Museologia e Patrimônio




A Revista Museologia e Patrimônio é um periódico eletrônico semestral vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio (UNIRIO/MAST). Dedica - se à divulgação e disseminação da produção científica com ênfase à Museologia e aos estudos do Patrimônio, em sua diversidade de abordagem e campos disciplinares.

O periódico começou a circular no ano de 2008 e desde sua criação tem se preocupado com a normalização e qualificação da produção científica publicada e manutenção da sua periodicidade.

A publicação é editada pelo Programa de Pós Graduação em Museologia e Patrimônio (UNIRIO/MAST) e aceita contribuições de artigos científicos, resenhas, relatos e revisões, além de republicar textos e documentos clássicos ou raros na área de atuação da revista.

A Revista Museologia e Patrimônio está disponível gratuitamente e utiliza o software livre SEER/OJS – Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas. Atualmente está indexada nas seguintes bases: Latindex, Incluída no Ulrich's Periodicals Directory , EBSCO Publishing Inc. e no Directory of Open Access Journals – DOAJ, assegurando sua ampla visibilidade pela comunidade acadêmica.




APRESENTAÇÃO/ Vol. 12, No 2 (2019)

O novo número de Museologia e Patrimônio (M&P), complementando seu papel de divulgar pesquisas científicas, registra um ano do incêndio que acometeu o Museu Nacional (MN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no dia 02 de setembro de 2018. Além de dois textos relacionados a estudos sobre o MN, a capa da revista apresenta nossa homenagem à instituição de referência para o campo museológico, com imagem de objetos que faziam parte de uma de suas coleções. Pouco tem sido veiculado sobre a situação do Museu mesmo com um acontecimento tão recente, mas seus funcionários continuam no trabalho árduo e cotidiano de reconstrução das suas instalações físicas. No entanto, vivemos um momento de profunda crise que, provavelmente, já está ou irá interferir nesse processo. Os eventos que se abatem sobre nosso país, comprometendo a educação, a ciência, a tecnologia e o ambiente natural, entre outros, juntam-se ao panorama de terra arrasada que se avizinha. A editoria da revista expressa sua preocupação e exorta alunos, pesquisadores e professores que não desistam diante das dificuldades do nosso dia a dia e continuem firmes na busca e defesa do estado democrático, do ensino gratuito de alto nível para toda a população e do desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro independente e voltado para as necessidades do nosso país.

