anne Regina Ferreira da Costa e Heloisa Maria Moraes dos Santos apresentam artigo abordando a curadoria de microfósseis de vertebrados, Ictiólitos. Com o intuito de criar um sistema de armazenagem e catalogação de microfósseis foram analisadas formas de armazenagem, fixadores e documentação específicas para esta tipologia de coleção. Os resultados demonstraram que as novas técnicas curatoriais desenvolvidas facilitaram a segurança, o acesso e manuseio deste material, auxiliando em pesquisas futuras referentes à morfologia e estudos de comparação desses exemplares em diferentes unidades fossilíferas e mesmo a sua exposição por parte da instituição, facilitando o acesso às suas informações. No artigo seguinte, Celina Figueiredo Lage e Rosimary de Freitas Bakir apresentam a experiência de curadoria no Programa de Residência Artística do Museu de Arte da Pampulha – MAP, apresentando as características das seis primeiras edições do Programa e discutindo as singularidades dessa modalidade aqui intitulada pelas autoras como curadoria de experiência. A implementação deste Programa por um museu público foi aos poucos reconfigurando o perfil de um museu-depositário para um museu-atelier, reafirmando o potencial da experiência na arte contemporânea como um detonador de reflexões mobilizadoras. O quinto artigo, Luisa Massarani e autores, nos apresenta uma reflexão sobre os profissionais que atuam na mediação entre as exposições e atividades desenvolvidas no âmbito dos museus de ciências latino-americanos e os seus públicos. A pesquisa se valeu de levantamentos realizados por meio virtual que alcançou 780 indivíduos em 134 instituições de 13 países da região. O estudo conseguiu apontar avanços relacionados a capacitação, além de apontar temas, problemas, debates que são necessários a formação desses profissionais. O penúltimo, intitulado Floresta Protetora: um espaço de produção de identidades culturais e relações com o meio ambiente, é de autoria de Isabela Backx. O texto apresenta resultados de pesquisa sobre o discurso comunicado pela exposição “Floresta Protetora”, localizada no centro de visitantes Paineiras, do Parque Nacional da Tijuca. Por meio do estudo dos diversos elementos expositivos e da articulação entre tais itens, a autora aponta como se dá a comunicação das referências patrimoniais dentro de uma exposição que aborda a história da relação entre seres humanos e natureza, almejando compreender como a comunicação do patrimônio sensibiliza os visitantes na construção de suas identidades e visões de mundo. O último artigo, de autoria de Soraya Almeida, aborda o Matadouro Imperial de Santa Cruz, inaugurado em 1881, um importante representante da arquitetura industrial relacionada ao processamento de carne no século XIX. O trabalho apresenta uma análise da planta do Matadouro em sua primeira fase de funcionamento e dos fatores que levaram a modificações do projeto original. As rochas utilizadas em sua construção, hoje expostas no Palacete Princesa Isabel e nas paredes de suas ruínas, guardam registros geológicos da antiga jazida, localizada no Morro do Cruzeiro. A pedreira e as características geológicas do terreno foram determinantes na escolha do local de construção. O trabalho também reitera a necessidade de ações que objetivem a recuperação, preservação e destinação das ruínas do Matadouro.

Na seção Relatos de Experiência ,o primeiro texto é de autoria de Maria Tereza Dantas Moura, Alessandra Rosado e Rita Lages Rodrigues. O relato apresenta a pesquisa histórico-documental realizada sobre as obras que compõem a Via-Sacra pintada por Candido Portinari em 1945, para a Igreja da Pampulha. A Via-Sacra pertencente à Arquidiocese de Belo Horizonte foi restaurada pelo Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais (CECOR) da UFMG em 2019. Os resultados do estudo sobre a trajetória das obras ao longo dos anos revelou dados importantes sobre como estes percursos influenciaram na promoção de ações de preservação. Além disso, apontou caminhos buscando esclarecer dúvidas relacionadas às técnicas e aos materiais utilizados pelo artista na Via-Sacra. O segundo texto, de autoria de Admeire da Silva Santos Sundström, apresenta o MUCA - Museu de Cinema de Animação Lula Gonzaga - situado na cidade de Gravatá, Pernambuco. Dedicado ao cinema de animação, o museu possui acervo composto por desenhos, instrumentos utilizados para a produção de animação, fotografias, livros sobre animação, documentos audiovisuais e outros. Relacionada à vida do próprio Lula Gonzaga, a coleção do MUCA dialoga com a necessidade da comunidade. A criação do MUCA caracteriza o surgimento de museus com qualificações comunitárias e evidencia a importância de maiores debates a respeito da crescente vertente para pensar o papel do museu nas comunidades onde se situam.

