Museologia e Patrimônio




APRESENTAÇÃO


É com imensa satisfação que lançamos mais um número da Revista Museologia e Patrimônio (M&P) – vol. 11, n.2, agosto/dezembro - 2018. Aproveitamos esse momento para agradecer a todos envolvidos no processo de produção da revista, especialmente a Bruno Araújo que realizou a formatação dos textos e publicação da revista. O esforço dos autores, pareceristas, revisores é fundamental na continuidade das nossas atividades. Muito do que já foi feito, e vem sendo realizado contribui para o aprofundamento, legitimação, valorização e divulgação de pesquisas na área de especialidade. Por último, cabe um agradecimento aos nossos leitores que sempre buscam em nossas bases os debates mais atualizados da Museologia e Patrimônio e possibilitam com suas leituras e compartilhamentos, alcançarmos resultados, cada vez mais positivos. Este número apresenta textos diversificados que perfazem 09 contribuições nas seções de Artigos e 02 Relatos de Experiências.

Na seção Artigos , os dois primeiros textos abordam temas centrais no atual contexto brasileiro, no qual os pressupostos básicos da Democracia estão fragilizados. Elisangela Machieski e Elton da Costa abrem a revista analisando a relação dialógica entre a exposição de longa duração e o público visitante do Memorial da Resistência em São Paulo. Para tanto, se debruçaram nos livros de visitas da Instituição entre os anos de 2009 e 2014, período em que temos a inauguração do Memorial e quando se completam os cinquenta anos da instauração da Ditadura Militar. Em seguida, Felipe Eleutério Hoffman e Maria Guiomar da Cunha Frota partem da constatação do surgimento de projetos e instituições de memória que têm como objetivo central atender a ações de reparação a acontecimentos traumáticos, violentos e de violação dos direitos humanos. Assim, a investigação desenvolvida para o artigo toma como enfoque três projetos de espaço de memória em processo de produção na cidade de Belo Horizonte, versando sobre acontecimentos e episódios de violação aos direitos humanos dentro de contextos de repressão e resistência. São eles: o Memorial da Anistia, o Memorial dos Direitos Humanos e o Espaço Comum Luiz Estrela. Tais experiências, de acordo com os autores, têm promovido novas formas de relacionamento com o espaço urbano, na medida que a materialidade dos locais selecionados ou a museografia construída pode mobilizar memórias que representem e transmitam a experiência da violência dos traumas abordados. Os quatro artigos seguintes exploraram as diversas facetas dos estudos da Museologia e do Patrimônio. O primeiro deles, de autoria Leonardo Civale e Luna Brum Nunes, traz à tona a dimensão da cidade e sua relação com os bens culturais, ao investigar a trajetória patrimonial do bairro da Luz, localizado no centro da cidade de São Paulo, com os órgãos envolvidos na sua caracterização como bem patrimonial (CONDEPHAAT, SPHAN/IPHAN). Os autores reconhecem as tramas que englobam os agentes responsáveis pela seleção e elaboração do patrimônio cultural e se propõem a entendê-lo como lugar de conflito. Os aspectos micros e macros da política e da prática de preservação nesse território podem contribuir para a reflexão de um processo maior, de esfera estadual ou nacional. No Artigo seguinte, Carolina Guedes explana sobre a importância das mídias sociais na divulgação do patrimônio arqueológico, tomando como estudo de caso a área rupestre da cidade de Pedra, em Rondonópolis, e do Sítio Mano Aroe, ambos no Mato Grosso. A utilização das plataformas sociais, para autora, mediadas pela internet, tornam possível a divulgação do conhecimento arqueológico de longo alcance, para além dos limites da academia. Assim, é apresentado o projeto de construção de modelos 3D, os elementos de criação de uma página web de divulgação do patrimônio arqueológico através de modelos 3D no Sketchfab . Defende-se que, a partir dessas ferramentas e técnicas, os arqueólogos possuirão formas práticas e objetivas de socializar o conhecimento gerado nas pesquisas arqueológicas para um público crescente e para além de um único espaço físico, gerando a extroversão do conhecimento. No texto seguinte, Paula Menino Homem compartilha uma série de reflexões que permitem um melhor entendimento quanto ao processo de escurecimento da prata, quer em contexto de reserva técnica quer de exposição. São apresentadas formas de manifestação e categorização de tipos de corrosão, assim como, são introduzidas as noções da química da corrosão atmosférica, relacionando-a com a presença e propriedades da água. Esta reflexão vem trazer uma contribuição ao trabalho de conservação deste tipo de material, na