Este número apresenta textos diversificados nas seções de Artigos e Relatos de Experiências. Iniciando a seção de Artigos , Lucia Santa Cruz apresenta análise de publicações, em redes sociais, de frequentadores do Museu Nacional, através de suas postagens, após o incêndio que destruiu o prédio e grande parte do seu acervo. O principal resultado do estudo foi verificar as memórias construídas a partir de experiências diversas no MN, evidenciando a capacidade deste lugar de não apenas preservar vestígios materiais, mas de articular novas memórias pessoais, que se misturam e impregnam às memórias coletivas. Em seguida, Thais Helena Almeida e Regina Maria do Rego Monteiro de Abreu, ainda sobre o tema da memória, constroem uma análise da Biblioteca Nacional e das memórias dos profissionais da preservação do acervo bibliográfico entre 1880 a 1980. Nesse sentido, refletem como ações e mudanças de perspectiva da preservação do acervo foram influenciadas pela trajetória do pensamento internacional e de que forma estas memórias são capazes de elucidar a projeção da instituição. no âmbito da cultura preservacionista. Concluíram que estes profissionais surgiram de uma necessidade institucional, apoiando-se em práticas orientadas por teorias e pensamentos internacionais, tendo sua trajetória contribuído para projetar a instituição como principal disseminadora de uma cultura preservacionista no âmbito dos acervos bibliográficos no Brasil. No terceiro artigo, Josiane Kunzler e Deusana Maria da Costa Machado abordam o patrimônio paleontológico, discutindo que a sua preservação poderá se dar de forma mais inclusiva e proativa, com um retorno ao ambiente integral do qual os fósseis foram removidos ao serem convertidos em patrimônio. A situação atual caracterizada pelas autoras não se restringe à realidade brasileira, mas parece estar relacionada a um aspecto estrutural global do processo científico de patrimonialização, já que os atores e os instrumentos utilizados levam somente a uma interpretação possível dos fósseis. O quarto artigo deste volume é de autoria de Priscila Gonçalves Ferreira da Silva e Dione da Rocha Bandeira e se debruça sobre fatos relacionados à vida de Guilherme Tiburtius, colecionador e arqueólogo amador que reuniu mais de 12 mil peças arqueológicas e etnográficas que hoje fazem parte do acervo do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville. Este colecionador pesquisou e dialogou com os mais diversos campos do conhecimento, produzindo informações significativas, tanto para os simpatizantes e curiosos da Arqueologia quanto para as pesquisas científicas. Assim, fez-se necessário o reconhecimento do seu trabalho, da sua sensibilidade, intuição e a perspicácia de um homem do seu tempo. O artigo seguinte é de autoria de Leonardo Hermes Lemos e Cezar Karpinski abordando, a partir de pesquisa bibliográfica, a representação da informação em ecomuseus, entendendo o objeto museológico como documento, na forma estabelecida por Otlet. Assim, transita na interface entre a Ciência da Informação (CI) e a Museologia. Pela pesquisa nas fontes secundárias escolhidas pelos autores, é perceptível a ligação entre aspectos como cultura e patrimônio cultural, mas não quando se trata de processos como a informação em museus. Isso requer trabalhos futuros envolvendo o museu enquanto unidade de informação, considerando principalmente os ecomuseus. A atenção a esta categoria de museus se deve ao fato de que estabelece uma relação específica entre público e patrimônio cultural/natural, quando, então, as pessoas participam mais ativamente do cotidiano da instituição e, consequentemente, na forma de interagir com a informação dos objetos, do território e da comunidade. Lucimery Ribeiro e Danila Cal, no artigo seguinte, fazem análise dos processos comunicacionais on-line estabelecidos pelo Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA), junto aos seus públicos e equipe técnica. As autoras utilizaram a observação direta assistemática e sistemática nas redes sociais Facebook e Instagram , apropriadas pelo Museu, e entrevistas a partir de roteiros semiestruturados junto aos sujeitos envolvidos na produção e circulação dos conteúdos publicados nos ambientes virtuais ligados ao Museu. Os resultados da pesquisa mostraram ampliação e fortalecimento dos laços sociais locais estabelecidos virtualmente, por meio da prática de postagens cujos conteúdos retratam aspectos regionais e cenas do dia-a-dia da instituição. O sétimo texto, de autoria de Juliana Prestes Ribeiro de Faria e Marco Antônio Penido Rezende, discute a ação de um grupo de arquitetos (Carlo Scarpa, Franco Albini, Studio BBPR, entre outros) na Itália nos anos de 1950, que produziam exposições com obras de arte contextualizadas, lançando um convite de ampla fruição e compreensão para os visitantes. A análise pormenorizada dos projetos destas exposições ofereceu a possibilidade de elencar os princípios norteadores: o respeito à proporção dos objetos em relação ao espaço; a contextualização da obra de arte, sendo que quando necessário deve-se projetar superfícies, suportes e cenários que sejam capazes de acomodá-la e destacá-la; e, por fim, o acolhimento e tratamento da luz natural como forma de iluminação das exposições. Em seguida, Helena Thomassim Medeiros, Juliane Conceição Primon Serres e Diego Lemos Ribeiro refletem sobre a preservação e apresentação, em forma de exposição, dos vestígios materiais de histórias e memórias vinculadas ao Hospital Colônia Itapuã (HCl), considerando os objetos expostos no Memorial HCI como representantes dessas memórias. No ano de 2014, foi inaugurado o Memorial para apresentar a história da instituição e de seus pacientes, usando objetos testemunhos, textos, itens cenográficos e mediação. Os autores concluem que uma das principais dualidades na criação de espaços de memória em lugares de sofrimento pode ser observada nesta iniciativa, pois ao mesmo tempo em que há vontade de transmitir esta história para conscientizar a população, há necessidade de precauções para não cruzar a linha tênue que divide o que é individual do público. O último artigo, de autoria de Eurípedes Gomes da Cruz Junior, também se debruça sobre tema relacionado à materialidade de grupos excluídos, em especial pacientes de instituições psiquiátricas. Nesse caso, o texto pretende dar a conhecer as primeiras exposições da coleção organizada por Nise da Silveira que veio a constituir o acervo do Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro. Salienta-se a qualidade estética das obras e o engajamento da vanguarda artística carioca – críticos e artistas - criando o ambiente favorável para que as obras de pacientes psiquiátricos, produzidas no âmbito de um espaço terapêutico, chegassem às galerias e logo subissem às paredes dos museus de arte brasileiros. A coleção, que viria a conquistar público expressivo em todas suas exposições, tornou-se a maior do mundo no gênero e grande parte das obras foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 2003.

