Museologia e Patrimônio




APRESENTAÇÃO


O lançamento desse segundo número de Museologia e Patrimônio de 2017 acontece em meio a um turbilhão de eventos que constituem dos momentos mais difíceis por que já passou o país. Isso se reflete em toda a sociedade, de formas diversas, mas atinge especialmente os programas de pós-graduação e as instituições de pesquisa em geral, com redução brutal de orçamentos e ameaça de corte total de bolsas pelas agências de financiamento públicas, num aparente desmonte da área acadêmica brasileira. Assim, apesar dessa situação inacreditável, é importante destacar que os pesquisadores brasileiros continuam trabalhando e sua produção divulgada, como podemos verificar no conteúdo de nossa revista. Além de textos de autores do Brasil, também podemos compartilhar reflexões de autores da Argentina, Portugal e Japão, contando com contribuições nas seções de Artigos, Relatos de Experiências e Resumos de teses e dissertações.

Na seção Artigos , Katya Mitsuko Zuquim Braghini, Paula Maria de Assis, Raquel Quirino Piñas e Ricardo Tomasiello Pedro abrem a revista discutindo aspectos relacionados ao patrimônio do ensino, tipologia em alto risco de perda e pouco visível para a sociedade. O caso específico se relaciona à transferência da coleção do Colégio Marista de Santos (SP) para o Memorial do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo, incluindo a organização, listagem, guarda e levantamento técnico. A equipe de pesquisa envolvida faz um apelo ao final do texto no sentido de constituir parcerias em torno das competências necessárias para avançar no processo de preservação da rica coleção de objetos científicos. Em seguida, Tatiane Vedoin Viero, Renata Brião de Castro, Patrícia Weiduschadt e Eduardo Arriada, em novo texto relacionado aos acervos do ensino, ressaltam os usos, as possibilidades e as aproximações entre o campo da História da Educação e os da Arquivologia e Museologia. Discute-se a preservação dos acervos e arquivos das escolas, além das potencialidades de seus usos para as pesquisas, buscando-se teorizar sobre as relações entre essas áreas do conhecimento. Nesse sentido, os autores trabalham com dois casos, um museu histórico vinculado à Universidade Federal do Rio Grande e a Escola Garibaldi, uma escola municipal rural, e ressaltam que a preservação de acervos passa pela conscientização de sua relevância não somente para pesquisas acadêmicas, mas para a própria instituição de salvaguarda. Ivan Fortunato, a seguir, trata da história das transformações culturais a que foi submetido o local de fundação de São Paulo, entre o final dos anos 1800 e o final do século passado. Trata-se do Pateo do Collegio, situado no alto da colina histórica, no planalto de Piratininga, na área urbana mais antiga no centro da cidade de São Paulo, que data dos anos 1550 e foi demolida no início do século XIX. No local do histórico conjunto colégio-igreja onde, segundo o autor, Anchieta teria lecionado aos pequenos portugueses e índios, foi erigido sobre ruínas e destroços jesuítas o Palácio do Governo. Este seria demolido pouco tempo depois de sua inauguração e, mais tarde, quando a cidade celebrava 450 anos, uma réplica de seu passado colonial foi construída nesse local, para representar imageticamente, seu lugar de origem. Para o autor, a réplica não recupera a pequena vila de taipa, mas revela sua essência, propiciando o contato com a vida pacata do paradigma lento. A partir de suas reflexões, o autor contesta a afirmação de que “o atual Pátio do Colégio não passa de um simulacro”. No texto seguinte, Mariana Santamaría e Cecília von Reichenbach apresentam dois exemplos relacionados ao uso e exposição do acervo do Museo de Física da Universidad Nacional de La Plata (Argentina). O primeiro relaciona-se à renovação da exposição permanente do Museo e o segundo ao projeto de uma mostra temporária também para a mesma Instituição. O Museo foi criado em 1994 e possui um acervo constituído por cerca de 2000 instrumentos de demonstração de fenômenos físicos, adquiridos da empresa alemã Max Kohl, em 1906, somados com outros artefatos adquiridos durante a primeira metade do século XX. Nas iniciativas apresentadas, a equipe do Museo, no âmbito da criação de novos projetos museográficos para as exposições, procura fazer com que os objetos, revestidos de novos sentidos, instiguem o público a novos diálogos e a refletir sobre seus usos e perspectivas. No artigo seguinte, Claudia Bucceroni Guerra e Alegria Celia Benchimol apresentam resultados de pesquisa realizada para esclarecer dúvidas referentes à documentação de 206 objetos do povo indígena Aparai, coletados e depositados no Museu Paraense Emílio Goeldi, por Curt Nimuendajú e Otto Schulz-Kampfhenkel. A análise da trajetória desses dois pesquisadores, na virada do séc. XIX para o XX, foi essencial para esclarecer dúvidas na documentação de objetos etnográficos e traduziu, por outro lado, os aspectos inerentes à relação entre a Europa, o Brasil e a floresta amazônica. Em seguida, Eiji Mizushima apresenta brevemente a posição dos museus no Japão, o atual estado da Museologia, a sociedade acadêmica na área da Museologia e a definição legal de curadores, bem como os métodos de treinamento relacionados, no Japão. Entre os vários aspectos interessantes abordados pelo autor, em sua maioria desconhecidos do público acadêmico brasileiro, destaca-se a menção ao primeiro dicionário enciclopédico de gestão em museus, em línguas asiáticas, realizado por um grupo de 50 pesquisadores em árduo trabalho que durou dez anos. Bárbara Pereira Mançanares e Luiz Carlos Borges analisam a Festa do Divino Espírito Santo, realizada em São Bartolomeu (Ouro Preto – MG), bem como os processos mediante os quais a herança histórico-cultural da Festa que homenageia o Divino é preservada, representada e modificada por meio das vivências cotidianas. A Festa é registrada como patrimônio imaterial do Município e, segundo os autores, possui grande ressonância e aderência da comunidade por ser componente fundamental da memória e da identidade local. No texto, propõe-se pensar o distrito de São Bartolomeu como um museu imaginado, a céu aberto, e os componentes da Festa do Divino como constitutivos de sua coleção. A seguir, Ednaldo Soares apresenta resultados de pesquisa sobre os museus de Salvador em relação à questão de elaborar planos museológicos e, de forma complementar, se o estudante de Museologia tem sido academicamente preparado para atividades de gestão em museus. Concluiu-se que a maioria dos museus em Salvador resiste à elaboração de plano museológico, porque se orienta por métodos administrativos tradicionais. A pesquisa também constatou o baixo nível de visitação aos museus de Salvador e que a qualificação teórica e prática para o exercício da gestão oferecida pelos cursos de Museologia tem sido insuficiente para seu desempenho. Fechando essa seção, Clovis Carvalho Britto e Jean Costa Souza Correio apresentam resultados da investigação de alguns dos itinerários que configuram a economia do simbólico das culturas populares no campo museal de Sergipe, a partir da análise de estratégias de musealização do teatro de bonecos “Mamulengo de Cheiroso”. A partir de diferentes aspectos da musealização do “Mamulengo de Cheiroso”, grupo de teatro de bonecos sergipano atuante desde 1978, problematiza o modo como as artes e a culturas populares são representadas por meio dos processos museológicos na exposição de curta duração “Mamulengo de Cheiroso: a magia do teatro de bonecos”, no Museu da Gente Sergipana, e na exposição de longa duração na “Sala de Cultura Popular”, do Centro Cultural de Aracaju, ambos em Aracaju-SE.

