Museologia e Patrimônio




APRESENTAÇÃO


É com muita satisfação que apresentamos este novo número da Revista Museologia e Patrimônio (M&P - v.11, n.1, 2018). No contexto brasileiro de periódicos acadêmicos, M&P completa dez anos ininterruptos de publicação regular e se consolida como perspectiva importante de divulgação dos resultados de pesquisa em sua área de especialidade. Este número apresenta textos diversificados nas seções de Artigos e Relatos de Experiências, registrando que, a partir de então, a Revista não terá mais a seção Resumos/Abstracts. Essa decisão dos editores, pauta-se em função de que é norma da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES que os Programas de Pós-Graduação disponibilizem as dissertações e teses na íntegra em suas páginas, além da constatação de que o acesso aos resumos publicados tem sido bem menor do que aos textos da Revista, determinando a decisão dos editores em eliminar a seção.

Na seção Artigos , os seis primeiros textos abordam as exposições de formas diferenciadas. Cinthia da Silva Cunha e Suely Moraes Cerávolo abrem a revista discutindo e problematizando a participação da província da Bahia, através das Exposições Provinciais Baianas no período de 1866 a 1888, no alinhamento ao projeto maior de D. Pedro II de construção da imagem civilizada do Brasil. Essas exposições fizeram parte da iniciativa do Imperador de coletar produtos para as exposições nacionais do Rio de Janeiro e, posteriormente, para as Exposições Universais no exterior. Em seguida, Sandra Paschoal L. de Camargo Guedes e Márcia de Oliveira Melo refletem sobre a necessidade de pensar os projetos expográficos considerando as percepções provocadas pelos sentidos humanos, buscando ampliar a sensação de pertencimento do espectador em relação ao patrimônio exposto. As autoras apresentam proposta de roteiro metodológico, que abrange os elementos sensoriais a serem considerados quando do projeto ou avaliação de um espaço expositivo. Helena Uzeda, a seguir, aborda as relações entre o espaço e a comunicação visual, estabelecidas pelos projetos museográficos com o objetivo de observar como interferem na percepção do público diante do acervo exposto. Segundo a autora, não se mostra tarefa fácil separar o maravilhamento diante de uma cenografia extraordinária e altamente imagética de um tipo de percepção mais reflexiva e conexa à materialidade e significação dos objetos e suas narrativas. O fato é que esses elementos alheios ao acervo ancoram-se em conexões de tamanha inerência à vivência e à sensibilidade contemporâneas que não cabe mais questionar sua utilização, mas tentar encontrar parâmetros que ajudem a administrá-los dentro de um mesmo espaço de exposição, visando uma coexistência harmônica e profícua entre os espaços, os programas museográficos e o acervo interpretado. No texto seguinte, Monique B. Magaldi e Emerson Dionisio Gomes de Oliveira refletem criticamente sobre aspectos da documentação da performance Pancake, da artista Márcia X, realizada pelos setores de Museologia e de Pesquisa e Documentação do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Os autores verificaram que a não padronização dos procedimentos de documentação em museus brasileiros interfere na recuperação de informações sobre acervos relacionados à arte-performática e que a compreensão de diferentes formas de registros, vestígios das performances (vídeo, fotografias, objetos utilizados em instalações realizadas), após o ato performático, deve ser considerada, seja na documentação realizada em arquivos, centros de documentação, bibliotecas e setores responsáveis pela documentação de acervo museológico. Concluem que a criação de sistemas de informação que permitam cruzar dados entre estes diferentes setores de documentação, em cada museu, é fundamental. No artigo seguinte, Daniela Carvalho Sophia apresenta resultados de pesquisa sobre as ações de divulgação em cultura, que foram realizadas a partir de 1972, como estratégia de popularizar o acervo do então recém-criado Arquivo-Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB). Como resultado, a autora relaciona a organização de exposições, a realização de parcerias entre setores da FCRB e entre instituições. Ademais, identifica também, entre os anos de 1984 e 1985, a realização de palestras literárias e, por fim, destaca a publicação de inventários analíticos. Todas essas iniciativas compuseram as estratégias de divulgação