Na seção Relatos de Experiência , o primeiro texto é de autoria de Bianca Luiza Freire de Castro França e se debruça sobre a possibilidade de preservação digital dos acervos etnográficos do Museu Nacional. Inclui uma breve análise das perdas e danos desse acervo, além de listar um conjunto de medidas básicas para preservação e segurança de acervos culturais, em caso de sinistros com fogo e no contexto dos projetos de preservação e digitalização do acervo do Setor de Etnologia e Etnologia do Museu Nacional. Em seguida, Nara Rúbia de Carvalho Cunha, Cyntia Simioni França e Alexandre Augusto de Oliveira refletem sobre o potencial educativo dos museus para a produção de conhecimento, abordando a incorporação das experiências vividas, em especial aquelas edificadas em diálogo com o espaço urbano, e o respeito à inteireza dos sujeitos da educação, isto é, assumindo suas dimensões racionais e sensíveis. Os autores relatam que os usos dos patrimônios culturais e dos lugares de memória têm promovido, grande parte das vezes, a perpetuação de visões homogêneas do vivido, em detrimento da pluralidade de histórias e memórias. O terceiro relato, de autoria de Janaina Silva Xavier, Alessandra Ribeiro Magalhães, Amanda Dezembre Santos e Elaine Medeiros do Nascimento Cordeiro, discute o princípio de falso histórico apresentado por Cesare Brandi e como tal teoria se relaciona com a réplica da estação ferroviária do município de Artur Nogueira - SP. A estação construída em 1906 perdeu sua funcionalidade em 1960 e teve seu prédio demolido em 1978. Tempos depois, em 2011, inaugura-se uma réplica da construção. Segundo os autores, torna-se impossível a validade desta réplica como patrimônio histórico para a cidade. A nova arquitetura pode apenas representar uma imagem distorcida da estação ferroviária sem, contudo, recuperar aspectos afetivos, simbólicos e identitários. Finalmente, o último texto da revista, de autoria de Cláudia Maria Alves Vilhena e Célia da Consolação Dias, relata experiência vivenciada no Centro de Memória da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais - FALE-UFMG, na sua inauguração e processo de montagem da primeira exposição. As autoras ressaltam a aproximação do Centro de Memória com os outros centros da Universidade, de forma trocar experiências, realizar empréstimos entre os acervos e as coleções institucionais e fundamentalmente para trabalhar no fortalecimento dos museus universitários e do patrimônio científico.

Desejamos a todos uma leitura prazerosa e academicamente proveitosa.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Editores científicos

FOREWORD/ Vol. 12, No 2 (2019)

This new issue of Museologia e Patrimônio (M&P), parallel to its role in divulging scientific research, here marks the anniversary of the fire that destroyed Museu Nacional (National Museum), run by the Federal University of Rio de Janeiro, on September 2, 2018. Not only does it include two texts on studies related to this museum, but the front cover pays tribute to this institution of reference in the field of museology, with images of objects from one of its collections. Little has been heard in the media about the status of the museum, even though the events took place so recently, but the fact is that its employees continue to undertake the painstaking work of reconstructing its physical premises. Yet the country is now going through a profound crisis which, if it is not already interfering in this process, is very likely to. The events that are afflicting our country, affecting our education system, science, technology, and natural environment, amongst others, are now compounded by encroaching swathes of scorched earth. We, the journal’s editors, express our deepest concern and call on students, researchers, teachers, and professors not to lose heart in the face of the difficulties of our daily life and to remain steadfast in their quest for and defence of the rule of law, high-quality free education for all, and the independent development of Brazilian science and technology geared towards the country’s needs.