Na seção Relatos de Experiências, apresentamos o texto de Agustín Martinelli, Vicente Teixeira, Mara Ferraz, Camila Cavellani, Cecilia Pérez Winter, Thiago Marinho e Luiz Carlos Ribeiro, no qual os autores discutem as atividades realizadas com a coleção científica do Centro de Pesquisas Paleontológicas L. I. Price (CPPLIP, CCCP/UFTM), composta principalmente por espécimes descobertos nos Municípios de Uberaba e Campina Verde, no Triângulo Mineiro. Entre os 1500 exemplares tombados, e outras centenas que ainda serão incluídas no repositório, destacam-se peixes, anuros, crocodiliformes, quelônios, dinossauros saurópodes e terópodes, aves, mamíferos, moluscos, e icnofósseis, dentre os quais estão seis holótipos. O CPPLIP, o Museu dos Dinossauros e as edificações da extinta Rede Nacional de Paleontologia compõem o Complexo Cultural e Científico de Peirópolis (CCCP), onde se iniciou em 2012 o projeto de reestruturação da coleção cientifica aqui apresentado. Em seguida, Ana Mehnert Pascoal e Ana Catarina Teixeira Silva analisam, a partir da fusão da Universidade de Lisboa (UL) com a Universidade Técnica de Lisboa (UTL), em 2013, resultando na criação da Universidade de Lisboa (ULisboa), como a nova realidade conduziu à elaboração de um levantamento do seu patrimônio cultural (2015), contraposto com o levantamento efetuado no âmbito da antiga UL em 2011. A imensa diversidade de tipologias, a dimensão, a dispersão e a organização complexa do patrimônio cultural da ULisboa tornam a preservação de todo este patrimônio para gerações futuras um desafio ambicioso. O maior desafio consiste em tornar significativas as coleções geradas na Universidade, fruto da evolução do conhecimento, para uma comunidade mais abrangente e para gerações vindouras. A seguir, Lily Li Wang discute como o desenvolvimento e as inovações no espaço cibernético estão transformando o modo como vivemos, trabalhamos e pensamos. Especificamente, a autora aborda como dispositivos "inteligentes", como o iPhone, são diferenciais para recuperar e compartilhar informações antes, durante e após visitas a instituições classificadas como MLA (Museus, Bibliotecas e Arquivos). No texto seguinte, Rodrigo da Silva aborda o sítio arqueológico São Francisco, localizado no município de São Sebastião, São Paulo, testemunho material da ocupação e desenvolvimento do litoral do sudeste do Brasil desde o final do século XVII, ainda, pouco conhecido pela sociedade. O texto relata as estratégias no desenvolvimento do projeto de uma exposição itinerante realizada em 2010, que passou por seis centros culturais em quatro estados brasileiros. O autor conclui que o sítio pode ser considerado hoje um bem cultural mais conhecido e valorizado pelas comunidades local e acadêmica, com maior segurança e proteção. Hilda Bárbara Maia Cezário, Eduardo Davel e Lorena Sancho Querol propõem novas estratégias de gestão para iniciativas museológicas comunitárias através da ‘Tecnologia Social das Mobilizações’ (TMob), composta por quatro mobilizações estratégicas e integradas de forma orgânica (mobilização cultural, mobilização museológica técnica, organizacional e interorganizacional). Segundo os autores, a TMob se propõe a uma estratégia de gestão atenta à diversidade de formas de museus, dinâmica e adaptável aos desafios, características e singularidades de cada comunidade e o maior desafio é começar a aplicá-la, permanecendo atentos para aprender e integrar melhorias. Finalmente, Leandro Elias Canaan Mageste, Nívia Paula Dias Assis e Patrícia Muniz Mendes, fechando esta sessão, apresentam e discutem os processos museológicos executados na localidade de Lagoa de São Vítor, zona rural do município de São Raimundo Nonato, no interior do Piauí. Como resultado principal desse movimento os autores destacam a intensificação das manifestações em prol da consolidação do Museu Integral da Comunidade de São Vítor, acompanhadas da percepção de que museu é um fenômeno vivo e transformador.