levadas a cabo pelo Arquivo-Museu de Literatura Brasileira. Em seguida, Clovis Carvalho Britto investiga e analisa, a partir do evento trágico da enchente do Rio Vermelho ocorrida em Goiás-GO, a economia simbólica em torno da invasão do Museu-Casa de Cora Coralina pelas águas da enchente. O foco da análise volta-se para o modo como este evento crítico interferiu na configuração das exposições museológicas com fio condutor no modo como as diferentes memórias sobre a enchente se entrecruzaram na produção da crença em Cora Coralina. Segundo o autor, os eventos críticos, muitas vezes, extrapolam as narrativas empreendidas pelas exposições museológicas, tornando-se parte constitutiva da história do próprio museu e dos bastidores e cenas dos processos de musealização. Maria Cristina de Senzi Zancul, em iniciativa singular no âmbito dos levantamentos e pesquisas sobre o patrimônio do ensino no Brasil, localiza e caracteriza os conjuntos de objetos antigos destinados ao ensino das disciplinas científicas, pertencentes aos primeiros ginásios do Estado de São Paulo. A investigação se debruça sobre os 24 ginásios que estavam em funcionamento em 1936, segundo as informações do Anuário de Ensino (1936-1937). O levantamento realizado evidenciou que existem objetos de valor histórico nas primeiras escolas secundárias paulistas, porém as condições em que se encontram, na grande maioria dos casos, põem em risco sua conservação. Essa situação se coaduna com os resultados obtidos por outros autores em levantamentos anteriores sobre o patrimônio cultural de ciência e tecnologia, em especial retratando a situação encontrada nas universidades e centros de pesquisa. No próximo artigo, Vinicius Carvalho Pereira e Ana Lúcia de Abreu Gomes discutem a política de preservação do patrimônio no Distrito Federal. Para tal, os autores escolheram dois casos que consideraram emblemáticos: o da Caixa d’água de Taguatinga e o da Caixa d’água da Ceilândia. A partir de documentos e bibliografia, os autores procuram entender a significação que os reservatórios têm e tiveram para a população e a sua ligação com a história, principalmente dos primeiros residentes da Ceilândia e de Taguatinga. O tombamento da Caixa d’água da Ceilândia aponta para a necessidade de que a iniciativa partisse não da administração do Distrito Federal, mas de um grupo da população, legítimos produtores e detentores da valoração do bem. Segundo os autores, a ausência de legislação específica local para a área do patrimônio comprometeu em muito a questão da Caixa d’água de Taguatinga. Outro elemento definidor parece ter sido o momento político pelo qual passava o Distrito Federal sem autonomia política e canais de participação outros. O caso da Caixa d’água da Ceilândia já é exemplar de outro momento para a política patrimonial do Distrito Federal. Não só pela já existência à época de legislação para tratar a questão, mas o próprio tombamento de Brasília, local (1987) e federal (1990), e sua inscrição na Lista do Patrimônio da Humanidade (1987) permitiram e permitem o debate na sociedade acerca de quem tem legitimidade para pedir e decidir acerca do patrimônio cultural. Fechando essa seção, Glêvia Ferraz Bezerra, Marcus Luciano Souza de Ferreira Bandeira, Ana Cristina de Sousa, Leonardo Dias Nascimento, Allison Gonçalves Silva e Michele da SIlva Ferreira Bandeira apresentam a prospecção de sítios arqueológicos do município de Porto Seguro/BA, com foco na concentração de fósforo orgânico, inorgânico e total de amostras de solo. A análise de fosfatos é uma das técnicas empregadas pelos arqueólogos, com potencial para produzir informações sobre a presença de ocupação humana e oferecer pistas sobre o tipo e a intensidade da atividade em determinado contexto arqueológico. Os resultados mostraram que a concentração de fósforo variou de sítio para sítio, sendo que alguns contextos apresentaram elevadas concentrações (Sambaqui) e outros baixíssimas (Outeiro da Glória). Confirmou-se assim a ocupação humana em alguns sítios arqueológicos do município de Porto Seguro. Apesar das amostras do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia - IFBA não terem apresentado valores significativos, não é possível concluir que nesta área não tenha ocorrido atividades pretéritas, uma vez que há de se considerar que as baixas concentrações podem ser decorrentes da possibilidade do solo arqueológico estar em níveis mais profundos, além do prospectado.