Desejamos a todos uma leitura prazerosa e academicamente proveitosa.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Editores científicos

FOREWORD/ Vol. 14, No 1 (2021)

Seven months since the publication of our last issue, if we cast our minds back to how we were living in August 2020, we can see that in Brazil we are in an increasingly serious situation both in terms of public health and economically and socially. Sadly, appropriate preventative measures have not been taken and we have reached the shocking number of 3,000 deaths from COVID-19 a day in the country. In almost every state, the hospitals and clinics have no more vacancies. The prospects for the future are even more dramatic, with it being forecast that we will reach double this figure in April and May. These are not numbers, but people and their families, in desperate straits. Unfortunately, we editors cannot fail to mention this dreadful reality, even if the scope of our journal may be distant from topics even remotely concerned with pandemics and their social effects. But we must nonetheless document and bear witness to this grim reality and recognise the value of those who have helped to mitigate the effects of this pandemic: professionals who work in health centres, clinics and hospitals, and researchers who are facing the challenge of mounting our defence against the avalanche of the disease.

Once more, as in the forewords to the last two issues, we continue to urge our readers not to lose hope, to continue doing whatever you can to protect yourself (wearing a mask, social distancing, and self-isolating when possible), and to make this situation an exercise in solidarity, which includes divulging information that is substantiated and illuminating, avoiding potentially fake news.

It is all our responsibility to respect recommendations to prevent the spread of the disease: keeping our hands clean, wearing a face covering, maintaining distancing, avoiding crowds and staying at home as much as possible. Yes, we have been in this situation for more than a year and, yes, it is really hard to cope with the pressure and the isolation, but what we have experienced is far worse, with the ever escalating rise in the number of deaths.

Once again, we the editors urge our readers not to lose hope, to seek out help from those around you, especially to counteract loneliness and emotional difficulties, and to seize this moment to invest in your development, your personal relationships and, above all, solidarity.