This issue brings a broad array of texts in the sections on Articles and Experience Reports. The first Article is by Lucia Santa Cruz, who presents an analysis of social media posts by visitors to Museu Nacional after the fire that destroyed the museum and part of its collection. The main finding concerns the memories constructed through a diversity of experiences of the museum, showing its capacity not just to preserve material remains, but also to spawn new personal memories, which intertwine with and permeate collective memories. The second paper, by Thais Helena Almeida and Regina Maria do Rego Monteiro de Abreu, also addresses memory, this time in an analysis of Biblioteca Nacional (National Library) and the memories of the professionals working in the preservation of its archive between 1880 and 1980. They reflect on how actions and changes in perspective in the archive’s preservation were influenced by changes in international thinking and how these memories are capable of elucidating the institution’s projection in the ambit of a culture of preservation. They conclude that these professionals emerged out of an institutional need, drawing on practices guided by international theories and approaches, and their trajectory contributed to raise the institution’s standing as the primary hub for the dissemination of a culture of preservation in the ambit of library archives in Brazil. In the third article, Josiane Kunzler and Deusana Maria da Costa Machado look into paleontological heritage, questioning whether it could be preserved in a more inclusive, proactive way, bringing back the holistic environment from which fossils are removed when they are musealised. The current situation, as described by the authors, is not restricted just to Brazil, but seems to be indicative of a more global structural expression of the scientific process of patrimonialisation, since the actors involved and the instruments used lead only to one possible interpretation of fossils. The fourth article, by Priscila Gonçalves Ferreira da Silva and Dione da Rocha Bandeira, addresses the life of the amateur archaeologist and collector Guilherme Tiburtius, who amassed over 12,000 archaeological and ethnographic objects, which are today kept at Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (Joinville Shell Mound Archaeological Museum). Tiburtius researched and corresponded with the most diverse fields of knowledge, producing significant information not only for archaeology enthusiasts, but also for scientific research. This is what underlies this effort to give due recognition to his work, as well as his sensitivity, intuition, and insightfulness as a man of his time. The following article, by Leonardo Hermes Lemos and Cezar Karpinski, is based on a literature review to present information on ecomuseums, understanding the museum object as a document, as established by Otlet, which places it at the threshold between Information Science and Museology. The research of the secondary sources chosen by the authors reveals a clear connection between aspects like culture and cultural heritage, but not when it comes to processes like information in museums. This requires future work which takes museums as units of information, particularly in the case of ecomuseums. Focus on this kind of museum is justified by the fact that it establishes a specific relationship between the public and cultural/natural heritage, enabling people to take a more active part in the institution’s work and thus to interact with the information contained in the objects, the territory and the community. Following this article is one by Lucimery Ribeiro and Danila Cal, who analyse the online communication of Museu da Universidade Federal do Pará (Museum of the Federal University of Pará) with its different audiences and staff members. The authors use direct asystematic and systematic observation of the social media platforms Facebook and Instagram as appropriated by the museum, as well as semi-structured interviews with the subjects involved in the production and circulation of the museum-related content posted online. The findings indicate the strengthening and expansion of social ties via online actions through posts whose content reflects regional information and behind-the-scenes information on the museum. The seventh article, by Juliana Prestes Ribeiro de Faria and Marco Antônio Penido Rezende, discusses the work of a group of architects (Carlo Scarpa, Franco Albini, Studio BBPR, and others) in the 1950s in Italy, where they produced exhibitions of contextualized artworks, offering visitors an unprecedented opportunity for understanding. The detailed analysis of the exhibition designs reveals the main guiding principles: respect for the proportion of the objects vis-à-vis the space; the contextualization of the artworks, including the design of specific surfaces, stands or scenic elements to support or feature them when necessary; and the use and treatment of natural light to light exhibitions. Next, Helena Thomassim Medeiros, Juliane Conceição Primon Serres and Diego Lemos Ribeiro reflect on the preservation and exhibition of the material remains of histories and memories linked to the psychiatric institution Hospital Colônia Itapuã (Itapuã Colony Hospital), taking the objects exhibited at its memory centre as representatives of these memories. In 2014, the memory centre was set up to represent the history of the institution and its patients, using objects as witnesses, texts, set designs and mediation. The authors conclude that one of the commonest dualities found in memory spaces at places of suffering can be observed in this initiative: while there is a desire to keep the history alive and raise awareness amongst the population, care must be taken not to cross the fine line between what is personal and what is public. The final paper, by Eurípedes Gomes da Cruz Junior, also reflects on the materiality of excluded groups, especially patients from psychiatric institutions. In this case, the text brings to light the first exhibitions from the collection organised by Nise da Silveira, which formed the core of the collection at Museu de Imagens do Inconsciente (Museum of Images from the Unconscious), in Rio de Janeiro. He stresses that the aesthetic quality of the artworks and the involvement of the city’s avant-garde – artists and critics alike – conspired to create a favourable environment where the work of psychiatric patients produced in a therapeutic setting could be exhibited at art galleries and then on the walls of Brazilian art museums. The collection, which won over audiences wherever it was shown, is the biggest of its kind in the world. Most of the works were listed by the Brazilian heritage protection agency, IPHAN, in 2003.