Na seção Relatos de Experiências, Janaina Silva Xavier faz uma breve discussão sobre rupturas e deslocamentos na expografia da Arte. Segundo a autora, emolduradas pela expografia, as obras de arte modernas e contemporâneas ganham significados e sentidos, que em muitos casos, fora desse contexto não seriam nem mesmo percebidas como Arte pelo público. A partir desse enquadramento, os visitantes apreenderiam melhor as regras do sistema artístico e se apropriariam dele, ainda que o museu e suas formas de extroversão não sejam as únicas possibilidades de sensibilização estética, dado que a arte está presente em todos os lugares onde o homem interfere, pois faz parte de sua natureza, mesmo quando ele não tem consciência disso. Em seguida, Rafaela Gomes Gueiros Rodrigues de Lima e Luciana Sepúlveda Köptcke buscam estabelecer um diálogo entre conceitos advindos da Ciência da Informação (sistema de informação, ações de informação, relevância) e as abordagens da Museologia, para analisar em que medida um tipo de relação entre diferentes áreas profissionais do museu pode promover a participação do seu visitante. As autoras concluem que o papel dos museus e das exposições é convidar a sociedade a perceber e questionar a realidade e as relações que se estabelecem nos entrecruzamentos de universos e sujeitos, mediados pelos objetos informacionais. Participando desse diálogo, a sociedade passa a exercitar sua própria cidadania e seu poder político, ao mesmo tempo em que exige de maneira mais contundente que as instituições façam seu papel de comunicadoras e alavancadoras dessas trocas. A seguir, Camilla Henriques Maia de Camargos, Hanna Fedra Carvalho de Andrade e Juliana Marcia Ferraz Fabrino abordam o processo de gerenciamento do acervo de mais de 1600 cartazes cinematográficos do Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte. Após apresentarem as etapas relacionadas a esse processo, as autoras concluem que o acervo tratado é fundamental para o delineamento da história e da historiografia do cinema em Belo Horizonte, uma vez que permitem que se façam inferências sobre as culturas de apreensão, consumo, controle (censura) e adaptação da “sétima arte” pelas populações, agências reguladoras e cinemas locais. Finalmente, recomendam que as atividades de preservação e divulgação sejam executadas de maneira integrada, uma vez que se fundamentam em relações dinâmicas estabelecidas entre memória, patrimônio e acesso. Por último, Tayná Mariane Monteiro de Castro e Sue Anne Ferreira Costa analisam a climatização de acervos orgânicos em exposições de longa duração, no Museu de Arte de Belém e no Museu Casa das Onze Janelas, no sentido de contribuir para o desenvolvimento de práticas curatoriais em acervos amazônicos. As autoras consideram esta a primeira iniciativa de análise da climatização em acervos de artes na Amazônia, e concluem que, apesar dos altos índices de temperatura e umidade relativa locais, o importante é que os acervos sejam mantidos em condições estáveis, pois os materiais que os compõem, em geral, são provenientes da própria região e já estão aclimatados com estes níveis.

Desejamos a todos uma leitura prazerosa e academicamente proveitosa.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Editores científicos

FOREWORD


We are pleased to introduce this latest edition of Museologia e Patrimônio (v.11, n.1, 2018). M&P has been a regular feature of the Brazilian academic journal scene for ten years now and has already made a name as an important vehicle for the publication of research in its core areas. In this issue, we present a wide range of texts in the sections on Articles and Experience Reports, but from this issue on we will no longer be publishing abstracts. The decision to do away with this section was taken because the Brazilian postgraduate education and research agency, CAPES, requires postgraduate programmes to publish complete master’s and doctoral theses on their websites and also because the Abstracts section was attracting less interest than the other sections of the journal.