Na seção Resumos,encontram-se resumos e abstracts de dissertações de mestrado e teses de doutorado defendidas no Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio entre 2014 e 2017: dissertações - Adelmo Braga da Silva, Adriano Barreto Viera, Carla Beatriz Guedes Ferreira, Carlos Vítor Silveira de Souza, Cindy Coutinho Diniz, Cristina Moura Bastos, Henrique de Vasconcellos Cruz Ribeiro, Lucas Figueiredo Lopes, Raquel Barbosa da Silva, Renata Carleial de Casimiro Otto, Rita de Cássia de Mattos; teses - Claudia Penha dos Santos, Eliane Marchesini Zanatta, Luciana Menezes de Carvalho e Tania Maria Rodrigues de França; além das dissertações de mestrado de Raquel França Garcia Augustinno, no Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, defendida em 2017; de Clovis Carvalho Britto e Zamana Brisa Souza Lima, ambas no Programa de Pós-Graduação em Museologia da Universidade Federal da Bahia, defendidas em 2016; e, finalmente, a tese de doutorado de Marina Roriz Rizzo Lousa da Cunha, defendida em 2016, no Programa de Pós-Graduação em Sociologia, da Universidade Federal de Goiás.

Desejamos a todos uma leitura prazerosa e academicamente proveitosa.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Editores científicos

FOREWORD


This second issue of Museologia e Patrimônio in 2017 is being launched in the midst of a whirlwind of events that constitute one of the most challenging times Brazil has ever faced. It is reflected throughout society in different ways, but particularly affects postgraduate education and research institutions in general, with budgets being slashed and threats being voiced about the end of publicly funded research grants in the context of the apparent dismantling of the country’s higher education system. Yet despite this shocking set of circumstances, Brazilian scholars continue to engage in research and publish their findings, as is borne out by the rich and varied content of this edition of our journal. In it, texts by Brazilians appear alongside the reflections of scholars from Argentina, Portugal and Japan in the regular sections on articles, experience reports, and the abstracts of masters’ and doctoral dissertations and theses.

