Museologia e Patrimônio




A Revista Museologia e Patrimônio é um periódico eletrônico semestral vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio (UNIRIO/MAST). Dedica - se à divulgação e disseminação da produção científica com ênfase à Museologia e aos estudos do Patrimônio, em sua diversidade de abordagem e campos disciplinares.

O periódico começou a circular no ano de 2008 e desde sua criação tem se preocupado com a normalização e qualificação da produção científica publicada e manutenção da sua periodicidade.

A publicação é editada pelo Programa de Pós Graduação em Museologia e Patrimônio (UNIRIO/MAST) e aceita contribuições de artigos científicos, resenhas, relatos e revisões, além de republicar textos e documentos clássicos ou raros na área de atuação da revista.

A Revista Museologia e Patrimônio está disponível gratuitamente e utiliza o software livre SEER/OJS – Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas. Atualmente está indexada nas seguintes bases: Latindex, Incluída no Ulrich's Periodicals Directory , EBSCO Publishing Inc. e no Directory of Open Access Journals – DOAJ, assegurando sua ampla visibilidade pela comunidade acadêmica.

O código DOI (Digital Object Identifier) da CrossRef, prefixo 10.52192, no Museu de Astronomia e Ciências Afins, foi atribuído a cada artigo publicado na Revista Museologia e Patrimônio, a partir do ano de 2020.

ISSN: 1984-3917

Índice de citação de artigos: Google Acadêmico

H5 - 14 (todos)/ 11 (Desde 2017)

I10 - 17(todos)/ 12 (Desde 2017)






APRESENTAÇÃO/ Vol. 17, No 1 (2024)

É com satisfação que apresentamos o primeiro número de Museologia e Patrimônio de 2024 que traz contribuições nas seções Artigos, Relatos de Experiência e Resenhas, contemplando conjunto diversificado de temáticas e abordagens.