The first six texts in the Articles section address exhibitions in different ways. Cinthia da Silva Cunha and Suely Moraes Cerávolo are the authors of the opening article, which discusses and problematizes the involvement of the Brazilian province of Bahia – through the Bahian provincial exhibitions held between 1866 and 1888 – in supporting Dom Pedro II in his grand plan to build an image of Brazil as a civilized nation. The exhibitions were part of the emperor’s initiative to collect products for the national exhibitions in Rio de Janeiro and later for the universal exhibitions abroad. The following article, by Sandra Paschoal L. de Camargo Guedes and Márcia de Oliveira Melo, reflects on the need for exhibition design to take into consideration the perceptions that arise from the human senses, seeking to expand the viewer’s sense of belonging to the heritage on display. The authors propose a standard methodology that covers the sensory elements to be considered when planning or evaluating an exhibition space. The third article, by Helena Uzeda, looks into the relationships between space and visual communication established in museum exhibitions with a view to observing how they affect public perceptions of the exhibits. The author argues that it is no easy task to separate the sense of wonder inspired by extraordinary and image-intensive exhibitions from more reflective perceptions of the materiality and signification of the objects and their narratives. The fact is that these elements from outside collections are rooted in connections that are so inherent to contemporary experiences and sensibilities that it is no longer valid to question their use, but to seek out parameters to help administrate them within a given exhibition space with the goal of bringing about a harmonious, proficuous coexistence of spaces, museum programmes and the collection being interpreted. In the following article, Monique B. Magaldi and Emerson Dionisio Gomes de Oliveira reflect critically on aspects of the documentation of the performance Pancake by the artist Márcia X produced by the departments of Museology and Research and Documentation at the Museum of Modern Art in Rio de Janeiro. They found that the non-standardization of documentation procedures at Brazilian museums hampers the retrieval of information about collections of performance art and that the understanding of different registers and records of performances (videos, photos, objects used in installations, etc.) should, after the performance itself, be taken into account in archival documentation at document centres, libraries and departments with responsibility for maintaining museum archives. They conclude that it is crucial for information systems to be created that allow data to be cross-referenced between the different documentation sectors at a given museum. In the following article, Daniela Carvalho Sophia presents research findings on the communication initiatives taken as of 1972 in a bid to popularise the collection of the recently founded Museum Archive of Brazilian Literature at the Casa de Rui Barbosa Foundation. The author lists the exhibitions held and the partnerships set up between different sectors of the foundation and with other institutions. She also observes that talks on literature were held in 1984 and 1985 and highlights the publication of analytical inventories. All these initiatives were part of a communication strategy for the collection of Brazilian literature at the foundation’s museum archive. Next, Clovis Carvalho Britto investigates and analyses the symbolic economy around the tragic flooding by the Vermelho river of the Cora Coralina House Museum in the Brazilian state of Goias. The analysis focuses on how this critical event affected the organisation of the museum exhibitions, observing how the different memories of the flood interchanged in the production of belief in Cora Coralina. As the author explains, an emergency can often extrapolate the narratives presented in a museum exhibition, becoming a constitutive part of the history of the museum itself and the behind-the-scenes processes of musealisation. In the following article, Maria Cristina de Senzi Zancul reports on her unique initiative in the context of surveys and investigations of education heritage in Brazil, which involved locating and describing sets of old objects used in teaching science at the first high schools in the state of São Paulo. Her enquiry covers the 24 high schools that existed in the state in 1936, according to information from the Education Yearbook (1936-1937). The survey revealed that there were objects of historical value at these schools, but that they were at risk of being lost because of the conditions in which they were kept. This is consistent with the findings of other authors in previous surveys of science and technology heritage in Brazil, especially at universities and research centres. In the next paper, Vinicius Carvalho Pereira and Ana Lúcia de Abreu Gomes discuss the heritage preservation policy of the Federal District in Brazil. They picked two cases they deemed emblematic: the Taguatinga and Ceilândia water towers. In documental and bibliographic research, they sought to understand the significance of the water towers to the local people, both now and in the past, and how they connect to local history, especially the first residents of Ceilândia and Taguatinga. In the case of the Ceilândia water tower, its listing indicates the need for the initiative to come not from the local government itself, but from civil society – people who are the legitimate producers and stewards of the property’s value. Meanwhile, the lack of any specific local legislation for the area around the Taguatinga water tower was found to have seriously compromised the heritage property. Another key element seems to have been the political circumstances at the time in the Federal District, which did not have political autonomy or other channels for participation. The case of the Ceilândia water tower is itself representative of a different moment in heritage protection in the Federal District, not only because there was already applicable legislation by then, but also because of the listing of Brasilia by the local (1987) and federal (1990) heritage agencies and its inscription on the UNESCO World Heritage list in 1987, enabling and fostering debate in society about who has the right to ask questions and take decisions about cultural heritage. The final contribution to this section is by Glêvia Ferraz Bezerra, Marcus Luciano Souza de Ferreira Bandeira, Ana Cristina de Sousa, Leonardo Dias Nascimento, Allison Gonçalves Silva and Michele da SIlva Ferreira Bandeira, who present a survey of archaeological sites in Porto Seguro, a municipality in the Brazilian state of Bahia, focusing on the concentration of organic, inorganic and total phosphorous in soil samples. Phosphate analysis is employed by archaeologists as a way of inferring information about the presence of human occupation and giving clues as to how much and what kind of activity there was in a given archaeological setting. The results demonstrated varying phosphorous concentrations across the sites, some with high concentrations (Sambaqui) and others with very low levels (Outeiro da Glória), confirming human occupations at some of the archaeological sites in Porto Seguro. Although the samples from the Federal Institute of Education, Science and Technology of Bahia did not show significant values, it cannot be concluded that in this area there was no earlier activity, since the low concentrations could be because the archaeological soil is at levels deeper than the ones from which the samples were taken.