The Articles section is opened by Katya Mitsuko Zuquim Braghini, Paula Maria de Assis, Raquel Quirino Piñas and Ricardo Tomasiello Pedro, who discuss different aspects of education heritage – a type of heritage that runs great risk of being lost and receives little attention in society. The case described has to do with the transfer of the collection of artefacts from Colégio Marista de Santos, a school in São Paulo state, to the Memorial do Colégio Marista Arquidiocesano memory centre in São Paulo, including the collation, listing, safeguarding and inspection of the objects. The research team involved makes an appeal at the end of the text in the hope of setting up partnerships to form the skill sets needed to continue the preservation of this important collection of scientific objects. The next article, by Tatiane Vedoin Viero, Renata Brião de Castro, Patrícia Weiduschadt and Eduardo Arriada, also addresses education-related heritage, stressing its uses and possibilities and the potential common ground between the history of education and the fields of archive management and museology. It discusses the preservation of collections and archives at schools and how they could be used in research, theorizing about the relationships between these areas of knowledge. The authors present two cases – a museum of history linked to the Federal University of Rio Grande and Escola Garibaldi, a rural municipal school – and show how collections are only preserved when their importance is perceived not only by academic researchers, but also by the institutions where they are safeguarded. Next, Ivan Fortunato discusses the cultural transformations undergone between the late 1800s and late 1900s at the place where the city of São Paulo was founded. The object of the study is Pateo do Collegio, a building situated on the top of a hill on the Piratininga plateau in the oldest part of São Paulo, which dates back to the 1550s but was demolished in the early nineteenth century. At the site of the historic church and school, where, we are told, Father Anchieta taught Portuguese and indigenous children, the government palace was erected on the ruins of the Jesuit institution. This was demolished soon after its inauguration, but later, when the city was celebrating its 450th anniversary, a replica of its colonial antecedent was built on the site to represent visually its place of origin. The author suggests that the replica fails as a faithful reproduction of the small wattle-and-daub settlement, but does reveal its essence, offering contact with the quiet, slow-paced life it represents. The author’s reflections lead him to contest the idea that “the current-day Pátio do Colégio is nothing more than a simulacrum”. In the following article, Mariana Santamaría and Cecília von Reichenbach present two cases of the use and exhibition of the collection at the Museum of Physics (Museo de Física), National University of La Plata, Argentina. The first has to do with the renovation of the museum’s permanent exhibition, while the second concerns the plans for a temporary exhibition at the same institution. The museum in question was created in 1994 and contains around two thousand instruments for demonstrating physical phenomena acquired from the German manufacturer Max Kohl in 1906, as well as other artefacts acquired in the first half of the twentieth century. While investigating new museographical projects for the museum’s exhibitions, the team was keen to elicit in the visiting public new interactions and reflections on the uses and perspectives of these objects, now clad in new meanings. In the next article, Claudia Bucceroni Guerra and Alegria Celia Benchimol present the findings of research into the documentation of 206 objects of the Aparai indigenous people collected and deposited at Museu Paraense Emílio Goeldi by Curt Nimuendajú and Otto Schulz-Kampfhenkel. The analysis of the trajectory of these two researchers at the turn of the twentieth century was fundamental for elucidating doubts about the documentation of the ethnographic objects, and also shed light on certain aspects inherent to the relationship between Europe, Brazil, and the Amazon forest. In the next article, Eiji Mizushima briefly presents the position of museums in Japan, the current state of museology in the country, its academic museology community, the legal definition of curators, and the education available in these fields in Japan. The different aspects of interest addressed by the author, most of which are unfamiliar to the Brazilian academic readership, include the preparation, over a ten-year period, of the first ever encyclopaedic dictionary of museum management in Asian languages by a group of 50 researchers. In the next article, Bárbara Pereira Mançanares and Luiz Carlos Borges analyse the Festa do Divino Espírito Santo, a popular religious festivity held in the São Bartolomeu district of Ouro Preto (Minas Gerais, Brazil), as well as the processes by which the historical and cultural legacy of the fiesta is preserved, represented and modified through quotidian experiences. The festivity is listed as intangible municipal heritage, and resonates strongly with the local community, constituting a key component of its memory and identity. The authors suggest considering the district of São Bartolomeu as an imagined, open-air museum and the components of the Festa do Divino as part of its collection. Next, Ednaldo Soares presents the findings of his research into the museological plans of the museums of Salvador, Brazil, and considers whether students of museology are academically prepared for museum management activities. He concludes that most of the museums in Salvador do not adopt museological planning because they are managed along traditional lines. Low visitor numbers to these museums were also observed, as well as the fact that the practical and theoretical management training on offer in museology courses is insufficient to meet the needs of these museum professionals. The final article is by Clovis Carvalho Britto and Jean Costa Souza Correio, who present the findings of their investigation of some of the itineraries that configure the symbolic economy of popular cultures in museums in the Brazilian state of Sergipe, based on an analysis of musealisation strategies adopted by the puppet theatre group Mamulengo de Cheiroso. Based on different aspects of the musealisation of Mamulengo de Cheiros, active in the state since 1978, the authors problematize how popular art and culture is presented through museological processes in the temporary exhibition Mamulengo de Cheiroso: the magic of puppet theatres held at Museu da Gente Sergipana, and the permanent exhibition in the Room of Popular Cultures at the Aracaju Cultural Centre, both in Aracaju, Sergipe.