This new issue of Museologia e Patrimônio presents a dossier edited by the professors Luisa Maria de Matos Rocha (UNIRIO) and Luís Henrique Rolim (PUC–RS) with the theme of sport heritage and sport museums, as well as our regular Articles and Experience Reports sections. There are fifteen articles in the dossier by scholars from Brazil and abroad, constituting an interesting point of reference on this little-explored subject in the field of museology. The proximity of the Olympic Games – transferred from 2020 to July 2021 because of the pandemic – was the main motivator of this initiative. In the Articles section, we commence with a text by Maria Helena Padilha Borba Maranhão and Emanuela Sousa Ribeiro which discusses the attribution of book value to cultural assets held at university museums, taking as a case study a collection of precision balances belonging to the Memorial of the Federal Rural University of Pernambuco. The research revealed the non-existence at the university of any accounting of its heritage assets, demonstrating a limitation in the management of university museums, and indicating a loss in terms of the recognition and valuing of university heritage. The second article, by Cinthia da Silva Cunha and Suely Moraes Cerávolo, focuses on the state of Bahia during the first republican period (1889–1930), specifically how it took part in the commemorative exhibitions held in Rio de Janeiro in 1908 (to mark the opening of Brazilian ports to trade from countries other than Portugal) and 1922 (to mark the independence of Brazil) and in Salvador in 1923, especially the Exhibition of True Emancipation. At a time when Brazil was undergoing a period of modernisation, the showcasing of products at the regional exhibition operated as a counterpoint to the internal crises and the paradoxical development, which envisaged a different level of civilisation. In the third article, Christiane Sofhia Godinho Santos, Sue Anne Regina Ferreira da Costa and Heloisa Maria Moraes dos Santos discuss the curatorship of vertebrate microfossils, ichthyodectiformes. In order to create a storage and cataloguing system for the microfossils, different storage methods, fixatives and specific documents for this type of collection were investigated. The results show that the new curatorial techniques developed enhanced the safety, access and handling of the microfossils, facilitating future research into the morphology of these microfossils and comparative studies of specimens from different fossil sites, and even their exhibition by the institution, facilitating access to information about them. In the following article, Celina Figueiredo Lage and Rosimary de Freitas Bakir present the experience of curating the Art Residency Program at the state-owned Pampulha Art Museum. They begin by presenting the features of the first six programs and discussing the singularities of this form of curating, which the authors refer to as experience curatorship. The running of this program gradually induced the museum’s profile to morph from a storehouse-museum to a studio-museum, confirming the potential of experience in contemporary art for triggering reflections with the power to galvanize action. The fifth article, by Luisa Massarani and colleagues, offers some thoughts about the professions involved in mediating between exhibitions and other activities at science museums in Latin America and their audiences. The research drew on the results of surveys conducted online, which gathered the responses of 780 individuals from 134 institutions in 13 of the region’s countries. The study managed to identify some progress in terms of capacity building as well as some topics, problems and debates that are necessary for the development of these professionals. The next article, called “Sheltering Forest: a space for the production of cultural identities and relationships with the environment”, by Isabela Backx, presents the results of a study of the discourse employed in the exhibition Sheltering Forest at the Paineiras visitor centre of Tijuca National Park, Rio de Janeiro. Through the study of the different exhibition elements and the ways they were interrelated, the author lays bare how the heritage references are communicated in an exhibition that addresses the history of the relationship between human beings and the natural world, with a view to understanding how the way the heritage is communicated raises visitors’ awareness in the development of their identities and worldviews. In the final article, Soraya Almeida discusses the Imperial Abattoir of Santa Cruz, dating back to 1881: an important exemplar of industrial architecture from the nineteenth-century meat processing industry. The study analyses the original building design of the abattoir for its first phase of operation and the factors that resulted in it being changed. The rocks used to build it – now exhibited in the Palecete Princesa Isabel mansion and in the walls of its ruins – contain geological remains from the former quarry in Morro do Cruzeiro. The quarry and the geological features of the terrain were fundamental in the choice of construction site. The article also reiterates the need for initiatives to be taken to recoup, preserve and find an appropriate destination for the remains of the abattoir.

In the Experience Reports section, the first text is by Maria Tereza Dantas Moura, Alessandra Rosado and Rita Lages Rodrigues. In it, they present historical and documental research of the artworks that compose the Via-Sacra (Stations of the Cross), painted by Candido Portinari in 1945 for Pampulha church. Via-Sacra belongs to the archdiocese of Belo Horizonte and was restored by the Centre for the Conservation and Restoration of Cultural Heritage, Federal University of Minas Gerais, in 2019. The results of the study of the trajectory of the works over the years revealed important data on how this trajectory influenced the promotion of conservation actions. Furthermore, they indicated ways forward in a bid to answer questions related to the techniques and materials used by Portinari in Via-Sacra. The second text, by Admeire da Silva Santos Sundström, presents the Lula Gonzaga Museum of Animated Film, situated in Gravatá, Pernambuco state. The museum contains a collection of drawings, instruments used to produce animations, photographs, books on animation, audiovisual documents, and other artefacts. Related to the life of Lula Gonzaga himself, the museum’s collection speaks to the need for community. Its creation is indicative of the emergence of museums with community ties and underlines the importance of more debate about the increasing perception of the importance of the role of museums in the communities in which they are built.