The section Experience Reports opens with a brief discussion by Janaina Silva Xavier on the rifts and shifts in art exhibition design. She argues that modern and contemporary artworks, when presented in exhibitions, acquire meanings and significance that outside this context would often not even be perceived as art by the public. Through this framing, visitors better apprehend the rules of the art system and appropriate it, even if the museum and its forms of exhibition are not the only ways aesthetic sensibilities can be developed, given that art is present everywhere in human life because it is part of his nature, even when he is not aware of this. In the second report, Rafaela Gomes Gueiros Rodrigues de Lima and Luciana Sepúlveda Köptcke draw on different concepts from Information Science (information systems, information, actions, relevance) and approaches from the academic study of museology to analyse to what extent a type of relationship between different professional areas of a museum can foster greater visitor participation. Their conclusion is that the role of museums and exhibitions is to invite society to perceive and question reality and the relationships that occur between different worlds and subjects, mediated by objects that impart information. By joining in this dialogue, society comes to exercise its own citizenship and its own political power, while at the same time urging institutions to play their part in communicating and empowering such exchanges. Next, Camilla Henriques Maia de Camargos, Hanna Fedra Carvalho de Andrade and Juliana Marcia Ferraz Fabrino address the management of the archive of over 1600 film posters at the Museum of the Image and Sound in Belo Horizonte, Brazil. After presenting the stages involved in this process, they conclude that the archive is fundamental for tracing the history and historiography of film in Belo Horizonte, since it enables inferences to be made about the way the “seventh art” is apprehended, consumed, controlled (censored) and adapted by the public, regulatory agencies and local cinemas. They end by recommending that conservation and communication activities should be integrated, since they are based on dynamic relationships set up between memory, heritage and access. Finally, Tayná Mariane Monteiro de Castro and Sue Anne Ferreira Costa analyse the climate control of organic collections in permanent exhibitions at the Belém Museum of Art and the contemporary art museum Museu Casa das Onze Janelas, with a view to contributing to the development of curatorship for Amazonian collections. They claim it to be the first time any analysis has been made of climate control for art collections in the region, and conclude that despite the high local temperatures and relative humidity, what matters is for collections to be maintained in stable conditions, because the materials they are made of are generally from that region and are already acclimatised to such levels.