The Experience Reports section opens with a text by Agustín Martinelli, Vicente Teixeira, Mara Ferraz, Camila Cavellani, Cecilia Pérez Winter, Thiago Marinho and Luiz Carlos Ribeiro in which they discuss the activities undertaken involving the scientific collection at the L. I. Price Palaeontology Research Centre, Federal University of Triângulo Mineiro, which mainly comprises specimens discovered in the municipalities of Uberaba and Campina Verde, in the Triângulo Mineiro area of Minas Gerais. Featured amongst the 1500 listed specimens and other hundreds of specimens yet to be included in the repository are fish, anura, crocodyliformes, chelonia, sauropod and theropod dinosaurs, birds, mammals, molluscs and ichnofossils, including six holotypes. The research centre, the Dinosaur Museum and the buildings of the former National Palaeontology Network compose the Peirópolis Cultural and Scientific Complex, where the restoration of the scientific collection presented here was started in 2012. Next, Ana Mehnert Pascoal and Ana Catarina Teixeira Silva analyse how the new reality after the merger of the University of Lisbon with the Technical University of Lisbon in 2013, resulting in the creation of a new University of Lisbon, has led to the preparation of a survey of its cultural heritage (2015), as compared with the survey undertaken at the former University of Lisbon in 2011. The great diversity of types of cultural heritage, quantity of artefacts, physical dispersion and complexity of organisation make its preservation for future generations an ambitious project. The biggest issue is how to make the collections generated from knowledge creation activities at the university more meaningful to a broader community and generations to come. Next, Lily Li Wang discusses how the developments and innovations in cybernetic space are transforming the way we live, work and think. She specifically considers how “smart” devices like the iPhone affect the way information is retrieved and shared before, during and after visits to museums, libraries and archives. The next text, by Rodrigo da Silva, is about the São Francisco archaeological site, in the municipality of São Sebastião, São Paulo state, which bears material witness to the occupation and development of the southeast coast of Brazil from the late seventeenth century onwards and is still little known by society. He reports on the strategies employed in planning a touring exhibition in 2010, which was hosted by six cultural centres in four states of Brazil. The conclusion is that the site is now better known and more appreciated as a cultural asset by the local and academic communities, enhancing its level of protection and security. In their experience report, Hilda Bárbara Maia Cezário, Eduardo Davel and Lorena Sancho Querol propose the development of new management strategies for community museums using the “Social Technology of Mobilisations”, composed of four interrelated mobilisation strategies (cultural, technical, organisational and inter-organisational mobilisation). The approach can be adapted to different museum formats, and can be adapted to the challenges, characteristics and singularities of each community. The biggest challenge is getting the strategy adopted and being mindful of learning opportunities and the need to make continuous improvements. Finally, Leandro Elias Canaan Mageste, Nívia Paula Dias Assis and Patrícia Muniz Mendes present and discuss the museological processes at Lagoa de São Vítor, in a rural part of the municipality of São Raimundo Nonato, Piauí state. The main result of this movement is the intensification of manifestations in favour of consolidating the Museum of the Community of São Vitor, alongside the perception of the museum is a living, transformative phenomenon.

In the Abstracts section we have abstracts of masters’ and doctoral dissertations and theses from the Postgraduate Programme in Museology and Heritage (MAST/UNIRIO) between 2014 and 2017. The dissertations are by Adelmo Braga da Silva, Adriano Barreto Viera, Carla Beatriz Guedes Ferreira, Carlos Vítor Silveira de Souza, Cindy Coutinho Diniz, Cristina Moura Bastos, Henrique de Vasconcellos Cruz Ribeiro, Lucas Figueiredo Lopes, Raquel Barbosa da Silva, Renata Carleial de Casimiro Otto and Rita de Cássia de Mattos; and the theses are by Claudia Penha dos Santos, Eliane Marchesini Zanatta, Luciana Menezes de Carvalho and Tania Maria Rodrigues de França. There are also the abstracts of masters’ dissertations by Raquel França Garcia Augustinno, from the Postgraduate Programme in Information Science, Federal University of Minas Gerais (2017), and by Clovis Carvalho Britto and Zamana Brisa Souza Lima, both from the Postgraduate Programme in Museology from the Federal University of Bahia (2016); and the abstract of a doctoral thesis by Marina Roriz Rizzo Lousa da Cunha (2016) from the Postgraduate Programme in Sociology, Federal University of Goiás.