A revista se inicia, na seção Artigos com texto proveniente da Universidade Federal de Pelotas, uma das cidades que foi atingida pela inundação que assolou o estado do Rio Grande do Sul entre o final de abril e início de maio deste ano. De autoria de Roberto Heiden e tendo como fonte principal de inspiração o Museu do Doce em Pelotas, aborda a arte do recorte de papel que, antigamente, era utilizada como adorno para a decoração individualizada de pequenos doces tradicionais da cidade de Pelotas e hoje é reconhecida como uma tipologia específica denominada "Pelotino". O estudo revelou, entre outros aspectos, que com maior frequência esses recortes estavam associados a bolos e caixas de bolo, com dimensões predominantemente menores e muitas vezes dispostos de forma diferente em relação aos seus homólogos. Trata-se de trabalho manual com características artísticas, expressão da cultura material que surgiu no contexto de um patrimônio imaterial. No presente, os recortes em papel que se denominam pelotines são mais um dentre os tantos elementos dessa memória sedimentada como tradição, trata-se de algo que se reinventa, que pode ser lembrado ou mesmo esquecido/invisibilizado. O segundo artigo, de autoria de Carlos Augusto Ribeiro Jotta, trás um recorte sobre a formação da coleção de mineralogia da antiga Escola de Minas de Ouro Preto (EMOP), atual Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto. O objetivo da pesquisa foi mapear a trajetória da coleção, desde a sua entrada até a musealização das amostras. O trabalho e a pesquisa de campo realizados pelos alunos da EMOP proporcionaram a entrada de aproximadamente 25 mil espécimes minerais na coleção. A sua constituição em coleção museológica, em 1935, e abertura ao público geral, na década de 1970, apontam para o reconhecimento da importância científica das coleções mineralógicas para a história da EMOP e para o reconhecimento do ensino e da pesquisa. Em seguida, Ozias de Jesus Soares e Zita Rosane Possamai são autores do trabalho “Ainda sobre a Mesa Redonda de Santiago: considerações sobre o conceito de território e suas reverberações”, que se inscreve num movimento de comemoração do cinquentenário da Mesa Redonda de Santiago do Chile, para tecer considerações em torno dos usos e acepções, presença e ausência do debate sobre território e museus instaurado desde então. Os autores, sem desprezar a riqueza advinda com a noção de comunidade para acionar forças coletivas, afirmam que vale realçar não apenas ser possível, mas urgente, que os museus (dos mais variados tipos) se apropriem da categoria território como força interpretativa e aglutinadora de sua inserção nas necessárias transformações demandadas por nosso tempo. O quarto texto, elaborado por Geovana Erlo e Ana Carolina Gelmini de Faria, analisa a participação da comunidade do bairro Galópolis, localizado na zona sul da cidade de Caxias do Sul (Rio Grande do Sul), através dos processos de musealização do território, estimulando seu compromisso com a gestão do patrimônio. Ancora-se em métodos da Arqueologia industrial e da pesquisa-ação para a compreensão da dinâmica museal, articulando a história oral, a análise documental, iconográfica e de conteúdo com realização de inventário participativo para identificar uma perspectiva integradora que fomente a autogestão de uma comunidade enquadrada no âmbito de panorama industrial paternalista. As autoras concluem que o acesso às novas fontes históricas, sua transformação em informação e a consequente divulgação (seja ela científica ou não) trazem a possibilidade de reformular a percepção dos moradores e ex-moradores acerca de si mesmos e sua coletividade. Todavia, este objetivo somente será alcançado mediante a gestão comunitária da informação e da produção de conhecimento. Em seguida, Luisa Massarani, Felipe Dias, Graziele Scalfi e Cristina Luis apresentam o texto intitulado "Interações e conversas familiares em visita à exposição imersiva “Variações Naturais: uma viagem pelas paisagens de Portugal”. O estudo, qualitativo e exploratório, analisa conversas e interações familiares durante visita à citada exposição do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa. Os autores buscaram entender, por meio das conversas e interações, como uma exposição interativa, de caráter imersivo, impacta nas experiências de aprendizagem, na conexão emocional com a natureza, e outros aspectos comportamentais das experiências dos visitantes. Quatro grupos, totalizando 16 pessoas (oito adultos e oito crianças), participaram do estudo, tendo as suas visitas sido gravadas com uma câmera subjetiva. Os autores concluem que as conversações mais frequentes foram sobre temáticas científicas, muitas vezes desencadeadas pela relação que os visitantes estabeleciam com os animais expostos. Além disso, foi possível observar que a experiência imersiva fez os grupos familiares se engajarem mais com os conteúdos da exposição. O sexto texto, produzido por Elias Palminor Machado e Renata Cardozo Padilha, analisa a experiência de implementação do repositório digital Tainacan no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), com foco no uso do tesauro Art&Architecture Thesaurus (AAT) do Getty Research Institute. O objetivo da pesquisa foi investigar a aplicabilidade do AAT, um sistema de organização do conhecimento desenvolvido em outro país e idioma (inglês americano), em instituição de arte contemporânea brasileira. A pesquisa adotou abordagem qualitativa e quantitativa, utilizando técnicas bibliográficas e documentais para examinar a aplicação do AAT como vocabulário controlado para 3 metadados do conjunto do repositório digital do MACRS. Os resultados evidenciaram que a adoção do AAT como um padrão de valor de dados já se mostra viável para certos metadados. Entretanto, também apontam para a necessidade de revisão criteriosa dos termos para os quais não se identificou equivalência no AAT. No texto seguinte, Eva Castro e Luciana Costa analisaram parcela do público do Museu de Arte Sacra Escritor Maximiano Campos, situado em Goiana, Pernambuco, através do método de estudo de público em museus. O procedimento empregado configura a pesquisa como bibliográfica e descritiva, com abordagem qualitativa e quantitativa. Utilizou-se questionário como instrumento de coleta de dados, aplicado aos estudantes dos cursos de cultura ofertados pela unidade do Serviço Social do Comércio em Goiana. As autoras concluíram que as experiências que partem de um público diverso e plural contribuem para reflexões acerca do patrimônio sacro pertencente ao Museu de Arte Sacra Escritor Maximiano Campos. No oitavo texto, Gabriela de Oliveira Gobbi, Maira Cristina Grigoleto e Felipe Ferreira Barros Carneiro mapearam a produção de artigos científicos e eventos sobre Educação Patrimonial indexados na Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação. A pesquisa foi de natureza quanti-qualitativa e exploratória, com a utilização do método dos estudos métricos da informação, a partir de análises dos textos, contemplando todo o período de cobertura da base de 1972 a 2022. Foi possível constatar a quantidade de publicações na área da Ciência da Informação; o período mais produtivo e as tendências contemporâneas; as áreas de formação dos autores e o quanto eles produzem; os canais de comunicação científica que divulgam os resultados destas pesquisas; as subáreas e áreas afins da CI que a temática mais se aproxima. Verificou-se também que a produção científica no Brasil sobre o tema ainda se apresenta de forma tímida na produção científica da CI. O último texto desta seção é de autoria de Laís Barbudo Carrasco e Silvana Aparecida Borsetti Gregorio Vidotti, onde foi investigada a aplicação da norma SPECTRUM na documentação e catalogação de objetos do patrimônio cultural, enfocando sua importância na representação, preservação, organização e acesso às coleções museológicas. O método deste estudo envolve abordagem teórica centrada na revisão de literatura e na análise da documentação técnica da Collections Trust, visando obter compreensão aprofundada da norma, incluindo suas diretrizes, propósitos e impactos na documentação e gestão de acervos museológicos. Verificou-se que a adoção do padrão SPECTRUM é apresentada como maneira de simplificar a representação abrangente, padronizada e responsável dos objetos de patrimônio cultural, valorizando a pesquisa, o estudo e a compreensão coletiva do patrimônio compartilhado.