medida que apresenta esclarecimentos do fenômeno de transformação da matéria, sua relação com diferentes agentes, interações e respectivas consequências. Desta forma, proporcionando informações úteis e facilitadoras de como gerir objetos de prata, de modo a mitigar quaisquer fatores de deterioração. No artigo seguinte, Rosali Souza discorre sobre a importância dos Sistemas de Informação, sua evolução histórica, abordagens e tipificações, funções e dimensões. Isso se faz necessário para analisar o “Thesaurus de Acervos Científicos em Língua Portuguesa” como um exemplo de aplicação em coleções de museus e instituições de ciência. A iniciativa de criação deste tesauro é um exemplo significativo de como diferentes tipos de sistemas de organização do conhecimento podem trabalhar em conjunto em prol da satisfação de usuários na busca por informação. É também exemplo de como um sistema de organização do conhecimento atua no apoio ao registro, classificação e indexação de objetos em museus e instituições de ciência. Em seguida, temos um bloco com três artigos que dialogam sobre um tema em comum - a musealização. Abrindo este debate, Maria Lucia de Niemeyer Matheus Loureiro propõe uma reflexão dos objetos musealizados a partir da combinação dos estudos de cultura material, da abordagem biográfica e da metodologia do mapa conceitual. Ampliando o debate sobre a musealização, é apresentada a perspectiva do mapeamento conceitual como ferramenta de trabalho no campo dos museus, particularmente quando articulada aos estudos de cultura material e a abordagem biográfica. Seguindo com essa proposição, acredita-se que, a partir da análise conceitual, será possível iluminar aspectos antes negligenciados ou invisíveis dos objetos. No artigo seguinte, Bruno Brulon discute a centralidade do conceito de musealização nos estudos contemporâneos da Museologia, que em sua perspectiva possibilitará entender essa disciplina no âmbito das ciências sociais. Assim, apresenta as diferentes correntes de pensamento que definiram o tema na década de 1970 com Zbyněk Z. Stránský até as propostas conceituais mais recentes. Propondo o redirecionamento do foco das análises museológicas para a ação produzida pela musealização, o autor vislumbra o caminho de uma Museologia calcada na experiência dos estados simbólicos da realidade “elevada” pela performance museal. Fechando essa seção, Fabiana Comerlato, discute as baleias como objeto de musealização. Seu objetivo de pesquisa é compreender historicamente como as baleias são exibidas nos museus de história natural e museus de baleia. A partir da análise de algumas exposições em museus europeus e americanos, a autora aponta três formas de musealização da baleia ao longo da história dos museus: o esqueleto do espécime montado em conexão anatômica, os modelos em tamanho real e exibições virtuais das baleias. Desta forma, diferentes formas de musealização desta espécie agregam novas formas e narrativas que combinam esqueletos, modelos e reconstituições digitais que não necessariamente se excluem.

Na seção Relatos de Experiências, Alejandra Saladino apresenta os resultados e reflexões preliminares sobre uma experiência viabilizada pelo Programa Ibermuseus de Capacitação, por meio do qual pode realizar um projeto de residência no Museu Arqueológico Nacional da Espanha -MAN, tratando da temática do plano museológico. A residência permitiu constatar a grande e direta influência dos contextos políticos e econômicos sobre o planejamento dos museus. Assim sendo, uma instituição que desenvolve e executa seu plano museológico pode enfrentar esses momentos complicados com maior segurança e firmeza, pois o planejamento permite nortear as ações e o conjunto de prioridades de acordo com as possibilidades e necessidades orçamentárias e de recursos humanos. Por fim, temos o Relato de Patrícia Tany Posch sobre a Exposição [Co]Habitar na Casa da América Latina de Lisboa. A autora busca identificar como as obras de arte contemporânea da artista brasileira Lia Chaia e da artista portuguesa Andrea Brandão na exposição citada refletem, reforçam ou ressignificam a memória social brasileira que tem sido construída em consonância com os processos de construção da identidade nacional. A partir da identificação da manifestação de alguns aspectos que remetem a momentos históricos específicos que inflexionaram na construção da identidade brasileira, foi possível concluir que não só uma ideia de Brasil de outrora se perpetua em um campo subjetivo que inspirou as artistas, mas também a emergência de novas narrativas que têm na problematização social e no questionamento da supremacia cultural ocidental o seu ponto mais forte.