We wish you a pleasant and academically rewarding read.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Scientific editors

PRESENTACIÓN


El lanzamiento de este segundo número de Museologia e Patrimônio, de 2017, se da en medio de un torbellino de eventos que se constituyen en uno de los momentos más difíciles que ya atravesó el país. Esto se refleja de diversas formas en toda la sociedad, pero afecta especialmente a los programas de posgrado y a las instituciones de investigación en general, con la reducción brutal de sus presupuestos y la amenaza de corte total de becas por parte de las agencias de financiamiento públicas, en un aparente desmonte del área académica brasileña. Así, a pesar de esta increíble situación, es importante destacar que los investigadores brasileños continúan trabajando y su producción divulgándose, como se puede verificar en el contenido de nuestra revista. Además de los textos de autores de Brasil, también podemos compartir las reflexiones de autores de Argentina, Portugal y Japón, así como las contribuciones en las secciones de Artículos, Relatos de Experiencias y Resúmenes de tesis y disertaciones.

En la sección Artículos, Katya Mitsuko Zuquim Braghini, Paula Maria de Assis, Raquel Quirino Piñas y Ricardo Tomasiello Pedro abren la revista discutiendo aspectos relacionados con el patrimonio de la enseñanza, tipología en alto riesgo de pérdida y poco visible para la sociedad. El caso específico se refiere a la transferencia de la colección de objetos científicos del Colegio Marista de Santos, en São Paulo, al Memorial del Colegio Marista Archidiocesano de São Paulo, incluyendo la organización, el listado, la custodia y el levantamiento técnico. El equipo de investigación responsable hace un apelo al final del texto para que se constituyan asociaciones alrededor de las competencias necesarias que permitan avanzar en el proceso de preservación de la rica colección de objetos científicos. En seguida, Tatiane Vedoin Viero, Renata Brião de Castro, Patrícia Weiduschadt y Eduardo Arriada, en nuevo texto relacionado con los acervos de la enseñanza, resaltan los usos, las posibilidades y los acercamientos entre el campo de la Historia de la Educación y los de la Archivología y Museología. Se discute la preservación de los acervos y archivos de las escuelas, además de las potencialidades de sus usos para las investigaciones, buscándose teorizar las relaciones entre estas áreas del conocimiento. En este sentido, los autores trabajan con dos casos: un museo histórico vinculado a la Universidad Federal de Rio Grande y la Escola Garibaldi, una escuela municipal rural, y resaltan que la preservación de los acervos pasa por la concienciación de su relevancia no solo para investigaciones académicas, sino también para la propia institución de salvaguarda. A seguir, Ivan Fortunato trata de la historia de las transformaciones culturales a las que ha sido sometido el lugar de la fundación de São Paulo, entre finales de los años 1800 y finales del siglo pasado. Se trata del Pateo do Collegio, situado en lo alto de la colina histórica, en el altiplano de Piratininga, en la zona urbana más antigua del centro de la ciudad de São Paulo, que data de los años 1550 y fue demolida a principios del siglo XIX. En el lugar del histórico conjunto colegio-iglesia donde, según el autor, Anchieta habría dado clases a los pequeños portugueses e indios, se erigió sobre las ruinas y destrozos jesuitas el Palacio de Gobierno, el cual sería demolido poco tiempo después de su inauguración y, más tarde, cuando la ciudad celebraba sus 450 años de fundación, una réplica de su pasado colonial se construyó en dicho lugar para representar, por medio de la imagen, su lugar de origen. Para el autor, la réplica no recupera el pequeño poblado de casas de adobe, pero revela su esencia, propiciando el contacto con la vida apacible del paradigma lento. A partir de sus reflexiones, el autor refuta la afirmación de que “el actual Patio del Colegio no pasa de un simulacro”. En el texto siguiente, Mariana Santamaría y Cecília von Reichenbach presentan dos ejemplos relacionados con el uso y exposición del acervo del Museo de Física de la Universidad Nacional de La Plata (Argentina). El