We wish you a pleasant and academically rewarding read.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Scientific editors

PRESENTACIÓN/ Vol. 14, No 1 (2021)

Siete meses después de la publicación del número anterior de nuestra revista y recordando cómo vivíamos en agosto de 2020, vemos hoy que en Brasil estamos en una situación cada vez más grave, ya sea en términos de salud, económicos o sociales. Lamentablemente, no se tomaron las medidas preventivas adecuadas y hemos llegado a la increíble cifra de 3000 muertes diarias por el COVID-19 en el país. En casi todos los estados, los hospitales y clínicas no tienen más camas disponibles. Las perspectivas futuras son aún más dramáticas, con previsiones de duplicar esa cifra en abril o mayo. No son cifras, son personas, y sus familias están desesperadas. Lamentablemente, los editores no pueden dejar de mencionar una realidad tan increíble, a pesar de que el campo de la revista esté distante de temas que traten incluso de forma superficial las pandemias y sus efectos sociales. Sin embargo, es necesario registrar y documentar esta dura realidad y reconocer el valor de quienes han colaborado para suavizar este panorama: los profesionales que trabajan en postas de salud, clínicas y hospitales; los investigadores que enfrentan los retos de crear armas contra la avalancha de la enfermedad.

Nos toca a todos respetar las indicaciones de prevención: higiene frecuente de las manos, uso de mascarillas, distanciamiento, no participar nunca en situaciones de aglomeración y, los que pueden, deben quedarse en casa. Así es, llevamos más de un año en esta situación. Sí, es muy duro soportar la presión, el aislamiento, pero es mucho peor lo que hemos vivido, con un creciente número de muertes presenciadas diariamente.

Una vez más, la editorial insta a sus lectores a no abrumarse, a buscar ayuda entre gente amiga, especialmente para combatir la soledad y los retos emocionales, y a aprovechar esta situación para invertir en su perfeccionamiento, en las relaciones personales y especialmente en la solidaridad.

El nuevo número de Museologia e Patrimônio presenta un Dossier, organizado por los profesores Luisa Maria de Matos Rocha ―Universidad Federal del Estado de Río de Janeiro (UNIRIO)― y Luís Henrique Rolim ―Pontificia Universidad Católica de Rio Grande do Sul (PUC-RS)―, con la temática del patrimonio deportivo y museos del deporte, y textos en las secciones de Artículos y Relatos de Experiencias. El Dossier cuenta con 15 artículos de autores nacionales y extranjeros, que constituyen un conjunto interesante sobre un tema poco explorado en el campo de la Museología. La proximidad de los Juegos Olímpicos, cancelados en 2020 y trasladados a julio de 2021, debido a la pandemia, fue el principal motivador de esta iniciativa. La sección Artículos comienza con un texto, escrito por Maria Helena Padilha Borba Maranhão y Emanuela Sousa Ribeiro, que propone discutir la atribución del valor contable a los bienes culturales de los museos universitarios, a través del estudio de caso de una colección de balanzas de precisión que pertenecen al Memorial de la Universidad Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). El resultado de la investigación mostró que no existe un tratamiento contable para los heritage assets (bienes patrimoniales) en la UFRPE, lo que demuestra una limitación en la gestión de los museos universitarios y sugiere una pérdida en la valoración y reconocimiento de los bienes patrimoniales universitarios. A continuación, Cinthia da Silva Cunha y Suely Moraes Cerávolo presentan un texto centrado en el Estado de Bahía durante el periodo de la Primera República, analizando la participación de esta entidad federativa en las exposiciones conmemorativas celebradas en Río de Janeiro en 1908 (Apertura de los Puertos de Brasil), en 1922 (Independencia de Brasil) y en la ciudad de Salvador en 1923, destacando la Exposición de la Verdadera Emancipación. En el contexto del país en proceso de modernización, la exhibición de productos en la exposición regional operaba como contrapartida a las crisis internas y al paradójico desarrollo que objetivaba otro nivel de civilización. Christiane Sofhia Godinho Santos, Sue Anne Regina Ferreira da Costa y Heloisa Maria Moraes dos Santos presentan un artículo sobre la curaduría de microfósiles de vertebrados: los ictiolitos. Con el objetivo de crear un sistema de almacenamiento y catalogación de microfósiles, se analizaron formas específicas de almacenamiento, fijadores y documentación para este tipo de colección. Los resultados mostraron que las nuevas técnicas de curaduría desarrolladas facilitaron la seguridad, acceso y manejo de este material, ayudando a futuras investigaciones sobre la morfología y estudios comparativos de estos ejemplares en diferentes unidades fosilíferas e incluso su exposición por parte de la institución, facilitando el acceso a su información. En el siguiente artículo, Celina Figueiredo Lage y Rosimary de Freitas Bakir presentan la experiencia curatorial en el Programa de Residencia Artística del Museo de Arte de Pampulha (MAP), presentando las características de las seis primeras ediciones del Programa y discutiendo las singularidades de esta modalidad titulada aquí por las autoras como curaduría de experiencias. La implementación de un museo público, por parte de este Programa reconfiguró gradualmente el perfil de un museo-depositario a un museo-estudio, reafirmando el potencial de la experiencia en el arte contemporáneo como detonante para movilizar reflexiones. En el quinto artículo, Luisa Massarani y autores presentan una reflexión sobre los profesionales que ejercen la mediación entre las exposiciones y actividades desarrolladas en el ámbito de los museos de ciencia latinoamericanos y sus públicos. La investigación utilizó encuestas realizadas a través de medios virtuales que llegaron a 780 personas en 134 instituciones en 13 países de la región. El estudio arrojó avances relacionados con la capacitación, además de señalar temas, problemas, debates que son necesarios para la formación de estos profesionales. El penúltimo artículo lleva el título de «Floresta Protetora» (Bosque Protector): un espacio de producción de identidades culturales y relaciones con el medio ambiente, y tiene como autora a Isabela Backx. El texto presenta los resultados de investigación sobre el discurso comunicado por la exposición «Floresta Protetora», ubicada en el centro de visitantes Paineiras, en el Parque Nacional da Tijuca. A través del estudio de los distintos elementos expositivos y la articulación entre dichos elementos, la autora señala cómo la comunicación de referencias patrimoniales se da dentro de una exposición que aborda la historia de la relación entre el ser humano y la naturaleza, con el objetivo de comprender cómo la comunicación del patrimonio sensibiliza a los visitantes en la construcción de sus identidades y cosmovisiones. El último artículo, escrito por Soraya Almeida, trata sobre el Matadero Imperial de Santa Cruz, inaugurado en 1881, un importante representante de la arquitectura industrial relacionada con el procesamiento de carnes en el siglo XIX. El trabajo presenta un análisis de la planta del Matadero en su primera fase de operación y de los factores que llevaron a las modificaciones del proyecto original. Las rocas utilizadas en su construcción, expuestas actualmente en el Palacio Princesa Isabel y en los muros de sus ruinas, guardan registros geológicos del antiguo yacimiento, ubicado en el Morro do Cruzeiro. La cantera y las características geológicas del terreno fueron determinantes para elegir el lugar de su construcción. El trabajo también reitera la necesidad de acciones dirigidas a la recuperación, preservación y destino de las ruinas del Matadero.