Desejamos a todos uma leitura prazerosa e academicamente proveitosa.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Editores científicos

FOREWORD


We are very pleased to launch the latest issue of Museologia e Patrimônio , vol. 11, n.2, August/December 2018. First of all, we should like to take this opportunity to thank all those involved in producing this journal, especially Bruno Araújo, who formatted the texts and the publication as a whole. The endeavours of the authors, referees and reviewers are indispensable for the continuation of our work. Much of what has already been done and continues to be done contributes to the development, legitimisation, appreciation and communication of research in this specialised area. Finally, special thanks go to our readers, who can always find out about the latest debates in museology and heritage in our current and back issues, and whose reading and sharing enable us to achieve increasingly positive results. This issue contains a variety of texts: nine articles and two experience reports.

In the Articles section, , the first two texts are on subjects of particular relevance in current-day Brazil, where the founding assumptions of democracy are being undermined. The first paper analyses the dialogical relationship between the permanent exhibition and the visiting public to the Memorial of Resistance (Memorial da Resistência) in São Paulo. The authors, Elisangela Machieski and Elton da Costa, investigated the visitor books to the memorial from 2009, when it was inaugurated, to 2014, fifty years after the military dictatorship began in Brazil. In the next article, Felipe Eleutério Hoffman and Maria Guiomar da Cunha Frota start out by observing an upsurge in memory projects and institutions designed primarily to make reparations for traumatic and violent events and human rights violations. They focus on three memory projects being planned for Belo Horizonte, Brazil, describing the human rights violations in question within their broader contexts of repression and resistance. The three cases are the Amnesty Memorial (Memorial da Anistia), the Human Rights Memorial (Memorial dos Direitos Humanos), and the Luiz Estrela Common Space (Espaço Comum Luiz Estrela). These projects, the authors argue, have brought about new ways of interrelating with urban spaces, since the physicality of the places selected to host them or the built exhibition designs have the power to reactivate memories that represent and transmit the experiences of violence during the traumas in question. The next four articles explore different facets of museology and heritage studies. Leonardo Civale and Luna Brum Nunes foreground the dimension of the city and its relationship with cultural assets by investigating heritage sites in the Luz district of downtown São Paulo and the trajectory of their inscription by the state and federal heritage protection agencies, CONDEPHAAT and SPHAN/IPHAN. The authors recognise the traumas surrounding the agents responsible for selecting and characterizing the cultural heritage and propose understanding it as a place of conflict. The micro and macro aspects of protection policies and practices in this district may help develop reflections about processes on a state-wide or national level. In the next article, Carolina Guedes explains the importance of social media in divulging archaeological heritage, choosing as case studies two archaeological sites in the state of Mato Grosso: Cidade de Pedra, in Rondonópolis, and the Mano Aroe site. Guedes explains how social media platforms can be used to spread archaeological knowledge beyond the bounds of academia, then goes on to present a project for a website for divulging archaeological heritage based on 3D models created using Sketchfab. These techniques and tools, she argues, could give archaeologists practical and objective means of socializing the knowledge produced in archaeological research to a wider audience beyond the confines of physical space. In the next text, Paula Menino Homem shares some reflections on the tarnishing of silver, whether in store rooms or exhibition spaces. The ways corrosion is manifested and categorised are presented, and some notions of the chemistry of atmospheric corrosion are introduced, relating it to the presence and properties of water. This paper contributes to the conservation of this kind of metal, shedding light on how it is transformed, how it interacts with different agents, and the respective consequences of this, providing helpful, practical information on how to manage silver objects so as to mitigate their deterioration. In the next article, Rosali Souza writes about the importance of information systems, their historical development, the different approaches and types available, and their functions and dimensions. She then analyses the Thesaurus of Scientific Collections in Portuguese as an example of the application of information systems to collections at museums and scientific institutions. The creation of this thesaurus is a good example of how different kinds of systems for organizing knowledge can be brought together to enable users to search for information effectively. It also shows how information systems can be harnessed to support the registration, classification and indexation of objects at museums and scientific institutions. The last three articles are grouped together around a common theme: musealisation. The first, by Maria Lucia de Niemeyer Matheus Loureiro, proposes a reflection about musealised objects by combining material culture studies, the biographical approach, and conceptual mapping. Building on the debate about musealisation, Loureiro presents conceptual mapping as an effective tool for the field of museums, especially in conjunction with material culture studies and the biographical approach. The idea is that conceptual analysis could be used to highlight previously neglected or unnoticed aspects of objects. The following article is by Bruno Brulon, who discusses the centrality of the concept of musealisation in contemporary museology studies, which, from his perspective, allows the discipline to be understood from the perspective of the social sciences. He presents different schools of thought that have defined the subject since the 1970s, ranging from Zbyněk Z. Stránský to the most recent conceptual propositions. Calling for a shift in focus in museological analyses towards the action produced by musealisation, Brulon envisages a new way forward for museology based on the experience of the symbolic states of reality “elevated” by museum performance. The final article, by Fabiana Comerlato, discusses whales as objects of musealisation. Her research seeks to comprehend how whales have been exhibited in museums of natural history and museums of the whale. By analysing some exhibitions in Europe and the United Sates, Comerlato identifies three forms of musealisation of the whale throughout the history of the museum: the exhibition of skeletons of specimens assembled anatomically, life-size models and virtual exhibits. The different musealisation approaches used for this species combine new formats and narratives involving skeletons, models and digital reconstitutions, which are not necessarily mutually exclusive.