primero se relaciona con la renovación de la exposición permanente del Museo y el segundo con el proyecto de una muestra temporal también para la misma institución. El Museo fue creado en 1994 y posee un acervo constituido por cerca de 2000 instrumentos de demostración de fenómenos físicos, adquiridos de la empresa alemana Max Kohl, en 1906, sumados a otros artefactos adquiridos durante la primera mitad del siglo XX. En las iniciativas presentadas, el equipo del Museo, en el ámbito de la creación de nuevos proyectos museográficos para las exposiciones, busca que los objetos, revestidos de nuevos sentidos, instiguen al público hacia nuevos diálogos y a reflexionar sobre sus usos y perspectivas. En el artículo siguiente, Claudia Bucceroni Guerra y Alegria Celia Benchimol presentan resultados de investigación realizada para aclarar dudas referentes a la documentación de 206 objetos del pueblo indígena Aparai, recolectados y depositados en el Museu Paraense Emílio Goeldi, por Curt Nimuendajú y Otto Schulz-Kampfhenkel. El análisis de la trayectoria de estos dos investigadores a fines del siglo XIX y principios del siglo XX fue esencial para aclarar dudas en la documentación de objetos etnográficos y tradujo, por otro lado, los aspectos inherentes a la relación entre Europa, Brasil y la selva amazónica. En seguida, Eiji Mizushima presenta brevemente la posición de los museos en Japón, el actual estado de la Museología, la sociedad académica en el área de la Museología y la definición legal de los curadores, así como los métodos de capacitación relacionados en dicho país. Entre los diversos aspectos interesantes abordados por el autor, en su mayoría desconocidos del público académico brasileño, se destaca la mención al primer diccionario enciclopédico de gestión en museos, en lenguas asiáticas, realizado por un grupo de 50 investigadores que duró diez años de arduo trabajo. Bárbara Pereira Mançanares y Luiz Carlos Borges analizan la Fiesta del Divino Espírito Santo, realizada en el distrito de São Bartolomeu (en Ouro Preto, Minas Gerais) así como los procesos mediante los cuales la herencia histórico-cultural de la Fiesta que homenajea al Divino es preservada, representada y modificada por medio de las vivencias cotidianas. La Fiesta es registrada como patrimonio inmaterial del municipio y, según los autores, posee gran repercusión y adhesión de la comunidad por ser un componente fundamental de la memoria y de la identidad local. En el texto, se propone pensar el distrito de São Bartolomeu como un museo imaginado, a cielo abierto, y los componentes de la Fiesta del Divino como constitutivos de su colección. A seguir, Ednaldo Soares presenta resultados de investigación de los museos de la ciudad de Salvador relacionados a la elaboración de planes museológicos y, de forma complementaria, si el estudiante de Museología ha sido académicamente preparado para actividades de gestión en museos. Se concluyó que la mayoría de los museos en Salvador resiste a la elaboración de un plan museológico porque se orienta por métodos administrativos tradicionales. La investigación también constató el bajo nivel de visitas a los museos de Salvador y que la calificación teórica y práctica para el ejercicio de la gestión ofrecida por los cursos de Museología ha sido insuficiente para su desempeño. Cerrando esta sección, Clovis Carvalho Britto y Jean Costa Souza Correio presentan resultados de investigación de algunos de los itinerarios que configuran la economía de lo simbólico de las culturas populares en el campo museal de Sergipe, a partir del análisis de estrategias de musealización del teatro de muñecos “Mamulengo de Cheiroso”. Diferentes aspectos de la musealización del “Mamulengo de Cheiroso”, grupo de teatro de muñecos de Sergipe que actúa desde 1978, cuestionan el modo cómo las artes y la culturas populares son representadas por medio de procesos museológicos en la exposición de corta duración “Mamulengo de Cheiroso: a magia do teatro de bonecos” (Mamulengo de Cheiroso: la magia del teatro de muñecos), en el Museu da Gente Sergipana, y en la exposición de larga duración en la “Sala de Cultura Popular”, del Centro Cultural de Aracaju, ambas en la ciudad de Aracaju, Sergipe.