In the Experience Reports section, the first text is by Bianca Luiza Freire de Castro França, who looks into the possibility of digitally preserving the ethnographic collections of Museu Nacional. It includes a brief analysis of the losses and damage to this collection and lists a set of basic measures for the preservation and safeguard of such collections against fires and in the context of projects for the preservation and digitalization of the collection from the museum’s Ethnology and Ethnography department. In the second report, Nara Rúbia de Carvalho Cunha, Cyntia Simioni França and Alexandre Augusto de Oliveira reflect on the educational potential of museums for the production of knowledge, incorporating lived experiences, especially ones experienced in interaction with the urban space, and respect for the integrity of the subjects of education, which means respecting their rational and emotional faculties. The use of cultural heritage and places of memory has tended to perpetuate homogenised views of experiences, to the detriment of the plurality of histories and memories. The third report, by Janaina Silva Xavier, Alessandra Ribeiro Magalhães, Amanda Dezembre Santos and Elaine Medeiros do Nascimento Cordeiro, discusses the principle of historical falsehood, coined by Cesare Brandi, and how this theory relates to the replica of Artur Nogueira railway station, in the state of São Paulo. Built in 1906, the station was disused in 1960 and its building was demolished 18 years later. In 2011, a replica of the building was inaugurated. According to the authors, it is impossible to validate this replica as historical heritage. The new architecture can do no more than represent a distorted image of the railway station, but without bringing back any of the associated affective, symbolic, or identity connotations. The last experience report is by Cláudia Maria Alves Vilhena and Célia da Consolação Dias, who discuss the events at the memory centre of the Faculty of Letters, Federal University of Minas Gerais, in its inauguration and in the run-up to its first exhibition. They stress the links between the memory centre and other centres at the university in the exchange of experiences, the loaning and borrowing of items from institutional archives and collections and, most importantly, in strengthening the position of university museums and scientific heritage.

We wish you a pleasant and academically rewarding read.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Scientific editors

PRESENTACIÓN/ Vol. 12, No 2 (2019)

El nuevo número de Museologia e Patrimônio (M&P), complementa su papel de divulgar las investigaciones científicas y registra un año del incendio sufrido por el Museo Nacional (MN) de la Universidad Federal de Río de Janeiro, el día 2 de septiembre de 2018. Además de dos textos relacionados con estudios sobre el MN, la portada de la revista presta nuestro homenaje a la institución de referencia para el campo museológico, con imagen de objetos que formaban parte de una de sus colecciones. Poco se ha publicado sobre la situación del Museo, aún con un acontecimiento tan reciente, pero sus funcionarios continúan en el trabajo arduo y cotidiano de reconstruir sus instalaciones físicas. No obstante, vivimos un momento de crisis profunda que, probablemente, ya está interfiriendo o va a interferir en este proceso. Los eventos que azotan nuestro país, comprometiendo la educación, la ciencia, la tecnología y el ambiente natural, entre otros, se juntan al panorama de tierra arrasada que se avecina. La editora de la revista expresa su preocupación y exhorta a los alumnos, investigadores y profesores a no desistir ante las dificultades de nuestro día a día y a continuar firmes en la búsqueda y defensa del estado democrático, de la educación gratuita de alto nivel para toda la población y del desarrollo científico y tecnológico brasileño independiente y orientado a las necesidades de nuestro país.