In the Experience Reports section, Alejandra Saladino presents the findings and preliminary reflections drawn from an experience enabled by the Ibermuseus Capacity Building Programme, which funded her residency at the National Archaeological Museum of Spain to investigate the subject of museum planning. In her residency, Saladino observed how direct and significant an influence political and economic factors have on museum planning. By developing and executing a museum plan, institutions are able to withstand challenging times with a greater sense of purpose and direction, because the planning enables them to guide their actions and focus on their priorities according to their budgetary and human resource needs and constraints. Finally, the account by Patrícia Tany Posch focuses on (Co)Inhabit, a contemporary art exhibition at Casa da América Latina, Lisbon. Posch observes how the artworks on display by the Brazilian artist Lia Chaia and the Portuguese artist Andrea Brandão reflect, reinforce or resignify the Brazilian social memory that has been built up in consonance with national identity-building processes. By identifying the manifestation of certain aspects relating to specific historical times that influenced the development of the Brazilian identity, Posch concludes not only that an idea of a bygone Brazil is perpetuated on a subjective plane, inspiring the artists, but also that new narratives are emerging, whose main strengths are their problematisation of social issues and questioning of the supremacy of western culture.

We wish you a pleasant and academically rewarding read.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Scientific editors

PRESENTACIÓN


Es con gran satisfacción que lanzamos un nuevo número de la Revista Museologia e Patrimônio(M&P) – vol. 11, n.2, agosto/diciembre - 2018. Aprovechamos este momento para agradecer a todos los que han participado en el proceso de producción de la revista, especialmente a Bruno Araújo que realizó el formateo de los textos y la publicación de la revista. El esfuerzo de los autores, evaluadores, revisores es fundamental para la continuidad de nuestras actividades. Mucho de lo que ya se ha realizado, y viene realizándose, contribuye a la profundización, legitimación, valoración y divulgación de investigaciones en el área de la especialidad. Por último, cabe un agradecimiento a nuestros lectores que siempre buscan en nuestras bases los debates más actualizados de la Museología y Patrimonio, y posibilitan con sus lecturas y usos compartidos, que logremos resultados, cada vez más positivos. Este número presenta textos diversificados que comprenden nueve contribuciones en las secciones de Artículos y dos Relatos de Experiencias.