En la sección Relatos de Experiencia, se presenta el texto de Agustín Martinelli, Vicente Teixeira, Mara Ferraz, Camila Cavellani, Cecilia Pérez Winter, Thiago Marinho y Luiz Carlos Ribeiro, en el cual los autores discuten las actividades realizadas con la colección científica del Centro de Investigaciones Paleontológicas L. I. Price (CPPLIP, CCCP/UFTM), formada principalmente por especímenes hallados en los municipios de Uberaba y Campina Verde, en la región del Triângulo Mineiro, estado de Minas Gerais. Entre los 1500 ejemplares patrimonializados y otras centenas que todavía se incluirán en el repositorio, se destacan peces, anuros, crocodiliformes, quelonios, dinosaurios saurópodos y terópodos, aves, mamíferos, moluscos e icnofósiles, entre los cuales están seis holotipos. El CPPLIP, el Museu dos Dinossauros (Museo de los Dinosaurios) y las edificaciones de la extinta Red Nacional de Paleontología componen el Complejo Cultural y Científico de Peirópolis (CCCP), donde se inició en el 2012 el proyecto de reestructuración de la colección científica aquí presentado. En seguida, Ana Mehnert Pascoal y Ana Catarina Teixeira Silva analizan, a partir de la fusión de la Universidad de Lisboa (UL) con la Universidad Técnica de Lisboa (UTL), en el 2013, que resultó en la creación de la Universidad de Lisboa (ULisboa), cómo la nueva realidad ha conducido a la elaboración de un levantamiento de su patrimonio cultural (2015), contrapuesto con el levantamiento efectuado en el ámbito de la antigua UL en el 2011. La inmensa diversidad de tipologías, la dimensión, dispersión y organización compleja del patrimonio cultural de la ULisboa tornan un reto ambicioso la preservación de todo este patrimonio para las generaciones futuras. El mayor reto consiste en tornar las colecciones generadas en la universidad –fruto de la evolución del conocimiento– significativas para una comunidad más amplia y para las generaciones venideras. A seguir, Lily Li Wang discute cómo el desarrollo y las innovaciones en el espacio cibernético están transformando el modo en que vivimos, trabajamos y pensamos. Específicamente, la autora aborda el papel diferenciador de los dispositivos "inteligentes", como el iPhone, para recuperar y compartir información antes, durante y después de las visitas a instituciones clasificadas como MLA (Museos, Bibliotecas y Archivos). En el texto siguiente, Rodrigo da Silva aborda el sitio arqueológico São Francisco, ubicado en el municipio de São Sebastião, São Paulo, un testimonio material de la ocupación y desarrollo del litoral sureste de Brasil desde fines del siglo XVII, aún, poco conocido por la sociedad. El texto relata las estrategias en el desarrollo del proyecto de una exposición itinerante realizada en el 2010, que pasó por seis centros culturales en cuatro estados brasileños. El autor concluye que el sitio puede considerarse hoy un bien cultural más conocido y valorado por parte de las comunidades local y académica, con mayor seguridad y protección. Hilda Bárbara Maia Cezário, Eduardo Davel y Lorena Sancho Querol proponen nuevas estrategias de gestión para iniciativas museológicas comunitarias a través de la ‘Tecnología Social de las Movilizaciones’ (TMob), compuesta por cuatro movilizaciones estratégicas e integradas de forma orgánica (movilización cultural, movilización museológica técnica, organizacional e interorganizacional). De acuerdo con los autores, la TMob se propone ser una estrategia de gestión atenta a la diversidad de formas de museos, dinámica y adaptable a los retos, características y singularidades de cada comunidad y el mayor reto es empezar a aplicarla, permaneciendo atentos para aprender e integrar las mejoras. Por último, Leandro Elias Canaan Mageste, Nívia Paula Dias Assis y Patrícia Muniz Mendes, cierran esta sesión, presentando y discutiendo los procesos museológicos ejecutados en la localidad de Lagoa de São Vítor, zona rural del municipio de São Raimundo Nonato, en el interior del estado de Piauí. Como resultado principal de este movimiento, los autores destacan la intensificación de las manifestaciones en pro de la consolidación del Museo Integral de la Comunidad de São Vítor, acompañadas de la percepción de que el museo es un fenómeno vivo y transformador.

En la sección Resúmenes, se encuentran los resúmenes y abstracts de disertaciones de maestría y tesis de doctorado defendidas en el Programa de Posgrado en Museología y Patrimonio entre 2014 y 2017: disertaciones - Adelmo Braga da Silva, Adriano Barreto Viera, Carla Beatriz Guedes Ferreira, Carlos Vítor Silveira de Souza, Cindy Coutinho Diniz, Cristina Moura Bastos, Henrique de Vasconcellos Cruz Ribeiro, Lucas Figueiredo Lopes, Raquel Barbosa de la Silva, Renata Carleial de Casimiro Otto, Rita de Cássia de Mattos; tesis - Claudia Penha dos Santos, Eliane Marchesini Zanatta, Luciana Menezes de Carvalho y Tania Maria Rodrigues de França; además de las disertaciones de maestría de Raquel França Garcia Augustinno, en la Maestría del Programa de Posgrado en Ciencia de la Información de la Universidad Federal de Minas Gerais, defendida en el 2017; de Clovis Carvalho Britto y Zamana Brisa Souza Lima, ambas en el Programa de Posgrado en Museología de la Universidad Federal de Bahía, defendidas en el 2016; y, finalmente, la tesis de doctorado de Marina Roriz Rizzo Lousa da Cunha, defendida en el 2016, en el Programa de Posgrado en Sociología, de la Universidad Federal de Goiás.

Deseamos a todos una lectura placentera y académicamente provechosa.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Editores científicos