We wish you a pleasant and academically rewarding read.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Scientific editors

PRESENTACIÓN


Es con enorme satisfacción que presentamos este nuevo número de la Revista Museologia e Patrimônio (v.11, n.1, 2018). En el contexto brasileño de revistas académicas, M&P cumple diez años ininterrumpidos de publicación regular y se consolida como un medio importante de divulgación de los resultados de investigación en su área de especialidad. Este número presenta textos diversificados en las secciones de Artículos y Relatos de Experiencias, registrando que, a partir de esta publicación, la Revista no tendrá más la sección Resúmenes/Abstracts. Esta decisión de los editores se da en función de que es norma de la Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES que los Programas de Postgrado coloquen integralmente a disposición las disertaciones y tesis en sus páginas, además de la constatación de que el acceso a los resúmenes publicados ha sido mucho menor que el de los textos de la Revista, razón por la que los editores decidieron eliminar la sección.

En la sección Artículos, los seis primeros textos abordan las exposiciones de diferentes formas. Cinthia da Silva Cunha y Suely Moraes Cerávolo abren la revista discutiendo y problematizando la participación de la provincia de Bahía, a través de las exposiciones provinciales bahianas en el período de 1866 a 1888, en el alineamiento al proyecto mayor de D. Pedro II de construir la imagen civilizada de Brasil. Estas exposiciones formaron parte de la iniciativa del Emperador de recopilar productos para las exposiciones nacionales de Río de Janeiro y, posteriormente, para las exposiciones universales en el exterior. En seguida, Sandra Paschoal L. de Camargo Guedes y Márcia de Oliveira Melo reflexionan sobre la necesidad de pensar los proyectos expográficos considerando las percepciones provocadas por los sentidos humanos, buscando ampliar la sensación de pertenencia del espectador con relación al patrimonio expuesto. Las autoras presentan una propuesta de guion metodológico, que abarca los elementos sensoriales a considerarse cuando se proyecta o se evalúa un espacio expositivo. Helena Uzeda, a seguir, aborda las relaciones entre el espacio y la comunicación visual, establecidas por los proyectos museográficos con el objeto de observar cómo interfieren en la percepción del público ante el acervo expuesto. Según la autora, no es una tarea fácil separar el asombro delante de una escenografía extraordinaria y altamente expresada en imágenes de un tipo de percepción más reflexiva y relacionada a la materialidad y significación de los objetos y sus relatos. El hecho es que estos elementos ajenos al acervo se fijan en conexiones de tamaña inherencia a la vivencia y a la sensibilidad contemporáneas que no cabe más cuestionar su utilización, sino tratar de encontrar parámetros que ayuden a administrarlos dentro de un mismo espacio de exposición, con el objetivo de una coexistencia armónica y provechosa entre los espacios, los programas museográficos y el acervo interpretado. En el siguiente texto, Monique B. Magaldi y Emerson Dionisio Gomes de Oliveira reflexionan críticamente sobre aspectos de la documentación de la performance Pancake, de la artista Márcia X, realizada por los sectores de Museología y de Investigación y Documentación del Museo de Arte Moderna de Río de Janeiro. Los autores verificaron que la no estandarización de los procedimientos de documentación en museos brasileños interfiere en la recuperación de información sobre acervos relacionados al arte de performance y que se debe considerar la comprensión de diferentes formas de registros, vestigios de las performances (vídeo, fotografías, objetos utilizados en instalaciones realizadas), después del acto performático, ya sea en la documentación realizada en archivos, centros de documentación, bibliotecas y sectores responsables de la documentación de acervo museológico. Los autores concluyen que es fundamental la creación de sistemas de información que permitan cruzar datos entre estos diferentes sectores de documentación, en cada museo. En el artículo siguiente, Daniela Carvalho Sophia presenta resultados del estudio sobre las acciones de divulgación en cultura, que se realizaron a partir de 1972, como una estrategia para popularizar el acervo del entonces recién creado Archivo Museo de Literatura Brasileña de la Fundación Casa de Rui Barbosa (FCRB). Como resultado, la autora relaciona la organización de exposiciones, la realización de asociaciones entre sectores de la FCRB y entre instituciones. Asimismo, identifica también, entre los años de 1984 y 1985, la realización de charlas literarias y, por último, destaca la publicación de inventarios analíticos. Todas estas iniciativas han formado