En la sección Artículos, los dos primeros textos abordan temas centrales en el actual contexto brasileño, en el cual los supuestos básicos de la Democracia están debilitados. Elisangela Machieski y Elton da Costa abren la revista analizando la relación dialógica entre la exposición de larga duración y el público visitante del Memorial de la Resistencia en São Paulo. Para tal fin, examinaron los libros de visitas de la Institución entre los años de 2009 y 2014, período en el que se da la inauguración del Memorial y se cumplen los cincuenta años de la instauración de la Dictadura Militar. En seguida, Felipe Eleutério Hoffman y Maria Guiomar da Cunha Frota parten de la constatación del surgimiento de proyectos e instituciones de memoria que tienen como objetivo central atender a las acciones de reparación a acontecimientos traumáticos, violentos y de violación de los derechos humanos. Así, la investigación desarrollada para el artículo se centra en tres proyectos de espacio de memoria en proceso de producción en la ciudad de Belo Horizonte, que tratan sobre acontecimientos y episodios de violación de los derechos humanos dentro de contextos de represión y resistencia. Son los siguientes: el Memorial de la Amnistía, el Memorial de los Derechos Humanos y el Espacio Común Luiz Estrela. Tales experiencias, de acuerdo con los autores, han promovido nuevas formas de relación con el espacio urbano, en la medida que la materialidad de los lugares seleccionados o la museografía construida puede movilizar memorias que representen y transmitan la experiencia de la violencia de los traumas abordados. Los cuatro artículos siguientes han explorado las diversas facetas de los estudios de la Museología y del Patrimonio. El primero de ellos, de autoría de Leonardo Civale y de Luna Brum Nunes, saca a la luz la dimensión de la ciudad y su relación con los bienes culturales, al investigar la trayectoria patrimonial del barrio de la Luz, ubicado en el centro de la ciudad de São Paulo, con los órganos involucrados en su caracterización como bien patrimonial (CONDEPHAAT, SPHAN/IPHAN). Los autores reconocen las tramas que engloban los agentes responsables de la selección y elaboración del patrimonio cultural, y se proponen a entenderlo como lugar de conflicto. Los aspectos micros y macros de la política y de la práctica de preservación en este territorio pueden contribuir a la reflexión de un proceso mayor, a nivel de los estados o a nivel nacional. En el Artículo siguiente, Carolina Guedes expone sobre la importancia de las redes sociales en la divulgación del patrimonio arqueológico, tomando como estudio de caso el área rupestre de la ciudad de Pedra, en Rondonópolis, y del espacio Sítio Mano Aroe, ambos en el estado de Mato Grosso. La utilización de las plataformas sociales, para la autora, a través de Internet, posibilita la divulgación del conocimiento arqueológico de largo alcance, más allá de los límites académicos. Así, se presenta el proyecto de construcción de modelos 3D, los elementos de creación de una página web de divulgación del patrimonio arqueológico a través de modelos 3D en el Sketchfab . Se defiende que, a partir de estas herramientas y técnicas, los arqueólogos poseerán formas prácticas y objetivas de socializar el conocimiento generado en las investigaciones arqueológicas con un público creciente y llevarlo más allá de un único espacio físico, generando la extroversión del conocimiento. En el texto siguiente, Paula Menino Homem comparte una serie de reflexiones que permiten un mejor entendimiento sobre el proceso de oscurecimiento de la plata, ya sea en un contexto de reserva técnica o de exposición. Se presentan formas de manifestación y categorización de tipos de corrosión, así como se introducen las nociones de química de la corrosión atmosférica, relacionándola con la presencia y propiedades del agua. Esta reflexión trae una contribución al trabajo de conservación de este tipo de material, en la medida que presenta aclaraciones del fenómeno de transformación de la materia, su relación con diferentes agentes, interacciones y respectivas consecuencias. De este modo, brinda información útil y facilitadora de cómo manejar objetos de plata y mitigar así cualesquier factores de deterioro. En el artículo siguiente, Rosali Souza discursa sobre la importancia de los Sistemas de Información, su evolución histórica, enfoques y tipificaciones, funciones y dimensiones. Esto es necesario para analizar el “Tesauro de Acervos Científicos en Lengua Portuguesa” como un ejemplo de aplicación en colecciones de museos e instituciones de ciencia. La iniciativa de crear este tesauro es un ejemplo significativo de cómo diferentes tipos de sistemas de organización del conocimiento pueden trabajar juntos en pro de la satisfacción de los usuarios que buscan información. Es también un ejemplo de cómo un sistema de organización del conocimiento actúa en el apoyo al registro, clasificación e indexación de objetos en museos e instituciones de ciencia. A seguir, tenemos un bloque con tres artículos que dialogan sobre un tema en común: la musealización. Abriendo este debate, Maria Lucia de Niemeyer Matheus Loureiro propone una reflexión de los objetos musealizados a partir de la combinación de estudios de cultura material, del enfoque biográfico y de la metodología del mapa conceptual. Ampliando el debate sobre la musealización, se presenta la perspectiva del mapeo conceptual como herramienta de trabajo en el campo de los museos, particularmente cuando articulada a los estudios de cultura material y al enfoque biográfico. Siguiendo con esta propuesta, se cree que, a partir del análisis conceptual, será posible iluminar aspectos antes ignorados o invisibles de los objetos. En el artículo siguiente, Bruno Brulon discute la centralidad del concepto de musealización en los estudios contemporáneos de la Museología, que en su perspectiva posibilitará entender esta disciplina en el ámbito de las ciencias sociales. Así, presenta las diferentes corrientes de pensamiento que definieron el tema en la década de 1970 con Zbyněk Z. Stránský hasta las propuestas conceptuales más recientes. Proponiendo la redirección del enfoque de los análisis museológicos hacia la acción producida por la musealización, el autor vislumbra el camino de una Museología basada en la experiencia de los estados simbólicos de la realidad “elevada” por el desempeño museal. Cerrando esta sección, Fabiana Comerlato, discute el papel de las ballenas como objeto de musealización. Su objetivo de investigación es comprender históricamente cómo las ballenas son exhibidas en los museos de historia natural y en museos de ballena. A partir del análisis de algunas exposiciones en museos europeos y estadunidenses, la autora señala tres formas de musealización de la ballena a lo largo de la historia de los museos: el esqueleto del espécimen montado en conexión anatómica, los modelos en tamaño real y las exhibiciones virtuales de las ballenas. De esta forma, diferentes formas de musealización de esta especie agregan nuevas formas y narrativas que combinan esqueletos, modelos y reconstituciones digitales que no necesariamente se excluyen.