Este número presenta textos diversificados en las secciones de Artículos y Relatos de Experiencias. Iniciando la sección de Artículos , Lucia Santa Cruz presenta el análisis de publicaciones, en redes sociales, de los frecuentadores del Museo Nacional, a través de sus mensajes, luego del incendio que destruyó sus instalaciones y gran parte de su acervo. El principal resultado del estudio fue verificar las memorias construidas a partir de experiencias diversas en el MN, evidenciando la capacidad de este lugar de no solo preservar vestigios materiales, sino de articular nuevas memorias personales, que se mezclan e impregnan a las memorias colectivas. En seguida, Thais Helena Almeida y Regina Maria do Rego Monteiro de Abreu, aún sobre el tema de la memoria, construyen un análisis de la Biblioteca Nacional y de las memorias de los profesionales de la preservación del acervo bibliográfico entre 1880 a 1980. En este sentido, reflejan cómo las acciones y los cambios de perspectiva de la preservación del acervo fueron influenciados por la trayectoria del pensamiento internacional y de qué forma estas memorias son capaces de elucidar la proyección de la institución en el ámbito de la cultura preservacionista. Las autoras concluyeron que estos profesionales surgieron de una necesidad institucional, apoyándose en prácticas orientadas por teorías y pensamientos internacionales, habiendo su trayectoria contribuido para proyectar la institución como principal diseminadora de una cultura preservacionista en el ámbito de los acervos bibliográficos en Brasil. En el tercer artículo, Josiane Kunzler y Deusana Maria da Costa Machado abordan el patrimonio paleontológico, discutiendo su preservación que podrá darse de forma más inclusiva y proactiva, con un retorno al ambiente integral del cual se retiraron los fósiles al convertirse en patrimonio. La situación actual caracterizada por las autoras no se restringe a la realidad brasileña, sino que parece estar relacionada con un aspecto estructural global del proceso científico de patrimonialización, ya que los actores y los instrumentos utilizados llevan solamente a una interpretación posible de los fósiles. El cuarto artículo de este volumen es de autoría de Priscila Gonçalves Ferreira da Silva y Dione da Rocha Bandeira y aborda los hechos relacionados con la vida de Guilherme Tiburtius, coleccionador y arqueólogo aficionado que reunió más de 12 mil piezas arqueológicas y etnográficas que hoy forman parte del acervo del Museo Arqueológico de Sambaqui de Joinville. Este coleccionador investigó y dialogó con los más diversos campos del conocimiento, produciendo información significativa, tanto para los simpatizantes y curiosos de la Arqueología como para las investigaciones científicas. Por este motivo, se hizo necesario el reconocimiento de su trabajo, su sensibilidad, intuición y la perspicacia de un hombre de su tiempo. El artículo siguiente es de autoría de Leonardo Hermes Lemos y Cezar Karpinski que abordan, a partir de la investigación bibliográfica, la representación de la información en ecomuseos, entendiendo al objeto museológico como documento, en la forma que Paul Otlet estableció; transitando, así, en la interfaz entre la Ciencia de la Información (CI) y la Museología. Por la investigación en las fuentes secundarias escogidas por los autores, es perceptible la conexión entre aspectos como cultura y patrimonio cultural, pero no cuando se trata de procesos como la información en museos. Esto requiere trabajos futuros que involucren el museo como unidad de información, considerando principalmente los ecomuseos. La atención a esta categoría de museos se debe al hecho de que establece una relación específica entre público y patrimonio cultural/natural, en la cual las personas participan más activamente en el cotidiano de la institución y, consecuentemente, en la forma de interactuar con la información de los objetos, del territorio y de la comunidad. Lucimery Ribeiro y Danila Cal, en el artículo siguiente, analizan los procesos comunicacionales en línea establecidos por el Museo de la Universidad Federal de Pará (MUFPA) con sus públicos y equipo técnico. Las autoras utilizaron la observación directa asistemática y sistemática en las redes sociales Facebook e Instagram , apropiadas por el Museo, y las entrevistas a partir de guiones semiestructurados con los sujetos involucrados en la producción y circulación de los contenidos publicados en los ambientes virtuales relacionados al Museo. Los resultados de la investigación mostraron la ampliación y el fortalecimiento de los lazos sociales locales establecidos virtualmente, por medio de la práctica de mensajes cuyos contenidos retratan aspectos regionales y escenas del día a día de la institución. El séptimo texto, de autoría de Juliana Prestes Ribeiro de Faria y Marco Antônio Penido Rezende, discute la acción de un grupo de arquitectos (Carlo Scarpa, Franco Albini, Studio BBPR, entre otros) en la Italia de los años 1950, que producía exposiciones con obras de arte contextualizadas, lanzando una invitación de amplio disfrute y comprensión a los visitantes. El análisis detallado de los proyectos de estas exposiciones ofreció la posibilidad de enunciar los principios rectores: el respeto a la proporción de los objetos con relación al espacio; la contextualización de la obra de arte, siendo que cuando necesario se debe proyectar superficies, soportes y escenarios que sean capaces de acomodarla y destacarla; y, por último, el cuidado y tratamiento de la luz natural como forma de iluminación de las exposiciones. En seguida, Helena Thomassim Medeiros, Juliane Conceição Primon Serres y Diego Lemos Ribeiro reflexionan sobre la preservación y presentación, en forma de exposición, de los vestigios materiales de historias y memorias vinculadas al Hospital Colônia Itapuã (HCl), considerando los objetos expuestos en el Memorial HCI como representantes de dichas memorias. En el año de 2014, se inauguró el Memorial para presentar la historia de la institución y de sus pacientes, usando objetos, testimonios, textos, objetos escenográficos y mediación. Los autores concluyen que una de las principales dualidades en la creación de espacios de memoria en lugares de sufrimiento puede observarse en esta iniciativa, pues al mismo tiempo en que hay deseos de transmitir esta historia para concienciar a la población, hay también la necesidad de tomar precauciones para no cruzar la línea tenue que divide lo individual de lo público. El último artículo, de autoría de Eurípedes Gomes da Cruz Junior, también aborda el tema relacionado con la materialidad de grupos excluidos, en especial pacientes de instituciones psiquiátricas. En este caso, el texto pretende dar a conocer las primeras exposiciones de la colección organizada por Nise da Silveira que vino a constituir el acervo del Museo de Imágenes del Inconsciente, en Río de Janeiro. Cabe señalar la calidad estética de las obras y el compromiso de la vanguardia artística carioca –críticos y artistas– que crean el ambiente favorable para que las obras de pacientes psiquiátricos, producidas en el ámbito de un espacio terapéutico, llegasen a las galerías y luego ocupasen las paredes de los museos de arte brasileños. La colección, que vendría a conquistar un público expresivo en todas sus exposiciones, se convirtió en la mayor del mundo en su género y gran parte de las obras fue inscrita en el Instituto del Patrimonio Histórico y Artístico Nacional en 2003.