las estrategias de divulgación llevadas a cabo por el Archivo Museo de Literatura Brasileña. En seguida, Clovis Carvalho Britto investiga y analiza, a partir del evento trágico de la inundación del Río Vermelho ocurrida en la ciudad de Goiás, estado de Goiás, la economía simbólica alrededor de la invasión del Museo Casa de Cora Coralina por las aguas de la inundación. El enfoque del análisis gira en el modo cómo este evento crítico interfirió en la configuración de las exposiciones museológicas como hilo conductor en el modo cómo las diferentes memorias sobre la inundación se entrecruzaron en la producción de la creencia en Cora Coralina. Según el autor, los eventos críticos, muchas veces, trascienden los relatos emprendidos por las exposiciones museológicas, tornándose una parte constitutiva de la historia del propio museo y de los bastidores y escenas de los procesos de musealización. Maria Cristina de Senzi Zancul, en iniciativa singular en el ámbito de los levantamientos e investigaciones sobre el patrimonio de la enseñanza en Brasil, ubica y caracteriza los conjuntos de objetos antiguos destinados a la enseñanza de las disciplinas científicas, pertenecientes a las primeras escuelas secundarias del Estado de São Paulo. La investigación se centra en las 24 escuelas secundarias que funcionaban en 1936, según la información del Anuario de Enseñanza (1936-1937). El levantamiento realizado puso en evidencia que existen objetos de valor histórico en las primeras escuelas secundarias paulistas, pero las condiciones en que se encuentran, en la gran mayoría de los casos, ponen en riesgo su conservación. Esta situación se coaduna con los resultados obtenidos por otros autores en levantamientos anteriores sobre el patrimonio cultural de ciencia y tecnología, en especial retratando la situación encontrada en las universidades y centros de investigación. En el próximo artículo, Vinicius Carvalho Pereira y Ana Lúcia de Abreu Gomes discuten la política de preservación del patrimonio en el Distrito Federal. Para ello, los autores seleccionaron dos casos que consideran emblemáticos: el de la torre de agua de Taguatinga y el de la torre de agua de Ceilândia. A partir de documentos y bibliografía, los autores buscaron entender la importancia que los reservorios tienen y han tenido para la población y su conexión con la historia, principalmente de los primeros habitantes de Ceilândia y de Taguatinga. La preservación de la torre de agua de Ceilândia señala la necesidad de que la iniciativa partiese no de la administración del Distrito Federal, sino de un grupo de la población, legítimos productores y titulares de la valoración del bien. Según los autores, la ausencia de legislación específica local para el área del patrimonio ha comprometido en extremo la cuestión de la torre de agua de Taguatinga. Otro elemento definidor parece haber sido el momento político por el cual pasaba el Distrito Federal, sin autonomía política y otros canales de participación. La torre de agua de Ceilândia ya es un caso ejemplar de otro momento para la política patrimonial del Distrito Federal. No solo porque ya existía en la época una legislación para tratar la cuestión, sino porque la propia patrimonialización de Brasilia, local (1987) y federal (1990), y su inscripción en la Lista del Patrimonio de la Humanidad (1987) han permitido y permiten el debate en la sociedad acerca de quién tiene legitimidad para pedir y decidir acerca del patrimonio cultural. Para cerrar esta sección, Glêvia Ferraz Bezerra, Marcus Luciano Souza de Ferreira Bandeira, Ana Cristina de Sousa, Leonardo Dias Nascimento, Allison Gonçalves Silva y Michele da Silva Ferreira Bandeira presentan la prospección de sitios arqueológicos del municipio de Porto Seguro, estado de Bahía, enfocándose en la concentración de fósforo orgánico, inorgánico y total de muestras del suelo. El análisis de fosfatos es una de las técnicas empleadas por los arqueólogos, con potencial para producir información sobre la presencia de ocupación humana y ofrecer pistas sobre el tipo y la intensidad de la actividad en determinado contexto arqueológico. Los resultados han mostrado que la concentración de fósforo varió de sitio a sitio, con algunos contextos presentando elevadas concentraciones (Sambaqui) y otros bajísimas (Outeiro da Glória). De este modo, se confirmó la ocupación humana en algunos sitios arqueológicos del municipio de Porto Seguro. Pese a que las muestras del Instituto Federal de Educación, Ciencia y Tecnología de Bahía - IFBA no hayan presentado valores significativos, no se puede concluir que en esta zona no hayan ocurrido actividades pretéritas, porque debe considerarse la posibilidad de que las bajas concentraciones se deban a que el suelo arqueológico se ubique a niveles más profundos de aquel prospectado.