A seção Relatos de Experiência temos dois textos. O primeiro, de autoria de Enne Rebeca Silva de Freitas, Alegria Benchimol e Fernando de Assis Rodrigues, aborda o uso de hashtags do MuseumWeek em 2022-2023, no serviço de rede social OnlineX. Trata-se de pesquisa com abordagem quali-quantitativa, de caráter descritivo, com procedimento metodológico ancorado em estudo de caso, com abordagem altimétrica, aplicando uma análise estatística descritiva. O universo da pesquisa é o evento MuseumWeek nos Serviços de Redes Sociais Online, com amostra delimitada às publicações e às hashtags utilizadas nos anos de 2022 e 2023 no X (antigo Twitter). Verificou-se que as hashtags são componentes importantes na divulgação científica contemporânea, porém há necessidade de coleta de dados constante para a formação de série histórica, pois não é possível a coleta de dados de anos anteriores. O segundo texto, produzido por Adriana Mortara Almeida, Nilzilene Imaculada Lucindo, Edilene de Assis Simões e Avelar, Luidy Siqueira Santos e Rayssa Soares Nunes, tem por objetivo analisar os registros do agendamento de visitas de grupos ao Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais, nos anos de 2018 e 2019. Entre os resultados obtidos, 86,8% das instituições que solicitaram a visita a realizaram; a procura maior pelo Museu de História Natural e Jardim Botânico é pelo público escolar (86,1%), com destaque para as instituições de ensino público e para os alunos que estão matriculados nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Finalmente, na seção Resenhas , Amanda Moura da Costa apresenta o livro Memorializing the Holocaust in Human Rights Museums, de autoria de Katrin Antweiler, que avança na discussão sobre a memória do Holocausto, com a premissa de que "exposições e programas educativos sobre o Holocausto são cada vez mais concebidos para promover os valores fundamentais da democracia liberal e visam criar um sentido de responsabilidade amplamente partilhada pela sociedade e pela humanidade em geral".

Desejamos que os tempos futuros sejam de paz e melhores condições de vida para todos, que somente serão atingidos com ampla compreensão de que apenas juntos poderemos lograr alcançar esses objetivos. Finalmente, que tenham leitura prazerosa e academicamente proveitosa do conteúdo de mais este número de M&P.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Editores científicos


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