En la sección Relatos de Experiencia,Alejandra Saladino presenta los resultados y reflexiones preliminares sobre una experiencia hecha viable por el Programa Becas Ibermuseos de Capacitación, mediante el cual se puede realizar un proyecto de residencia en el Museo Arqueológico Nacional de España (MAN), que trate la temática del plan museológico. La residencia ha permitido constatar la gran y directa influencia de los contextos políticos y económicos sobre la planificación de los museos. Siendo así, una institución que desarrolla y ejecuta su plan museológico puede enfrentar estos momentos complicados con mayor seguridad y firmeza, pues la planificación permite orientar las acciones y el conjunto de prioridades de acuerdo con las posibilidades y necesidades presupuestarias y de recursos humanos. Por último, está el Relato de Patrícia Tany Posch sobre la Exposición [Co] Habitar en la Casa de América Latina de Lisboa. La autora busca identificar cómo las obras de arte contemporánea de la artista brasileña Lia Chaia y de la artista portuguesa Andrea Brandão en la exposición citada reflejan, refuerzan o replantean la memoria social brasileña que ha sido construida en sintonía con los procesos de construcción de la identidad nacional. A partir de la identificación de la manifestación de algunos aspectos que remiten a momentos históricos específicos que han producido una inflexión en la construcción de la identidad brasileña, ha sido posible concluir que no solo una idea de Brasil de otrora se perpetua en un campo subjetivo que inspiró a los artistas, sino también el surgimiento de nuevas narrativas que tienen en la problemática social y en el cuestionamiento de la supremacía cultural occidental su punto más fuerte.

Deseamos a todos una lectura placentera y académicamente provechosa.

Marcus Granato e Diana Farjalla Correia Lima
Editores científicos