En la sección Relatos de Experiencia, Janaina Silva Xavier hace una breve discusión sobre rupturas y desplazamientos en la expografía del Arte. Según la autora, las obras de arte modernas y contemporáneas, enmarcadas por la expografía, adquieren significados y sentidos, que en muchos casos, fuera de este contexto ni serían realmente percibidas como Arte por el público. A partir de este encuadramiento, los visitantes aprenderían mejor las reglas del sistema artístico y se apropiarían del mismo, aunque el museo y sus formas de extroversión no sean las únicas posibilidades de sensibilización estética, dado que el arte está presente en todos los lugares donde el hombre interfiere, pues forma parte de su naturaleza, incluso cuando él no tiene conciencia de ello. En seguida, Rafaela Gomes Gueiros Rodrigues de Lima y Luciana Sepúlveda Köptcke buscan establecer un diálogo entre conceptos procedentes de la Ciencia de la Información (sistema de información, acciones de información, relevancia) y los abordajes de la Museología, para analizar en qué medida un tipo de relación entre diferentes áreas profesionales del museo puede promover la participación de su visitante. Las autoras concluyen que el papel de los museos y de las exposiciones es invitar a la sociedad a percibir y cuestionar la realidad y las relaciones que se establecen en los entrecruzamientos de universos y sujetos, mediados por los objetos informacionales. La sociedad, al participa de este diálogo, pasa a ejercer su propia ciudadanía y su poder político, al mismo tiempo que exige de manera más contundente que las instituciones ejerzan su papel de comunicadoras e incentivadoras de estos intercambios. A seguir, Camilla Henriques Maia de Camargos, Hanna Fedra Carvalho de Andrade y Juliana Marcia Ferraz Fabrino abordan el proceso de gestión del acervo de más de 1600 carteles cinematográficos del Museo de la Imagen y del Sonido de Belo Horizonte. Luego de presentar las etapas relacionadas con este proceso, las autoras concluyen que el acervo tratado es fundamental para delinear la historia y la historiografía del cine en Belo Horizonte, porque permiten que se hagan inferencias sobre las culturas de aprehensión, consumo, control (censura) y adaptación del “séptimo arte” por las poblaciones, agencias reguladoras y cines locales. Por último, recomiendan que las actividades de preservación y divulgación se ejecuten de manera integrada, por fundamentarse en relaciones dinámicas establecidas entre memoria, patrimonio y acceso. Por último, Tayná Mariane Monteiro de Castro y Sue Anne Ferreira Costa analizan la climatización de acervos orgánicos en exposiciones de larga duración, en el Museo de Arte de Belém y en el Museo Casa das Onze Janelas (Casa de las Once Ventanas), en el sentido de contribuir al desarrollo de prácticas curatoriales en acervos amazónicos. Las autoras consideran que esta es la primera iniciativa de análisis de la climatización en acervos de artes en la Amazonía y concluyen que, a pesar de los altos índices de temperatura y humedad relativa locales, lo importante es que los acervos se mantengan en condiciones estables, pues los materiales que los componen, por lo general, provienen de la propia región y ya están aclimatados a estos niveles.

Deseamos a todos una lectura placentera y académicamente provechosa.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Editores científicos