En la sección Relatos de Experiencia , el primer texto es de autoría de Bianca Luiza Freire de Castro França y aborda la posibilidad de preservación digital de los acervos etnográficos del Museo Nacional. Incluye un breve análisis de las pérdidas y daños de este acervo, además de listar un conjunto de medidas básicas para la preservación y seguridad de acervos culturales, en caso de siniestros con fuego y en el contexto de los proyectos de preservación y digitalización del acervo del Sector de Etnología y Etnografía del Museo Nacional. Enseguida, Nara Rúbia de Carvalho Cunha, Cyntia Simioni França y Alexandre Augusto de Oliveira reflexionan sobre el potencial educativo de los museos para producir conocimiento, abordando la incorporación de las experiencias vividas, en especial aquellas edificadas en diálogo con el espacio urbano, y el respeto a la integridad de los sujetos de la educación, es decir, asumiendo sus dimensiones racionales y sensibles. Los autores relatan que los usos de los patrimonios culturales y de los lugares de memoria están impulsando, la mayoría de veces, la perpetuación de visiones homogéneas de lo vivido, a expensas de la pluralidad de historias y memorias. El tercer relato, de autoría de Janaina Silva Xavier, Alessandra Ribeiro Magalhães, Amanda Dezembre Santos y Elaine Medeiros do Nascimento Cordeiro, discute el principio de falso histórico presentado por Cesare Brandi y cómo tal teoría se relaciona con la réplica de la estación ferroviaria del municipio de Artur Nogueira, en São Paulo. La estación construida en 1906 perdió su funcionalidad en 1960 y sus instalaciones se demolieron en 1978. Tiempo después, en 2011, se inaugura una réplica de la construcción. De acuerdo con los autores, es imposible dar validez a esta réplica como patrimonio histórico de la ciudad. La nueva arquitectura solo puede representar una imagen distorsionada de la estación ferroviaria, pero sin recuperar aspectos afectivos, simbólicos y de identidad. Finalmente, el último texto de la revista, de autoría de Cláudia Maria Alves Vilhena y Célia da Consolação Dias, relata una experiencia vivida en el Centro de Memoria de la Facultad de Letras de la Universidad Federal de Minas Gerais (FALE-UFMG), en su inauguración y proceso de montaje de la primera exposición. Las autoras resaltan el acercamiento del Centro de Memoria a los otros centros de la Universidad, como forma de intercambiar experiencias, realizar préstamos entre los acervos y las colecciones institucionales, y fundamentalmente para trabajar en el fortalecimiento de los museos universitarios y del patrimonio científico.

Deseamos a todos una lectura placentera y académicamente provechosa.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Editores científicos