En la sección Relatos de Experiencia el primer texto tiene como autores a Maria Tereza Dantas Moura, Alessandra Rosado y Rita Lages Rodrigues. El relato presenta la investigación histórico-documental realizada sobre las obras que componen la «Via Sacra» (Viacrucis) pintado por Candido Portinari en 1945, para la Iglesia de Pampulha. La Via Sacra, de propiedad de la Arquidiócesis de Belo Horizonte, fue restaurada por el Centro de Conservación y Restauración de Bienes Culturales (CECOR) de la UFMG en 2019. Los resultados del estudio sobre la trayectoria de las obras a lo largo de los años han revelado datos importantes sobre cómo estas vías influyeron en la promoción de acciones de preservación. Además, señaló formas de aclarar dudas relacionadas con las técnicas y materiales utilizados por el artista en su obra: Via Sacra. El segundo texto, escrito por Admeire da Silva Santos Sundström, presenta el MUCA ―Museo de Cine de Animación Lula Gonzaga― ubicado en la ciudad de Gravatá, Pernambuco. Dedicado al cine de animación, el museo cuenta con una colección compuesta por dibujos, instrumentos utilizados en la producción de animación, fotografías, libros sobre animación, documentos audiovisuales y otros. Relacionada con la vida del propio Lula Gonzaga, la colección MUCA dialoga con las necesidades de la comunidad. La creación del MUCA caracteriza el surgimiento de museos con calificaciones comunitarias y resalta la importancia de más debates sobre la creciente tendencia a pensar en el rol del museo en las comunidades donde se ubican.

Deseamos a todos una lectura placentera y académicamente provechosa.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Editores científicos

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